
ANTICRISTO (Antichrist)
De Lars von Trier, 109 min
Terror
Um dos mais perturbadores filmes já feitos… esta é a melhor forma de descrever a nova película
do polêmico cineasta dinamarquês, Lars von Trier. Em sua primeira produção de terror, ele nos entrega um filme denso, angustiante, chocante… que ao final deixa várias cenas em nossa memória, marcadas a ferro e a fogo, lembranças essas que os de estômago fraco lutarão para esquecer.
“Anticristo” é uma obra-prima da 7ª Arte, mas ao mesmo tempo é um pesadelo em que somos imersos acordados. Criador de pérolas do Cinema, como “Dogville”, “Manderlay” e “Dançando no Escuro”, von Trier tem como marca registrada, além de suas histórias únicas e polêmicas, o fato de fazer a
platéia pensar. Mas aqui ele se supera, pois é simplesmente impossível passar incólume por “Anticristo”… seja para o bem ou para o mal, o espectador sairá chocado da sala. “Anticristo” é capaz de causar ao mesmo tempo, júbilo pela obra-prima filosófica que é, e asco, pela ousadia de idéias e imagens que possui.
À primeira vista, a produção aparentemente segue o controverso (e estúpido, diga-se de passagem) caminho da misoginia, e o cineasta foi muito criticado por isto, mas eu particularmente vejo o filme por outro prisma, não acho que ele aponte a mulher como fonte de todo o mal, e sim, a humanidade de forma geral. Temos aqui um embate ser humano x natureza.
O filme – como gosta von Trier – é dividido em capítulos: “Prólogo”, “Luto”, “Dor – Caos Reina”, “Desespero – Ginocídio”, “Os Três Mendigos” e “Epílogo”.
A abertura é simplesmente sublime, toda em preto-e-branco e em slowmotion, é pura arte cinematográfica, ao som da maravilhosa trilha (composta por uma única música) da ópera Rinaldo, do gênio Georg Friedrich Händel. Mas nela já principia a ousadia… o casal protagonista realiza uma cena
de sexo, onde a penetração é mostrada de forma explícita. Enquanto eles se entregam às tentações da carne, seu pequenino filho acorda, aproxima-se da janela do apartamento, sobe numa cadeira e a tragédia anunciada ocorre.
É preciso dizer aqui que é apenas o começo das cenas explícitas do filme, sejam de sexo, sejam de violência física e psicológica. Algumas são realmente chocantes, como as que envolvem canibalismo animal, ou a que mostra uma gazela com o filhote morto, parido pela metade e ainda preso ao corpo.
Nossos dois protagonistas são Willem Dafoe (Manderlay, Homem-Aranha) e Charlotte Gainsbourg (21 Gramas). Os nomes de seus personagens simplesmente não são citados na trama, então usarei os nomes verdadeiros aqui. Depois da trágica morte do filho, Charlotte embarca num estado
depressivo e de ansiedade alarmantes, e seu marido – um terapeuta – resolve tratá-la, levando-a a uma pequena casa que ambos possuem na floresta, a que chamam pelo sugestivo nome de Éden.
A beleza da Fotografia de Antony Dod Mantle (Quem Quer Ser um Milionário) é sui generis, realmente é um dos pontos altos do filme. Injustamente não foi indicada ao Oscar.
O casal enlutado luta contra a dor. Willem tenta curá-la usando seus conhecimentos, mas Charlotte se entrega ao caos, as discussões são sádicas e as consequências, mais ainda.
A atuação de Charlotte Gainsbourg é visceral, impactante, corajosa e arrebatadora. Com justiça foi premiada em Cannes como Melhor Atriz, e se o Oscar fosse menos comercial e mais artístico, a estatueta dourada não estaria entre Meryl Streep e Sandra Bullock, pois ninguém em 2009 chegou perto da atuação de Charlotte neste filme. Uma das maiores interpretações cênicas que o Cinema já presenciou.
Willem Dafoe é eclipsado por Charlotte, mas faz seu papel muito bem, com vigor, não sendo de forma alguma um ponto fraco na narrativa.
A ida ao Éden não revela curas, pelo contrário, o casal se vê entregue aos sentimentos mais primitivos, ligados principalmente ao medo.
A direção de von Trier é perfeita, explorando o caos dos protagonistas de forma angustiante, numa narrativa impactante e psicológica, mantendo uma tensão onipresente.
Além do terror psicológico, temos também o horror gore, que mostra cenas de mutilação que fariam fãs de “bombas” que se acham filmes de terror – como “Premonição 4″ ou as massantes continuações de “Jogos Mortais” – saírem aterrorizados da sala, clamando por suas mães. Aqui as cenas contam a história e não são a história. Não me surpreende o fato de que elas causaram náuseas na platéia em Cannes…
“Anticristo” é puro simbolismo. É tocante e sufocante, é poético e aterrador, maravilha e enoja.
É onírico e ao mesmo tempo um pesadelo. É um filme único, mas indicado para poucos. Se gostas apenas de cinema-pipoca, se o seu negócio é diversão apenas, passe longe da nova produção de von Trier. Mas se seu negócio é arte, é ousadia estética, e não tens medo de mergulhar numa arrebatadora trama psicológica, nascida durante uma depressão profunda do autor, mergulhando
em seus delírios insanos… então “Anticristo” é imperdível para ti.
Doentio, assustador, comovente.
Caos reina!
DALTO FIDENCIO
nils satis nisi optimum
http://twitter.com/DaltoFidencio







Luis Tobal em 06/04/2010 às 19:57 disse: Perturbador,e ponto. Assim descrevo minha visão sobre esse filme. Para mim,existem algumas falhas humanas, vè se concorda, Dafoe,é acometido de uma dor lancinante, que o faz desmaiar, após ter seu pênis e testículos amassados, ainda desacordado ejacula sangue,e logo após tem a perna transpassada por um objeto pontudo e pesado,e nada disso o impede de estrangular a esposa e após retirar o peso da perna, sair andando com um leve mancar pela floresta…
Acho muito grande essa licença poética, mas é só uma simples opinião. No mais o filme é Perturbador!!!1
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