![]()
AVATAR (Avatar)
De James Cameron, 162 min
Avatar
Aventura / Ficção científica Direção: James Cameron
Roteiro: James Cameron
Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldana, Stephen Lang, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi
James Cameron seja louvado! Saindo de uma hibernação que durou 12 anos, já que o genial cineasta não filmava um longa desde seu megasucesso “Titanic”, o “Rei do Mundo” agora deverá ser chamado de “Rei dos Mundos”, pois Pandora estará por décadas na lembrança dos cinéfilos.
Consumindo um orçamento absurdo de mais de 300 milhões de dólares, “Avatar” prova que vale cada centavo investido, nos presenteando com o mais fantástico deleite visual de toda a história do cinema. É imperativo que se assista a versão em 3D, pois a diferença para a versão normal é abissal, aliás, a diferença para qualquer outra produção já feita é abissal, nem mesmo Lothlörien, na Terra Média, se compara ao que vemos aqui.
Deixo à sua escolha decidir entre a versão legendada (superior, apesar de alguns erros) e a dublada (com algumas gírias desnecessárias), mas assista em 3D, pois a diferença entre assistir “Avatar” com os óculos especiais e sem eles, pode ser comparada a ouvir uma música em MP3 e em MIDI…
Cameron tem “Avatar” na cabeça há 15 anos, mas teve que esperar que a tecnologia para dar vida ao seu mundo particular fosse criada. Mas depois de ver Gollum/Sméagol em “O Senhor dos Anéis”, James Cameron soube que havia chegada a hora. Após 5 anos de desenvolvimento, a junção da mente criativa de Cameron com o trabalho perfeito da Industrial Light & Magic, de George Lucas (que fez toda Pandora, além dos “brinquedos” futuristas dos humanos) e da mágica Weta Digital (que deu vida aos assustadoramente reais Na’vi, elevando a tecnologia de captura de performance usada para criar Gollum a um nível nunca antes visto, tornando simplesmente impossível distinguir o que é real e o que foi criado digitalmente). Tecnologias de vanguarda foram criadas apenas para o filme, tornando possível capturar todas as expressões dos atores, tanto dos olhos quanto de seus rostos (eles utilizaram uma espécie de capacete com microcâmeras voltadas para seus rostos, que captavam todas as suas expressões e as transportavam para seus personagens extraterrestres).
O resultado de juntarmos a ILM e a Weta numa superprodução com rios de dinheiro para gastar? Bem, em se tratando de efeitos visuais e sonoros, seria como se uma sinfonia fosse composta em conjunto por Mozart e Beethoven… resultado: perfeição absoluta!
Mas se técnica e visualmente falando temos o maior espetáculo que o cinema pode proporcionar, o roteiro escrito por James Cameron não consegue seguir o mesmo nível. Os diálogos não tem impacto, o roteiro tem alguns pecados, mas acredite, um fã de ficção científica e aventura vai relevá-los e sair da sala de projeção com as pernas bambas, hipnotizado com o que acaba de ver.
A trama é a seguinte: o ano é 2154, nós humanos exaurimos completamente nosso planeta, mas conquistamos as viagens através do cosmo. A cena inicial mostra o fuzileiro paraplégico Jake Sully (vivido por Sam Worthington) saindo do sono da criogenia após quase 6 anos de viagem.
Seu destino e dos demais tripulantes da gigantesca espaçonave: a lua Pandora (sim, é uma lua e não um planeta como você vai ler nas legendas e ouvir na dublagem. Um bom observador notará isso de pronto). Este mundo contém um minério inexistente na Terra, chamado unobtainium, que vale milhões o Kg. Isso faz com que uma organização chamada RDA (sigla em inglês para Administração de Desenvolvimento e Recursos) queira fincar suas garras em Pandora. O satélite é um mundo paradisíaco visualmente, com uma uma flora de beleza indescritível, e uma fauna repleta de criaturas fantásticas. Os habitantes inteligentes locais são os Na’vi, humanóides azulados de 3 metros de altura, silueta esguia e aparência felina, que vivem em total harmonia com a natureza, respeitando-a de forma absoluta. Não possuem tecnologia de espécie alguma, vivendo de forma livre em suas florestas oníricas, em harmonia com toda a vida em sua volta.
Me fizeram lembrar de Elfos.
E claro, como já vimos o homem branco fazer com os indígenas anos atrás, o ser humano “civilizado” considera todo ser que vive livre da escravidão de sua civilização, como um “selvagem”. Este que vos escreve tem suas dúvidas sobre qual dos dois lados realmente merece esse rótulo…
É criado então o Programa Avatar, que consiste em criar cópias dos seres azuis, misturando DNA humano com o dos Na’vi. Esses seres, chamados “avatar” são como marionetes, permanecem inertes até que o humano doador do DNA se conecte neuralmente a uma máquina, e tenha sua consciência literalmente transportada para o corpo do avatar, que assim ganha “vida”. É como uma troca de corpos.
