
BASTARDOS INGLÓRIOS (Inglourious Basterds)
De Quentin Tarantino, 135 min
Inglourious Basterds
Guerra
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Elenco: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth, Michael Fassbender, Diane Kruger, Daniel Brühl, Til Schweiger, Gedeon Burkhard, Jacky Ido, B.J. Novak, Omar Doom, August Diehl, Denis Menochet
Vou começar minha crítica pelo final do filme: um dos personagens principais finaliza a trama dizendo: “Provavelmente acabei de fazer minha maior obra-prima”… sem dúvida é o proprio diretor falando através da boca de seu personagem… bem, não sei se concordo com Tarantino, mas que realmente ele presenteou a nós, cinéfilos, com mais uma pérola da Sétima Arte, isso não se discute.
Bastardos Inglórios é Tarantino até os ossos, todas as suas principais características estão presentes, como os diálogos geniais e o sangue rolando explicitamente (mas melhor utilizado que em produções anteriores… ele continua lá, mas aparece apenas em momentos capitais, o que torna as cenas ainda mais marcantes).
O título é “emprestado” do nome em inglês que um filme de guerra italiano do final da década de 70 ganhou, “Quel Maledetto Treno Blindato”, o que é apropriado, já que o clima de Western Spaguetti está presente, assim como no clássico Kill Bill Volume 2.
A trama se passa em 1941, na França ocupada pelas tropas alemãs, na Segunda Grande Guerra.
Seguindo a tradição tarantinesca, o filme é dividido em capítulos, e apenas o primeiro deles já vale o ingresso, pois é simplesmente brilhante. Uma humilde casa no campo recebe a visita do coronel da SS, Hans Landa (vivido de forma magistral por Christoph Waltz), que é conhecido pela alcunha de “Caçador de Judeus”. Segue-se então um longo diálogo entre o dono das terras, Pierre LaPadite (vivido por Denis Menochet) e o Coronel nazista, sempre parcimonioso… mas quanto mais polido é Landa, mais a tensão aumenta, pois LaPadite esconde uma família judia sob seu assoalho, e o final da cena é imprevisível.
Em seguida, a história se adianta em 4 anos, somos melhor apresentados à jovem Shosanna Dreyfus (numa bela interpretação de Mélanie Laurent), única sobrevivente do massacre ocorrido no início da película. Ela agora vive com uma nova identidade e é proprietária de um pequeno cinema, onde é notada pelo jovem soldado alemão, Fredrick Zoller (Daniel Brühl), herói de guerra, que se enamora por ela.
Mas onde estão os tais bastardos do título? Vamos a eles então: paralelamente à trama de Shosanna, vemos um pequeno grupo norte-americano de extermínio, formados por soldados judeus sedentos por escalpos nazistas, liderados pelo tenente Aldo Raine, uma brilhante homenagem de Tarantino, juntando dois ícones do cinema, Aldo Ray (1926-1991) e John Wayne (1907-1979).
Raine é interpretado por Brad Pitt, em ótima forma, com seu divertidíssimo sotaque sulista, que se torna totalmente hilário quando ele tenta falar italiano, com expressões que remetem a Don Corleone.
O filme aliás, é um prato cheio para os cinéfilos, pois contém uma infinidade de homenagens, de Chaplin a Kubrick, mas não vou “entregar” todas elas, deixando o prazer da descoberta a quem for assistir.
Voltando aos Bastardos, este é o nome pelo qual este grupo liderado pelo Tentente Raine ficou conhecido pelos nazistas, pela sua extrema violência no trato com o inimigo. Violência essa que incomodou muitas pessoas, que reclamaram da forma explícita com que é mostrada as cenas de escalpo ou a já clássica cena do taco de baseball. Mas este que vos escreve não compactua com as reclamações e deixa uma pergunta: se tens estômago fraco para a violência, o que fazes numa sala de cinema vendo um filme de Quentin Tarantino?
