
ASTROBOY (Astroboy)
De David Bowers, 94 min
A maior criação do mago dos mangás e animes, Osamu Tezuka, ganha uma versão hollywoodiana pelas mãos de David Bowers, do bom “Por Água Abaixo”.
Tezuka é considerado o “Walt Disney japonês”, por ser o responsável pela criação das bases da estética dos mangás, cultura pop nipônica que viria a invadir o mundo nas décadas seguintes.
“Tetsuwan Atomu”, conhecido ocidentalmente por “Astroboy” é um ícone na cultura japonesa. Surgiu na revista Shonen na década de 50, e foi publicado até o final dos anos 60.
Como ocorre com todo mangá de sucesso no Japão, ele acabou virando um anime, que foi exibido entre 1963 e 66. Também deu origem a um longa-metragem ainda nos anos 60, e posteriormente ao curioso plágio “Jetter Mars”, que no Brasil foi chamado de “O Menino Biônico”. Se bem que não sei se posso chamar de plágio, já que Jetter Mars também foi criado pelo próprio Tezuka.
A versão de Bowers mudou alguns detalhes do herói mirim original, mas na maior parte do contexto, temos uma versão relativamente fiel, apesar de que a história foi claramente direcionada para o “gosto ocidental”, perdendo boa parte da densidade narrativa comum aos animes e ganhando um ar mais infantil.
O roteiro é de Timothy Harris, escrito em parceria com o diretor David Bowers. Ele nos apresenta à futurística Metro City, Cidade-Estado que literalmente flutua sobre a superfície decadente de nosso planeta. Enquanto a cidade é o espelho da perfeição, com sua arquitetura na linha “Jetsons”, com tudo limpo e funcional, e os humanos tendo praticamente todas as tarefas feitas por robôs, os habitantes que não têm a sorte de morar em Metro City vivem na caótica superfície do planeta, transformada num gigantesco ferro-velho. Pode-se fazer uma
clara alusão aos primeiro e terceiro mundos de nossa realidade atual.
Em Metro City vive o genial cientista Dr. Tenma (que tem a voz na versão original de Nicolas Cage), que é o chefe do Ministério da Ciência. Um workahollic, Tenma não tem tempo para conviver com seu filho, o jovem Toby (voz de Freddie Highmore), que já demostra que será tão brilhante quanto seu pai. O cientista está trabalhando em um importante projeto, em parceria com o Dr. Elefun (voz de Bill Nighy). Sua equipe desenvolve uma inimaginável fonte de energia, separada em boa e má, positiva e negativa, azul e vermelha… quase num nível místico. Essa descoberta logo desperta a cobiça do Presidente Stone (voz de Donald Sutherland), ganancioso político que quer
usar as energias para criar uma arma suprema, com a qual decretaria guera contra a superfície, afinal, guerras garantem boas votações, não é mesmo, Mr Bush?
O desejo de Stone é responsável por um grande acidente, que acarreta a morte do pequeno Toby, que assistia à experiência escondido de seu pai.
Inconsolável e se culpando pela tragédia, Tenma usa de todo seu conhecimento para criar uma versão robótica de seu filho, que de tão perfeita, poderia ser confundida com um humano.
Ele coloca também em sua criação a energia azul, além de todas as memórias de Toby, Com isso, ele realmente acredita ser o filho humano do doutor. Mas para não correr o risco de perdê-lo novamente, Tenma insere um enorme arsenal de armas escondidas no corpo do pequeno robô. Mas logo Tenma se arrepende do que fez, e dá as costas ao “filho”, que magoado, deixa seu lar para logo em seguida ser atacado pelas forças militares de Stone, que desejava o poder do núcleo energético de Toby. Depois de uma batalha feroz, o pequeno robô acaba
caindo na superfície, onde se passa por humano e finalmente consegue conquistar amizades, vivendo um tempo com crianças órfãs, que eram cuidadas pelo “bondoso” Dr. Ham Egg (voz de Nathan Lane) que se dizia um amante dos robôs, mas que na verdade apenas os consertava para os forçar a participar de uma espécie de “ultimate fighting” robótico.
Logo, já rebatizado de “Astroboy”, o pequeno herói tem que lutar contra as forças de Ham Egg na superfície, para logo em seguida enfrentar em Metro City um imenso robô com o núcleo energético vermelho, criado pela imprudência do Presidente Stone.
Claramente o mais humano dos personagens é Astroboy, nos fazendo lembrar em mais de uma passagem da espetacular animação “O Gigante de Ferro”, mas em nenhum momento chegando perto de seu nível de excelência.
Temos várias mensagens positivas neste filme, e até sobre obras de Da Vinci e Isaac Asimov ele falará para a criançada que for assistir, e só por isso já valeria a pena ir ao cinema. Mas ele não é apenas reflexivo. Tem boas sequências de ação e também várias cenas engraçadas, principalmente quando entram em cena o trio de robôs comunistas, ou os robôs limpadores de janelas.
A animação não foi bem nas bilheterias norte-americanas, tendo conseguido arrecadar menos da metade dos 65 milhões de dólares que seu orçamento consumiu.
Longe de ser uma obra-prima, “Astroboy” mesmo assim homenageia com competência o gênio de Osamu Tesuka, e deve ser conferido tanto por fãs de animes quanto de animações ocidentais, já que é um amálgama de ambas.
Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:
Sala 3: 13h00, 14h50 (Dublado)
Horários válidos até 28/01
http://www.cinesystem.com.br/page/
DALTO FIDENCIO
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