Os avatares são idênticos aos Na’vi, com exceção dos pés e mãos, que permancem com cinco dedos, como nos humanos, enquanto os Na’vi possuem quatro.
O objetivo é interagir mais facilmente com os nativos, aprender sua língua, ensinar a nossa, e se preciso for, aprender suas fraquezas também… já que é pródigo de nós considerar inimigos todos aqueles que possuem algo que nos interessa, pois assim é mais fácil declarar guerra…
A responsável pelo Programa é a cientista Grace Augustine, vivida por Sigourney Weaver. Ela quer apenas aprender e nada tem de belicosa, diferentemente de seus empregadores.
O protagonista da trama é Jake, o único não-cientista a participar do Programa Avatar, por ser irmão gêmeo de Thommy, PhD assassinato em um assalto na Terra pouco antes de embarcar para sua missão em Pandora. Como criar avatares é um processo extremamente caro, é oferecida a Jake a oportunidade de substituir seu irmão, já que o avatar aceitaria seu genoma também.
O fato de poder voltar a andar quando no controle de seu avatar é um dos principais motivos para Jake aceitar a empreitada.
Acolhido pelos Na’vi, “Jakesully”, como é chamado por eles, tem que aprender a viver como um deles, para vir a ser aceito entre os Omaticaya, o principal clã Na’vi na história. Sua “professora” é Neytiri (vivida por Zoë Saldana), filha do líder dos Omaticaya e da xamã do clã. Durante seu aprendizado, Jake previsivelmente irá passar de militar infiltrado para apaixonado pela cultura local, e por Neytiri, obviamente… e você sabe muito bem de que lado ele estará quando os humanos decidirem aniquilar os Na’vi, numa desigual batalha de armamento de última geração (naves, helicópteros hightech, armas de fogo, robôs mechas, etc) contra flechas e facas.
O amor entre Jake e Neytiri será o vento a inflar a vela de toda a trama.
Uma pena que os vilões da história não empolguem nem um pouco… o Coronel Quaritch (vivido por Stephen Lang) é uma mar de clichês, é o militar alienado que só quer saber de exterminar logo os extraterrestres e voltar cedo para o jantar. Um filme desta magnitude merecia um vilão do nível de um Darth Vader ou de um Saruman ao menos… mas Quaritch fica há anos-luz de ser um vilão icônico. O chefe de Quaritch é ainda mais esquecível. Giovanni Ribisi vive Parker Selfridge, o megacapitalista chefão da RDA em Pandora, que é uma espécie de mercador da morte. Ou os Na’vi se mudam de sua Hometree (titânica árvore-lar onde eles vivem, e que está bem acima da maior jazida de unobtainium conhecida) ou simplesmente serão mandados pelos ares, já que os acionistas não gostam de um balanço negativo…
Este é um filme absolutamente visual, dominado pela tecnologia, mas mesmo assim temos destaques na interpretações. Sam Worthington mostra que veio mesmo para ficar. Depois de roubar a cena em “O Exterminador do Futuro – A Salvação”, ele está muito bem agora nas mãos de Cameron. Seu talento e seu carisma são notados tanto em sua forma humana quanto na de seu avatar. Bela interpretação.
Mas quem merece os maiores elogios é mesmo Zoë Saldana. Ela nos presenteia com uma carismática heroína, que conquista o público de pronto. Sua química com Worthington é perfeita, e sua interpreteção da orgulhosa e apaixonada guerreira é muito acima da média.
Ela representa uma Na’vi, mas sua atuação é tão forte e emocional, que ninguém na película é mais humana do que ela.
Quem também é digna de ser elogiada é a veterana Sigourney Weaver, que já havia trabalhado com Cameron em “Aliens – o Resgate”, e que aqui dá à sua personagem a já conhecida força que as mulheres de Cameron possuem.
Vale citar também Michelle Rodriguez, sempre às voltas com personagens iguais, a de mulher valentona. Apesar disso, sua personagem, a piloto Trudy, agrada.
É importante citar que James Cameron contratou profissionais para criarem um idioma que realmente pode ser aprendido, e as falas em Na’vi não são apenas sons sem significado. Eu, que adoro idiomas, apreciei muito esse detalhe. Agora nós geeks/nerds temos mais uma língua para aprender, depois de Sindarin e Quenya Alto Élfico (ambas de O Senhor dos Anéis), e Klingon (de Star Trek).
Esse hiato sem dirigir filme algum não fez Cameron perder a forma… ele conduz o espetáculo de forma bastante segura, dando sustentação a cada personagem. Mostra agilidade em grandes sequências de ação, além de explorar de forma vertiginosa o mundo que criou. O 3D aqui é mostrado como forma do contexto e não de forma gratuita, apenas para impressionar os espectadores.
A Fotografia é primorosa, onírica. Presenteando o espectador com deslumbrantes duas horas e meia que já valeriam o ingresso. Ela ficou a cargo de Mauro Fiore e do próprio James Cameron.