As duas tramas se cruzam pouco depois de conhecermos outra personagem importante, a atriz alemã Bridget Von Hammersmark (vivida de forma explêndida pela alemã Diane Kruger), que trabalhava como espiã para o governo britânico. Sabendo que toda a alta cúpula do governo Nacional Socialista estaria presente na inauguração do novo filme do cineasta germânico Joseph Goebbels (Sylvester Groth), os Bastardos planejam, com a ajuda da atriz, uma operação de infiltração na cerimônia, com o intuito de explodir o cinema, matando Hitler e seus principais líderes, acabando assim com a Guerra. Mas ao mesmo tempo, Shosanna, que teve seu cinema escolhido para o evento, planeja sua própria vingança pessoal…
O melhor deste já nascido clássico de Tarantino é mesmo o elenco… todos inspiradíssimos, mas é impossível não destacar a atuação fantástica do austríaco Christoph Waltz, merecidamente vencedor do prêmio de Melhor Ator em Cannes. Ele simplesmente rouba todas as cenas em que aparece, e é sem dúvida, o melhor vilão que apareceu no Cinema este ano. Se não for indicado ao Oscar, uma grande injustiça terá sido feita.
A trilha é ótima, contando até com o mestre Ennio Morricone! A Direção é magistral e a Fotografia segue a mesma qualidade.
Simplesmente imperdível! Mas lembre-se que é um filme de Quentin Tarantino…
Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:
Sala 2: 17h10, 20h20 (Legendado)
Horários válidos até 29/10
DALTO FIDENCIO
nils satis nisi optimum







Fred Aguiar em 27/10/2009 às 16:56:07 disse:
Legal a crítica, Dalto!
Não sei se é obra prima, pois não assisti todos ainda.
Vale lembrar que Tarantino quebra 2 de suas proprias regras.
1º – Roteiro Linear, é a primeira vez que vemos em uma obra 100% autoral (escrito e dirigido) ele quebrar esta regra que sempre seguiu a risca, criou sua regra do tempo pulando como um disco riscado, para agora pela primeira vez não adotar.
2º – Dialogos sem noção, nada de Quarteirão com queijo (Pulp Fiction) ou Like a Virgin (Cães de Aluguel), ou Chralie Brown do Kill Bill… todos os dialogos dos Bastardos tem sua transparencia no significado.
Brad Pitt é um ótimo ator e o filme foi vendido como um Clube da Luta Epico, ou Kill Bill com taco de Baseball…
Matança, Sangue e violencia na cara.
Mas não é este o filme real, isto permeia o filme mas está longe de sua essência, para mim o filme é sobre um Nazista (Serial Killer, Educado e Foda) e uma Menina que tem a chance de vingar sua familia.
Os Proprios “Bastardos Inglorios” do titulo e Brad Pitt são secundarios, entram quase como alivio comico.
Abraços do Profano
Fred Aguiar
Dalto em 28/10/2009 às 12:18:17 disse:
Obrigado pelo ótimo comentário, Fred! Suas colocações só fizeram enriquecer o meu texto, amigo.
BETH:
Fico feliz que tenhas gostado da crítica! Desconfiava que também eras fã de Tarantino… rs! Bom gosto, mocinha!
Krishina em 29/10/2009 às 17:35:38 disse:
Não concordo que os dialogos do Tarantino sejam assim… “sem noção”…
Como disse o amigo aqui nos comentarios…
O discurso sobre Superman em Kill Bill 2 é importante para a trama.
Gostei muito da critica, e realmente este filme é incrivel.
Sou superfan dos filmes de Tarantino desde “Cães de Aluguel”, e nem me incomodei com Brad Pitt neste filme.
Parabéns.
Dalto em em 2/11/2009 às 14:54:13 disse:
Vero meu amigo… na verdade nada que Tarantino faz é assim. Mesmo as conversas aparentemente “sem noção” tem seu lugar na trama.
Sei de quem herdaste a admiração pelos filmes de Quentin! Rs…
Obrigado pelo comentário e volte sempre!