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CARROS 2 (Cars 2)

CARROS 2 (Cars 2)
 De John Lasseter e Brad Lewis, 106 min

Cars 2
Animação
Direção: John Lasseter e Brad Lewis
Roteiro: Ben Queen
Elenco: Elenco (vozes de): Owen Wilson, Larry “The Cable Guy”, Michael Caine, Emily Mortimer, Eddie Izzard, John Turturro, Brent Musburger, Joe Mantegna, Thomas Kretschmann, Peter Jacobson, Bonnie Hunt, Darrell Waltrip, Franco Nero, David Hobbs, Patrick Walker

A Pixar Animation Studios é conhecida pelo incrível nível de excelência que suas animações atingiram, sendo hoje quase sinônimos de obras-primas. Então aprendemos a ir ver suas produções esperando nada menos que outra virtuose da 7ª Arte, mas com “Carros 2″ vemos que nem a Pixar pode acertar sempre…

O original, “Carros”, de 2006 já é considerado por muitos como o mais fraco filme do estúdio, rivalizando com “Vida de Inseto”, de 1998 (particularmente, fico com este último para o posto de filme mais fraco). “Carros” até que foi divertido, mas em nenhum momento se aproximou de obras-primas como “Toy Story”, “Procurando Nemo”, “Wall-E” ou “UP”. Talvez o maior problema da animação original foi não ser tão original assim… já que seu roteiro lembra demais o do filme “Dr. Hollywood – Uma Receita de Amor” (1991), dirigido por Michael Caton-Jones e estrelado por Michael J. Fox.

Problemas de roteiro à parte, “Carros” rendeu montanhas de dinheiro para a Pixar/Disney em licenciamento de produtos, então a parte comercial falou mais alto e cá estamos com a sequência, “Carros 2″.
Lasseter resolveu mudar totalmente o foco da aventura, curiosamente transformando Relâmpago McQueen em um coadjuvante, já que o verdadeiro protagonista aqui é o bom e velho guincho Mate, às voltas com uma improvável trama internacional de espionagem. Isso mesmo, as corridas aqui são apenas pano de fundo para uma aventura nos moldes de 007. É um roteiro bastante infantil, previsível, e que principia por tentar passar uma positiva mensagem de combustível alternativo, verde, para no final inexplicavelmente chutar o balde
desta mesma mensagem.

A trama: McQueen, depois de vencer a Copa Pistão pela 4ª vez seguida, está passando férias em Radiator Springs com seus amigos, quando é desafiado a participar de uma competição mundial patrocinada por um novo combustível não poluente, que poderia substituir a perniciosa gasolina nos motores à combustão. O criador da corrida é o magnata “verde” Sir Miles Axlerod, já quem fez o desafio é o carro italiano Francesco Bernoulli, talentoso e prepotente, ele é um Fórmula 1 claramente inspirado na Scuderia Ferrari. Ele será o novo rival de McQueen nas pistas.

Só que vilões pró-gasolina não gostam da ídéia do novo combustível, e começam a sabotar a competição, o que chama a atenção do espião inglês Finn McMissile, um Aston Martin DB5 no melhor estilo James Bond, cheio de armas e apetrechos especiais, que conta com a assistência da agente Holley. Durante as investigações, um mal entendido faz com que a dupla de espiões pense que Mate, o simpático e pueril reboque enferrujado – melhor amigo de McQueen – seja um agente americano disfarçado, e ele passa a ajudar a dupla na empreitada de descobrir a identidade e deter o líder dos vilões “tranqueiras”, como são chamados. Aqui abusando da utilização dos pobres carros da europa oriental.

Facilmente se nota que a rasa trama, cheia de clichês, funciona apenas para as crianças, diferentemente das produções anteriores, que encantavam tanto adultos quanto aos infantes. Só lembramos que é um Pixar devido à qualidade técnica absurda da animação. Aí simplesmente não existe defeito que possa ser apontado. Os países onde ocorrem as corridas são retratados de forma magnífica! O Japão com sua profusão de cores e luzes, a França com suas paisagens poéticas, a Inglaterra com seus marcos tão conhecidos, a Itália com suas bucólicas vilas…tudo perfeito! Aqui a computação gráfica da Pixar se superou. Se o roteiro não ajuda, ao menos
o visual é simplesmente primoroso!

Para os apaixonados por carros, é bastante divertido ficar “catalogando” os modelos que fazem ponta na animação… são inúmeros, facilmente identificados!
Digna de elogios é a homenagem ao inesquecível Paul Newman. No primeiro filme ele havia feito a voz de Doc Hudson, mas como o ator veio a falecer em 2008, o velho carro de corrida não aparece nesta sequência, sendo apenas citado com respeito, por já haver partido.

A dublagem nacional é competente, com destaque para a participação de José Trajano e Luciano do Valle como locutores das corridas… muito legal! E para a sorte geral da nação, a personagem
Carla Veloso, que foi dublada por Cláudia Leitte, praticamente entra muda e sai calada… “Carros 2″ não é uma animação ruim, mas infelizmente decepciona quem for assistí-lo esperando outra obra-prima da Pixar. O estúdio de Lasseter só foi derrotado uma vez pela DreamWorks no Oscar, foi em 2002, quando “Shrek” bateu “Monstros S.A.”… bem, com o marcante “Kung Fu Panda 2″ na disputa, o feito pode acontecer novamente.
Mas rios de dinheiro arrecadados com os novos brinquedos da turma do McQueen estão garantidos… Ka-tchá!

 DALTO FIDENCIO
 nils satis nisi optimum

 twitter.com/@DaltoFidencio

“”Sono poeta delle tenebre e della malinconia; ma non piango lacrime, piango poesia!”"
DALTO FIDENCIO – E Pluribus Unum

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