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PAI – Por Ricola de Paula

PAI
Por Ricola de Paula
07/08/2011

Pai, pode ser ausente,

buraco na memória, sujeito oculto no presente

pode estar um lixo, precisa ser reciclado.

Pai é estátua, herói da fabula,bola de gude,

futebol nos domingos, chicletes – tanto faz se você

estica ou puxa, se esqueceu de fazer a leitura

se falou sem brandura, se perdeu a compostura.

Pode virar foto, talvez sobre sua mesa

uma simples dobradura. Tem pai de todos, não é o dedo

vai ver que é a mão aberta acariciando o medo.

Pai também some no mundo, se perde feito criança

no turbilhão de gente grande.

Pai já foi vulcão, rei das bobeiras, beliscão

foi dia escuro onde se perde a fala e ganha lágrimas.

Pai tem que ter paciência, não importa

se não tem carro, é melhor não estar (a)batido

apenas constipado, porque se chorar é apenas uma gripe

tanto quanto o amor – este não pode ser comprimido

tem que vazar seus oceanos.

Pai é Atlântico, Pacífico.

Ricola de Paula

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Filed in: Literatura

3 Responses to "PAI – Por Ricola de Paula"

  1. beth disse:

    Carlos D’Aguapé em 10/08/2011 às 16:18 disse: Tu nõ podes imaginar como este poema me tocou.
    Pois sei que a sina pode ser dura e se perder o poeta, mas ser pai mantem erguido o peito até na derrota.
    Identificação – toda identificção.

  2. beth disse:

    Máh Luporini em 10/08/2011 às 16:56 disse: Amigo Ricola, belo poema, identificação completa! abração!

  3. beth disse:

    selmer em 11/08/2011 às 13:56 disse: Admirável! Simplesmente admirável esse poema, amigo e poeta Ricola. Tenho certeza que o seu novo livro será mais uma preciosidade poética..Seu amigo, selmer

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