Por Joka Faria
19/12/2010
O cinema é uma indústria que gera muitos empregos portanto, numa cidade em que a ideologia dominante é o empreendedorismo é de se estranhar que não se incentive a criação de um polo de cinema nos moldes de Paulínia ou até algo novo dentro da realidade local.
Também é de se estranhar a falta de intimidade do poder vigente com a chamada classe artística da cidade que reenvidica o fundo de cultura do município.
São José dos Campos é uma cidade Valeparaibana portanto o conservadorismo impera nesta cidade. Este conservadorismo esta exposto no modo como fazemos arte e cultura e na maneira que é encarado o folclore, nas ações politicas de esquerda ou de direita. Eu sei que este conservadorismo esta em mim, tento vencê-lo. Não quero ser um cidadão com mentalidade do século dezoito.
Aparecida é um filme bem natural ao mostrar a realidade da região, não sei porque o estranhamento. O tema nos é natural, a fé Católica em Nossa Senhora Aparecida, para mim ela vem de berço. Faz parte de minha raiz.
Acredito que a Prefeitura e a Fundação Cultural Cassiano Ricardo acertaram ao apoiar o filme mas erram em não investir numa produção de cinema local. Temos uma classe artística que consegue produzir cinema e que faria nos moldes comerciais, não vejo gente com um potencial de critica ao sistema estabelecido na cidade, no pais e no planeta. Somos reacionários em demasia. São José não tem uma Vanguarda. Não há um fazer artístico que reflita e proponha uma sociedade diferente. Em resumo, talvez em discurso nos dizemos de esquerda, na pratica somos consumistas. Seguimos a cartilha do sistema Capitalista.
Não temos uma unidade e uma união de verdade. Só queremos garantir nosso espaço individual. Ou simplesmente aparecer com nossas Ongs e Grupos, enfim nossas panelinhas. Hoje não estou em nenhuma. Ando só. Por enquanto?
Outro mito que se propaga aqui é que fazer cinema é difícil e caro. Mentira! há muitas produções acontecendo em todo planeta que ganham até Oscar e apoio da industria cinematográfica.
Mas aqui, preferem fazer oficinas o tempo todo e quando vai se produzir, preferem chamar artistas de fora, dando um atestado de incompetência aos nossos Produtores, Músicos, Poetas, Escritores, Atores, Diretores, Artistas Plásticos, enfim produtores de arte.
Incentivar a produção local não é bairrismo. Se assim fosse, a Bossa Nova e o Samba Carioca é bairrista.
Hoje a informação é universal, em qualquer lugar do planeta há livros, internet, TV por assinatura.
Todo novo conhecimento é difundido rapidamente. Basta vontade e competência para se fazer. Mas aqui o medo de errar é sempre maior.
O medo de ser critico gera obras de um grande vazio interior, sem nenhuma reflexão das complexidades da sociedade atual. Enfim ainda não fazemos arte, só repetimos velhas receitas de bolo.
São José merece se repensar e dar um rumo novo. Não sei se um Fundo de Cultura por si só já ajuda mas é um passo e bem importante, como também é a criação de um Polo de Cinema.
Temos que fazer já, sem esperar governos mais avançados. Nesta cidade não há avanço nem a direita nem a esquerda. Nossos lideres nos refletem, nossos lideres tem a mente tão limitada quanto a nossa.
Temos que superar esta limitação mental para chegarmos ao novo. Pensar e criar uma nova forma de civilização. Sem olhar para o hemisfério norte. Não somos Europeus. Somos Latinos Americanos. Somos o novo?
joão carlos faria






