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As três Ninas


Por Eliete  Santos
11/03/2011

Mês passado, fui assistir ao filme Cisne Negro. Produzido pela indústria norte americana, dirigido por Darren Aronofsky surge na tela a atriz Natalie Portman, na pele da personagem Nina. Uma jovem bailarina, integrante de uma companhia de dança, vitima da frustração da mãe, que é ex- bailarina, o filme mostra a neurose da perfeição, o drama da anorexia e da auto mutilação. Fora do apelo, que não se sabe bem onde o diretor quer chegar Natalie, levou o Oscar de melhor atriz. Muito antes dela, da indústria do cinema, anorexias e troféus outra Nina marcava seu nome na História. Nina Verchinina (1910-1995), foi uma referência para bailarinos no Brasil das décadas de 60 e 70. Nina começou no bale estudando na Europa com Bronislava Nijinska (1891-1972), alcançando em 1933 o posto de primeira bailarina do Ballet de Monte Carlo.. Viveu na China, viajou pelas Américas até chegar ao Rio de Janeiro em 1954. Sua vida, obra e técnica foi tese de mestrado da pesquisadora Beatriz Cerbino da PUC de São Paulo. A terceira Nina, não menos importante e mais próxima de nós mora em São José dos Campos. Nina Weis, hoje professora de bale na academia CBS, guarda em seu corpo miúdo a história de uma genuína bailarina. Algo muito raro de se encontrar. Oriunda de uma família nobre da cidade, os Weis que foram donos da primeira fábrica de cerâmica da cidade (hoje o prédio do INSS), sobrinha do musico mais cultuado da região, o pianista Sérgio Weis, que na década de 60 comandava o Biriba Boys, banda que ultrapassando todas as barreiras impostas pelas condições do interior, excursionou por quase todo o país. Nina começou a estudar bale com Damares Antelmo. Mas foi como aluna da mestra Eleonora Oliosi (15 anos primeira bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro), que conseguiu  conhecimento e técnica suficiente apostar mais em si e na carreira.. Pertenceu a um grupo de bailarinas (os) de altíssimo nível técnico e artístico. Aliás, algo que nunca mais se viu no Vale. O grupo formado por jovens talentosos no dia 11 de junho de 1988 produziu algo extraordinário no palco do Teatro Benedito Alves. Pela primeira vez, a cidade assistiu a alguns trechos dos bales mais famosos do mundo. Carmem, O Lago dos Cisnes, O Corsário. Abrindo a noite Nina Weis e Luiz Antonio Campos interpretam Lês Sylphides. Passado os anos, a academia teria ficado pequena, e um trio formado por Rosemary, Edimar e Nina Weis inscreve um trabalho autoral, “Uma ponte para o coração”, apresentado na segunda edição do Festidança em 1992. Nessa altura, Nina estava pronta para pleitear uma vaga como profissional numa companhia. Através de uma audição concorridíssima em São Paulo ingressa na única companhia de bale privada do país, a Watt`s Cia de Dança. Com direção de Nilson Soares, a bailarina divide o palco com a jovem Áurea Hammerli (primeira bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro). Realiza turnês interpretando, entre outros balés o clássico maior , Pás de Quatre. Com o fim da companhia Nina retorna a São José dos Campos. Inteligente, decide tomar um outro rumo na vida. Põe seus pés no caminho do amor verdadeiro, casa-se e forma uma família formidável.. Depois de muitos anos longe da dança, para a nossa satisfação e contribuição única, Nina retorna ao bale como professora, ou melhor… mestra. Modelo de pessoa, humilde, justa, paciente e dedicada Nina de certo modo em seu trabalho diário com as meninas, nos redime deste mundo repleto de “coisas feias” e acontecimentos dolorosos. Afinal, não é este o sentido de ser e o atuar de uma bailarina! Obrigado Nina Weis! Sua vida nos dignifica.

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Filed in: Eliete Santos, Variadas

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