
BESOURO
De João Daniel Tikhomiroff, 95 min
Besouro
Ação
Direção: João Daniel Tikhomiroff
Roteiro: Patrícia Andrade, João Daniel Tikhomiroff
Elenco: Aílton Carmo, Anderson Santos de Jesus, Jessica Barbosa, Flavio Rocha, Irandhir Santos, Macalé, Leno Sacramento, Chris Vianna, Sérgio Laurentino, Adriana Alves, Miguel Lunardi.
Louvável a iniciativa de Tikhomiroff de investir num filme totalmente diferente dos que estamos acostumados a ver nas produções nacionais… sim, nós também sabemos fazer filmes de ação!
Vindo de uma premiadíssima carreira na Publicidade e estreando na direção, Tikhomiroff nos entregou um filme com estética impecável, um grande prazer visual, sem dúvida. Pena que o roteiro ficou muito aquém, o que privou a película de se tornar o ícone que poderia ter sido.
Bem, depois voltamos aos detalhes técnicos, vamos primeiramente à trama: Besouro nos
mostra a história de Manuel Henrique Pereira, conhecido como “Besouro”, lendário capoeirista que nos anos 20 do século passado ganhou fama com seus feitos no Recôncavo Baiano, onde lutou contra a opressão aos negros, que beirava a escravidão.
Como o mais talentoso discípulo, Besouro era o encarregado de proteger a vida de Mestre Alípio (vivido por Macalé), que, por ser o líder da população negra da região, não era visto com bons olhos pelo coronel Venâncio, o “poderoso chefão” local (personagem de Flávio Rocha). Vaidoso, Besouro se descuida de seus afazeres para exibir suas habilidades com a capoeira, e esse erro acaba sendo fatal para seu mentor, que é assassinado. Ele acaba sendo indiretamente responsabilizado pelo crime, e torna-se um párea entre os seus, além de continuamente caçado pelos homens do coronel.
A trama mergulha então em sua faceta sobrenatural, onde Besouro trava contato com o universo dos deuses afrobrasileiros, os Orixás, fato este que explica a capacidade do protagonista de vencer a lei da gravidade em vários momentos do filme. Ele então começa sua jornada contra a opressão sofrida por seus pares, que o tornaria lendário.
Besouro é vivido por Aílton Carmo, debutando na carreira de ator. Carmo, um professor de capoeira que dava aulas na Bélgica, resolveu fazer o teste com a intenção de conseguir uma ponta ou mesmo um papel pequeno, mas o destino lhe sorriu e o jovem de 22 anos acabou com o papel principal. Que é um lutador exímio não se discute, mas falta-lhe um pouco de carisma.
Outros personagens de destaque são Dinorá (interpretada por Jéssica Barbosa, que também é a Orixá Iansã, na trama) e Quero-Quero (Anderson Santos de Jesus).
Ambicioso, com orçamenteo de 10 milhões de reais, e rodado em Iguatu, na Bahia, a produção ousou a ponto de contratar para coordenar as cenas de luta, ninguém menos que o chinês Huen Chu Ku, coreógrafo de “O Tigre e o Dragão” e “Kill Bill”, além do diretor de fotografia equatoriano Enrique Chediak (de “Extermíno 2″). E eles cumpriram sua missão com louvor! Cenas de luta muito bem dirigidas e com belos ângulos de câmera, e uma Fotografia simplesmente sublime, são o que de melhor há em “Besouro”, mas há que se louvar também a Edição de Som, de Rica Amabis, e a linda Trilha Sonora, capitaneada pela Nação Zumbi.
Mas infelizmente, todos esse méritos são prejudicados por um roteiro fraco e sem profundidade, escrito por Patrícia Andrade e pelo próprio João Daniel Tikhomiroff, depois de uma livre adaptação do livro “Feijoada no Paraíso”, de Marco Carvalho. O desenvolvimento do protagonista no caminho para se tornar o lendário herói do Recôncavo Baiano não convence, mas o maior pecado da trama é mesmo o triângulo amoroso entre Quero-Quero, Dinorá e Besouro. Claramente colocado ali “à força”,
sem paixão… é mais fácil acreditar na suposta invulnerabilidade de Besouro do que nesse amor surgido como que de um apertar de um interruptor.
As narrações em off também são desnecessárias, na maior parte sendo explicativas demais, parecendo ignorar que a linguagem cinematográfica é mais importante que a linguagem narrativa.
Sim, ao se preocupar muito mais com a estética do que com a profundidade, “Besouro” tem seus defeitos, mas as virtudes são maiores, é e com grande prazer que recomendo esta bela produção brasileira, que ousou buscar novos caminhos para o cinema nacional.
Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:
Sala 5: 13h50, 17h50
Horários válidos até 19/11
DALTO FIDENCIO
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João Carlos Faria em 21/11/2009 às 20:50:50 disse: Ótima critica quem sabe vejo o filme em DVD boa iniciativa arriscar um filme de ação. Quem sabe um aprendo a escrever roteiros.
Dalto em 30/11/2009 às 13:05:29 disse: Obrigado pelo comentário, Joca! Mas filmes assim, tão ricos visualmente, merecem ser vistos na telona mesmo, amigo!