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Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland)

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS (Alice in Wonderland)
De Tim Burton,  108 min

Alice in Wonderland
Fantasia / Aventura
Direção: Tim Burton
Roteiro: Linda Woolverton
Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Michael Sheen, Anne Hathaway, Matt Lucas, Alan Rickman, Christopher Lee, Crispin Glover, Stephen Fry

Quando a Disney anunciou que ninguém menos do que Tim Burton estaria à frente da adaptação em live action de “Alice no País das Maravilhas”, o mundo dos cinéfilos começou a esfregar as mãos. Posteriormente, quando fotos e trailers foram divulgados, a expectativa chegou ao nível máximo… todos mal podiam esperar pela prometida obra-prima que estava por vir. E exatamente por ter prometido tanto, “Alice”, mesmo sendo um bom filme, decepciona. A palavra “decepção” pode até ser um pouco forte, mas que atire a primeira pedra aquele que disser que não esperava mais do longa…

 Tim Burton é um gênio. Sim, eu sei, ele não sabe dirigir filmes de ação, e como narrador, não é nenhuma virtuose, mas a sua visão é incomparável quando se trata de Direção de Arte, de Fotografia e de seu mundo particular. Ele é um dos pouquíssimos cineastas que conseguiram construir um universo próprio, coisa que só os extra-classe são capazes.

 O roteiro é de Linda Woolverton (da obra-prima Rei Leão), que deixou a desejar. Uma adaptação livre de dois livros de Lewis Carroll, “Alice no País das Maravilhas” e “Através do Espelho e o que Alice Encontrou Lá”, ele aposta na batida saga do herói, do “escolhido” que irá livrar um povo da opressão… tema que não casa com a concepção original anárquica da obra de Carrol.

 Alice Kingsley não tem mais apenas 7 anos, como quando visitou o País das Maravilhas na primeira vez. Agora ela é uma jovem de 19 anos, prestes a se casar com um entediante nobre, por pura pressão da sociedade do século XIX. Aliás, ela pensa que suas lembranças de quando era uma infante não passam de meros sonhos.
Para variar, ela segue um peculiar coelho branco até sua toca e acaba caindo novamente no País das Maravilhas, ou Mundo Subterrâneo, como é chamado no filme (em inglês: Worderland/Underland). Alice é vivida pela desconhecida Mia Wasikowska, e esse é um dos problemas da película: ela simplesmente não possui um pingo de carisma, além de entregar uma atuação sem emoção alguma, que me fez pensar: “Cortem-lhe a cabeça!”. E para ajudar, seu personagem não foi bem desenvolvido pelo roteiro.

 No que tange às atuações, o filme é salvo pela talentosa Helena Bonham Carter (esposa de Tim Burton) e claro, pelo sempre ótimo Johnnie Depp.
Carter vive a Rainha Vermelha, que rege o Mundo Subterrâneo com mãos de ferro, praticando como nunca o seu hobbie favorito, que é mandar cortar cabeças. Sua caracterização é fantástica, onde os efeitos visuais transformaram sua cabeça num tamanho, digamos, avantajado (toda a sua interpretação utilizou uma câmera especial para conseguir tal efeito). Responsável pelas melhores tiradas cômicas e também pelo embate final do longa, ela rouba todas as cenas.

 Depp vive um estupendo Chapeleiro Louco. Sua caracterização é surreal, e sua atuação, marcante.
Incrível como ele consegue se reinventar a cada personagem insano ou bizarro que Burton lhe entrega.
Ele temperou o seu Chapeleiro não apenas com a usual loucura do mesmo, mas também com uma certa pitada de melancolia, que deixou o personagem cativante. Não será com esse personagem que ele será reconhecido pela Academia, mas já passou da hora de Depp ser lembrado por ela.