A Trilha Sonora me força a fazer um comentário que parece contraditório. Ela é belíssima, mas deixa a desejar. James Horner (que trabalhou com Cameron em “Titanic”) não nos entrega nada de inovador, mas a trilha funciona a contento e tem músicas lindas que casam bem com as cenas de amor entre Jake e Neytiri e também com as de ação (principalmente nas de corais cantados em Na’vi, como na cena em que Jake faz seu primeiro voo com seu Ikran e logo na cena seguinte, quando ele voa junto com os demais Ikran Makto). Só que não temos nenhuma música memorável… cinco minutos depois de ver o filme, você não se lembrará de nenhuma delas. Senti falta de John Williams…
Na Edição temos o comando de Stephen Rivkin e John Refoua, e também do faz-tudo James Cameron. Ela é elogiável, dando um bom ritmo à produção.
Cameron foi o responsável por alguns dos maiores filmes de sci-fi da história, como “O Exterminador do Futuro” e “Aliens – O Resgate”, mas infelizmente (ao menos para mim…) acabou conhecido como “o diretor de Titanic”, como se pode ler nos cartazes desta sua nova produção. Bem, a partir de agora, James Cameron passa a ser chamado de “o diretor de Avatar”!
Sim, o roteiro tem seus problemas narrativos, mas as grandes expectativas geradas no aguardo de sua nova megaprodução foram mais do que preenchidas, e a espera valeu cada segundo. “Avatar” é uma obra-prima. Pandora parece ser mais real na tela do que nosso próprio mundo ao sairmos da sala de projeção, e os Na’vi são interessantíssimos. A forma como eles se conectam fisicamente aos animais de seu mundo é muito criativa, sendo a característica que mais gostei, além de seu respeito pela Mãe-Natureza, por Eywa (divindade-mãe dos Na’vi). Eles se mostram muito mais humanos do que nós.
O diretor-roteirista queria uma revolução na história do cinema… e conseguiu.
Não é um filme recomendado, é um filme obrigatório.
Maue Tse Kan… I See You… Eu Vejo Você!
Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:
Avatar 2D – 12h15, 15h30, 18h45, 22h00 (dublado)
Avatar 3D – 12h30, 15h45 (dublado)
Avatar 3D – 19h00, 22h15 (legendado)
Horários válidos até 31/12
DALTO FIDENCIO
nils satis nisi optimum







Elizabeth em 06/03/2010 às 14:23 disse: Demorei a assistir, mas a expectativa rendeu muita emoção…Um filme inesquecível, realmente revolucionário. Dentro das minhas expectativas acredito que parte, seja um retrato claro do nosso destino como des-umanos. Grande Cameron que reuniu imagens quase esquecidas, das nossas antiguidades, perpetuadas dentro da nossa rede de neurônios e afloradas em Insight(s) azulados.
Imagens arrancadas de um fundo surreal dos grandes Dalis e daquis, impressionando de forma brilhante.
Fiquei muito emocionada ao ver reunidos os arquétipos azulados que compõem meu universo pessoal, micro e macrocósmico…aquelas figuras que me fizeram lembrar o Mahabharata com suas guerras oníricas.
Parabéns Dalto por sua sensibilidade diante dessa arte tão maravilhosa que é a câmera em ação…Agradeço o estímulo e o incentivo a todos que buscam entender essa arte.
Reli sua crítica e tudo tão no lugar que até me sinto meio sem jeito de comentar, mas dessa vez, não teve jeito…
Valeu por tudo!!!
Belíssimo comentário Beth! E obrigado pelos elogios…
Jessica em 2/1/2010 às 10:40:18 disse: adorei! Tanto o filme quanto a sua crítica. Maue tsu kan!
Dalto em em 2/1/2010 às 12:50:11 disse: Jessica: obrigado pelo elogio, querida! A Jess viu Avatar comigo, numa das inúmeras vezes que assisti a obra-prima, rs! Maue tsu kan, minha linda!
Douglas Fidencio em 2/1/2010 às 15:05:38 disse: GRANDE DALTO… AINDA NÃO ASSITI AO FILME, MAS DEPOIS DESTA DIVULGAÇÃO… QUEM PERDER É LOUCO… E COMO O NOSSO AMIGO louco TOBAL(louco pelo time da marginal sem número) GRANDE DESPERDÍCIO DA IMPRENSA DEIXA-LO DANDO SOPA POR AÍ… PARABÉNS DALTO… BELÍSSIMO TEXTO.
Dalto em 4/1/2010 às 21:13:19 disse: Fala Doug! Que grata surpresa receber a visita de um membro do Clã Fidencio por aqui, rs! Obrigado pelos elogios, rapaz!
João Carlos Faria em 6/1/2010 às 23:21:09 disse: Estou perdendo algo como Matrix, Clube da Luta deveis enquando surgem grandes filmes valeu pela dica.
p.s Do you have a facebook page?