
A REDE SOCIAL (The Social Network)
De David Fincher, 120 min
Drama
Um filme que contaria a história da criação do Facebook? Quando soube que estava sendo produzido eu confesso que não dei valor. Mas isso só até saber o nome do diretor e do roteirista… o cineasta David Fincher já nos entregou uma obra-prima como “O Clube da Luta”, além de excelentes filmes como “Seven”, “Zodíaco” e “O Curioso Caso de Benjamim Button”. Já o roteirista Aaron Sorkin, era o escritor da premiada e inteligentíssima série “The West Wing”.
O amálgama desses dois talentos resultou numa pérola da Sétima Arte, com uma Direção inspiradíssima e um Roteiro que desde já é o favorito ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.
Nascido do livro escrito por Ben Mezrich – que conta a versão de Eduardo Saverin da história – “The Accidental Billionaires: The Founding of Facebook, a Tale of Sex, Money and Betrayal”, o roteiro de Sorkin é genial, repleto de diálogos auspiciosos, simplesmente uma aula de como se escreve um trabalho para o Cinema.
Com um roteiro desta estirpe em mãos, David Fincher não ficou atrás. Como é de praxe, arrancou o que há de melhor de seus atores, além de tomadas de câmera muito inspiradas.
Excepcional direção, com todos os méritos indicada ao Globo de Ouro. Em tempo, Sorkin também concorrerá ao prêmio de Melhor Roteiro na mesma cerimônia.
A trama já começa com uma cena eletrizante, com Mark Zuckerberg (vivido por Jesse Eisenberg) disparando sua metralhadora verbal sobre sua namorada, numa – para ele, claro – simples conversa de bar, ao som de White Stripes. Zuckerberg possui um raciocínio lógico digno de um gênio, mas que o torna incapaz de se relacionar socialmente. Isso fica claro quando ele leva um fora de sua namorada ao final da cena citada, e isso irá desencadear acontecimentos que mudarão a história da internet.
Na mesma noite, o brilhante aluno de Harvard, magoado e sob efeito de álcool, hackeia fotos de alunas e cria o FaceMash, site em que os alunos da universidade votam em qual é a mais bonita… o número de acessos em poucas horas é tão absurdo que derruba o sevidor de Harvard, uma das mais importantes universidades do mundo. Zuckerberg acaba punido pela direção, mas seu feito chama a atenção de outros três alunos, bem diferentes dele, pois possuem “sangue azul” e vêm de famílias riquíssimas. São eles os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss e o indiano Divya Narendra, que contratam Zuckerberg para desenvolver um site para eles, onde os estudantes de Harvard poderiam se registrar e criar seus próprios perfis. Mas Mark Zuckerberg viu ali um potencial muito maior, e enquanto enrolava o trio que esperava pelo novo site, criou para si próprio o The Facebook, que… bem, caso mores no planeta Terra, não precisas que eu te explique o que é o Facebook, não é mesmo? Como não tinha dinheiro para bancar a empreitada, ele contou com a ajuda de seu melhor amigo, o brasileiro Eduardo Saverin (vivido por Andrew Garfield), que se tornou seu sócio na nova “empresa” que acabava de ser criada.
A partir daí ficamos sabendo de toda a história sobre a criação da maior rede social da internet, detendo hoje mais de 500 milhões de membros. A trama passa a ser contada em grandes flashbacks, já que o presente do filme se passa basicamente em audiências entre os advogados de Zuckerberg e os que representam os gêmeos Winklevoss e Narendra, que o processam pelo roubo de propriedade intelectual, além da batalha jurídica de Saverin contra seu ex-melhor amigo, já que Mark, influenciado por um novo amigo, Sean Parker (vivido por Justin Timberlake), trai o brasileiro, reduzindo sua porcentagem no Facebook para algo muito próximo do zero.
Detalhe para o personagem Sean Parker, outro ícone do mundo digital, já que foi o criador do Napster, o primeiro programa gratuito de downloads de músicas da internet, que simplesmente mudou a história das gravadoras para sempre. Thanks, dude!
A trama acerta em cheio ao não tomar partido e manter-se neutra enquanto a história é contada, mais um ponto para a excelência do roteiro.
As atuações estão ótimas, com destaque para o estupendo trabalho de Jesse Eisenberg (de Zumbilândia), que destila toda a verve geek de Zuckerberg, em diálogos dignos da velocidade com que a internet mudou o mundo. Seu olhar quase robótico, seu raciocínio de Steve Jobs, sua singular personalidade, são colocadas na tela de maneira brilhante. Andrew Garfield também tem uma atuação digna de aplausos, como o jovem talentoso porém ingênuo, que em sua humanidade, contrasta com a lógica “vulcana” de Mark. Ambos foram indicados ao Globo de Ouro, respectivamente para Melhor Ator e Melhor Coadjuvante. Indicações mais do que merecidas.
Vale citar também a boa atuação de Justin Timberlake, na pele do anárquico Sean Parker, responsável pelo racha entre os dois amigos. Boas as atuações também de Arnie Hamer (que vive os gêmeos Winklevoss), de Max Minghella (que interpreta Divya Nerendra) e de Rooney Mara, que vive Erica Albright, a já citada ex-namorada de Mark (que ele alega nunca ter existido na vida real).
A Trilha Sonora é outro ponto forte do filme. Criação de Trent Reznor e Atticus Ross, ela casa perfeitamente com a direção sublime de Fincher. É monumental e mereceu a indicação ao Globo de Ouro de Melhor Trilha Sonora.
A Rede Social é muito mais do que um filme sobre o Facebook. É uma produção emblemática, uma aula de Cinema. Um filme para ser visto e revisto.
Virá forte, muito forte no Oscar…
Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:
SALA 2 – Legendado 21h10
Horários válidos até 23/12/10
www.cinesystem.com.br/multiplex.asp
DALTO FIDENCIO
nils satis nisi optimum







Luis Tobal em 21/12/2010 às 16:31 disse: Fico feliz, que tenha assistido, mesmo sabendo q A Origem, foi otimo, sempre é bom ter adversários na festa do Oscar.
Dalto em 22/12/2010 às 00:25 disse: Tobal, A ORIGEM terá toda a minha torcida no Oscar… é meu filme do ano, mas pensando com a cabeça dos membros da Academia, creio que A REDE SOCIAL tem mais chances, sem falar em O DISCURSO DO REI. Vamos ver…