 O bom Crispin Glover vive o Valete, que é o escudeiro da Rainha Vermelha. Se ele não tem nenhuma atuação de gala, ao menos não decepciona.
Anne Hathaway é a Rainha Branca, numa atuação bastante artificial que não me agradou, isso sem falar na sua infeliz maquiagem. Ela é a antagonista de nossa carismática vilã, e no final travarão uma batalha, cada uma representada por seu campeão.
E claro, temos os personagens criados pelo melhor que a computação gráfica pode nos oferecer, e ainda por cima com o adendo da tecnologia 3D. O melhor deles sem dúvida é o Gato Cheshire (voz de Stephen Fry), mas vale citar também a Lagarta (sempre chegada num fumo…) Absolom (que tem a voz de Alan Rickman).

 Os Efeitos Visuais do longa são simplesmente irrepreensíveis, alcançando um resultado espetacular.
A Trilha Sonora, só para variar, ficou nas mãos de Danny Elfman. Seu trabalho foi bastante competente, casando perfeitamente com a trama. Só descartaria a inoportuna presença de Avril Lavigne… inserida na Trilha para seu clipe ajudar a Disney a vender mais ingressos, e vice-versa.
A Fotografia é plasticamente impecável, digna dos maiores aplausos. Seu responsável foi Dariusz Wolski.
Direção de Arte e Figurinos… sublimes obras de arte! São o que de melhor há neste longa de Burton.
Mas infelizmente, é só isso. Visualmente portentoso e de cair o queixo, mas com uma trama rasa que em nenhum momento arrebata o espectador, além de uma protagonista insípida e um final fraco…

“Alice no País das Maravilhas” simplesmente não emociona, não convence, e com isso, decepciona.
Mas então este não é um grande filme? Devagar com o andar… este não é mais uma obra-prima de Burton, como “Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet“, por exemplo, mas sem dúvida é uma película tão bela visualmente, que deve ser assistida. Nunca perca a chance de acompanhar o trabalho peculiar de um dos maiores e mais originais cineastas da história da Sétima Arte.

 Recomendo!

 Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:

Alice no País das Maravilhas – Sala 6: 13h55, 16h25, 19h05, 21h25 (Dublado)
Alice no País das Maravilhas 3D – Sala 4: 14h15, 16h45 (Dublado)
Sala 4: 19h15, 21h45 (Legendado)

Horários válidos até 13/05/10
www.cinesystem.com.br/page/index.asp

DALTO FIDENCIO
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twitter.com/DaltoFidencio


 

 

 

 

 

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5 Responses to "Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland)"

  1. dalto disse:

    Jéssica A. (MelodyMetal) em 08/05/2010 às 23:33 disse: Mais uma excelente crítica. Diferentemente de ti, acho que escreve bem gostando ou não do filme.
    Bem, a atriz protagonista é fraca, como já ressaltado. Ela até ‘aprende a ter expressão’, mas isso já é bem no finalzinho do filme. Depp é sensacional, mas a estrela do filme pra mim é Helena. Capaz das maiores expressões sem nenhum forçar ou falsidade, diferente da “Rainha branca”, que até irrita de tão suave que tenta ser. Esperei muito mais profundidade no âmbito dark da coisa, contudo mesmo assim, o visual é deslumbrante.
    Novamente, excelente descrição… Sucinta e realista!
    Beijos!

  2. dalto disse:

    Elizabeth em 09/05/2010 às 23:59 disse: Dalto
    Parabéns pela crítica, tão precisa e claramente compreensível que me incentiva a conferir o Depp…sou uma fã inveterada desse ator prá lá de talentoso, simplesmente um gênio. No começo dessa semana vou assistir o filme…
    Valeu a dica!
    Abração

  3. dalto disse:

    Dalto em 10/05/2010 às 11:51 disse: Obrigado pelo ótimo comentário, Jéssica! Sejas sempre bem-vinda aqui!

  4. dalto disse:

    Dalto em 10/05/2010 às 11:53 disse: Beth, prefira a versão 3D… aliás, todo filme de Burton deveria ser em 3D, rs!

  5. dalto disse:

    Elizabeth em 10/05/2010 às 12:36 disse: Dalto, valeu pela dica…Beijos!

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