Por Joka Faria
02/02/2011
Após assistir a Erva do Rato de Julio Bressane …
Medusa se faz presente diante de mim. E me toma. Torno-me estatua. Ela me toma … Meu espírito se aprisiona diante de medusa. E se liberta muitos séculos depois. Lá, preso a medusa, a lúxuria me consome num reino de muitas orgias. E pela mão de um anjo liberto-me de medusa. E agora vivo em Sodoma, por vários séculos. Um dia aparecem dois forasteiros que param na casa de Ló e todos os queremos, mas não nos querem. Sodoma era uma cidade de lascívia e devassidão. Tínhamos todas as experiências. Mas não tínhamos nossa essência. Aqueles homens fugirão com ló. E vimos duas grandes carruagens belas voar sobre Sodoma … Trouxe-nos os raios e trovoes e nos consumiam em fogo. E morríamos … infelizes não tínhamos a noção do pecado Judaico Cristão. Éramos felizes em nossas vidas. Ai me vi guerreiro em Roma numa batalha sangrenta entre a vida e a morte. Tive uma única chance e trai a todos. Principalmente dois leias amigos que me acompanhavam. Entre a vida deles e a minha fiquei com a minha. Mas não tive muita sorte … Passaram se alguns dias entre homens e mulheres que ali se amavam. Fui denunciado e esquartejado. Minhas Luxurias e medos me levaram numa outra vida. Encontrei um tal de Judas eu era uma mulher que seguia a seita de Jesus. E numa noite de raiva e medo aconselhei a Judas e o pedi para que fugíssemos dali. E com trinta moedas fomos pois havia murmúrios que Jesus seria preso. E ele o fez. Mas dizem que Jesus também tinha pedido. E fomos embora …Judas nunca me contará, mas também não tive sorte, pois vi Jesus ser Crucificado e cai em mim. E me descobri … Fomos a Roma e eu sendo Cristã fui jogada aos Leões, nunca tive uma morte tão bela. Hoje ainda não sou nem fui. Perco-me em minhas memórias de tantas vidas, quase cento e oito. Se eu contasse todas, daria milhares de vidas. E muitas e muitas traições. E também muitos amores. Nunca me lembro de tudo, só me vêem em flashs. A erva do Rato me consome, sou caveira a tomar chá. Sou fotografada nua … Vejo-me em você. Mas não se vê em mim. Caminho pelos parques e ainda não me despi. Sou as mulheres que se deixam filmar em noites de sexo. Para tolos homens em lúxurias vãs. Para que tive tantas vidas se meu coração ainda não descobriu o amor. Se ele ainda se faz pedra. Naveguei, desbravei continente e aqui estou no frio glacial da América. Dentro do lugar mais distante de minha Argentina. Ás vezes presente numa pessoa no Brasil. Sou muitos pelo mundo afora que carregam uma parte de mim, um dia quem sabe um uma. Uma totalidade. Agora uma sombra. A tentar desvelar Jorge Luis Borges. O leio e o releio. A erva do rato se faz presente em mim. Sou caveira. O ar esta parado e respiro por entre aparelhos. Dentro de um corpo numa cadeira de rodas. Dentro de uma pessoa que não compreende o mundo. Sou todo e tudo e nada. A roda gira. Vejo os filhos que já pari sinto as dores do parto. Sinto meu ser se fazer presente em cada vida que vivi. Sou a luz e as trevas. Sou a musa retratada num quadro de Edward Munch. Suas cores. Sou o militar que aperta o gatilho contra a multidão no Cairo, meu Cairo onde vivi muitas vezes. Onde servi muitos Faraós como soldado. Ás vezes Sacerdote. E muitas e muitas vezes prostituta. E hoje sou pura solidão. Quantas vidas já fui feliz. Quantas viagens astrais. Quantos planetas já visitei. E agora aqui preso a esta ilusória vida. Sou o cão que late na noite. E com tudo que fiz sempre vejo uma estrela. Que sabe tudo de mim. E me ilumina. O sol esta ai a brilhar a gerar luz. A erva do rato me consome, sou a retina a absorver a luz da película. E a buscar … O que de fato esta dentro de mim. Sou Bressane. Alessandra Negrini.Selton Mello me faço presente em todos. Á noite me leva a ver estrelas apago a luz. Desligo-me deste mundo de matéria. Faço-me presente nas partes de mim que circulam por este planeta. O universo esta em mim então também sou universo.
JOKA
joão carlos faria
Filme A erva do Rato
De Julio Bressane
Com Alessandra Negrini e Selton Mello






