Salvo raras exceções, quero registrar aqui a minha crítica aos que se dizem escritores nessa cidade difícil de se fazer e produzir arte. (poiésis) …
Enquanto estivermos “escarrando” poesia como dizem por aí, (sem contexto) as coisas vão ficar sempre nessa mesmice embasbacada.
O fato é que, quando eu e o Thiago nos reunimos, articulamos e conseguimos trazer para o bate papo literário o poeta Dailor Varela (Monteiro Lobato) e o escritor Eduardo Rascov (São Paulo), estávamos regados e motivados pela nossa utopia e imaginávamos contar com uma platéia seleta de escritores joseenses, representando assim o melhor da nossa literatura. Também seria uma forma de homenagear o nosso querido poeta Dailor, por tudo que ele representou como um dos criadores do MOVIMENTO (poucas pessoas sabem o que essa palavra representa) poema processo e, claro, continua representando na nossa literatura. Não foi o que aconteceu! Simplesmente não havia NENHUM, representante da literatura local. Para mim, esse descaso reforça a idéia de que as pessoas só aparecem quando:
- São citadas no folhetim (banner)
- São destaques da programação
- A foto aparece em 1° plano
- O sarau é direcionado aos “engomadinhos”
- Se busca apenas um encontro “festivo”, sem maiores proporções literárias de embate com a nossa realidade sempre tão desigual.
- Se busca apenas satisfação do próprio ego
Mario Quintana dizia:
“Eu nada entendo da questão social
Eu faço parte dela simplesmente.”
Não estou falando em nome do coletivo ESTIVAL, mas como escritor e representante dessa nova geração de escritores. Como disse o Dailor durante o bate papo: (e, diga-se de passagem, dentro das nossas limitações como produção independente foi muito interessante e com um objetivo muito claro de aprofundamento em questões realmente relevantes) “O trabalho do selmer não foi entendido aqui nessa cidade”. Eu vou mais além, são jose é uma cidade que está acostumada a mesmice. Tanto é que o show do João Bosco (não que eu tenha algo contra) lotou. As pessoas não querem novidades. Os saraus estão ficando cada vez mais conservadores. Isso reflete na característica e na mentalidade das pessoas dessa cidade. Não há espaço para manifestação marginal, literariamente falando.
Por isso, em certo ponto eu concordo e acho muito relevantes as observações que o Joca faria tem feito.
Numa cidade de embate cultural e política que não tem nenhum tipo de comprometimento com a cultura, precisamos ficar atentos pra não cometermos os mesmos erros de tempos idos, quando muitos grupos artísticos se achavam o “mÁXIMO”, estavam preocupados apenas com o próprio umbigo e, por conta disso não dialogavam com segmentos artísticos de outras áreas. Gerando assim, uma dispersão e abertura para os oportunistas que nada entendiam ou produziam arte. As assinaturas do fundo municipal de cultura que está rolando por aí, na minha opinião é resultado dessa dispersão e interesses pessoais.
Fica aqui o meu lamento e a minha crítica direcionada àqueles que se dizem ou que se fazem de BONS DECLAMADORES, mas que no papel e nas ações pouco tem a dizer.
Meus mais profundos agradecimentos ao GRANDE poeta Dailor, por abrilhantar o nosso bate papo e pelas palavras de sabedoria e sensibilidade de quem sabe o verdadeiro significado de ser poeta. Também ao escritor Eduardo Rascov, que falou sobre o seu livro “o filosofo Voador” baseado num personagem real, e por colocar em debate questões de extrema relevância sobre pessoas que vivem a margem da sociedade nas grandes metrópoles. E todos aqueles que estiveram no bate papo no domingo.
Sem mais, selmer
Gostei de ver a Carta do Selmer.
Acho que começa a nascer uma maturidade da chamada classe artistica da cidade. Ontem no Bola de Meia vi a discussão se aprofundar. Gerou-se debates sobre empreendedorismo, Visão politica e muitas outras coisas.
Com a chegada do fim do ano não sei se as pessoas conseguirão se programar para estarem lá, mas nasce novas sementes para 2011.
Estamos ai. Refletindo. Botando a cara para bater.Vivos. O ESTIVAL acontecendo. Quem sabe até Cinema, a produção aconteça nos anos vindouros.
Sei que há diferenças mas se refletirmos um pouco mais há mais semelhanças.
Vamos em frente.
JOKA
joão carlos faria
Fernando,
Não vou ficar justificando minha ausência, pois também a condeno..
Mas entendo perfeitamente como se sente.
O último evento que promovi em São José dos Campos foi com o filósofo e premiado escritor Guilherme Salla, de Indaiatuba, cidade próxima a Campinas.
Na foto anexada, que ele, polidamente, mesmo diante de tamanho constrangimento, publicou no seu blog MIOPIA http://guisalla.wordpress.com/, pode-se mensurar o imbróglio.
Ano passado, assisti a tudo que pude do Estival. Na praça, durante meu horário de almoço; na Literacia, debaixo de chuva; até contribuí financeiramente, dentro das possibilidades do BIP Cultural.
Este ano, após criticar mais uma das panelas culturais, fui chamada para ajudar na montagem no espaço da ASSAOC. Novamente me desloquei, não almocei e dei com a cara na porta.
Hoje entendo que não fui eu quem saiu perdendo.
Não vou desistir ainda, pois tenho essa estranha mania de acreditar que algumas pessoas também queiram ouvir, aprender, compartilhar, se desenvolver, assim como eu quero.
Só deixei de procurar justamente onde pensei que seria mais relevante.
Espero que você não desista.
Beijos
Be
Selmer assino em baixo!!!
vc fez uma uma leitura infelizmente perfeita p a situação!
a cidade tem uma doença chamada “caretice crônica” artista aqui é gente q só reproduz e não cria nada!!!recebem e lotam tudo q já e pouco se interessam por aquilo q será! comodismo gerado pela anestesia cultural q aqui se encontra…
como já dizia Fred zero quatro da banda Mundo livre S/A “se vc não consegue mudar a cidade mude de cidade”
conte comigo meu amigo! solidário a causa!
abração
tuia
ps.infelizmente estava viajando p tocar quando rolou esse “evento” mas me avise sempre!!
Amigo Selmer, Salve
Concordo em tudo o qu você disse, estava presente e quero registrar aqui o parabéns tanto a você quanto ao Tiago que se empenharam com essa segunda programação do Estival. Não porque sou filha do poeta Dailor Varela. Acredito que os escritores desta cidade que tanto amo não tem nenhum interesse em aprender, pesquisar e aí acontece o que houve no estival, ninguém aparece. Num domingo á tarde onde estão os escritores desta cidade? Assistindo TV? Depois reclamam que não há nenhuma manifestação artística na cidade, pois é. Coloco aqui a minha indignação com tais escritores. E agradeço o imenso carinho e atenção dada a meu pai Dailor. Fiquei surpresa com o labirinto, as intervenções artísticas, digno de uma Bienal. A presença do escritor Eduardo Rascov, seu livro “O Filosófo Voador”, um livro que tem me surpreendido, envolvente a leitura. Indico aqui a quem não o conhece, que leia. Sinceros agradecimentos.
Abraços, Máh Luporini
Salve, Irmão,
Concordo com tudo, menos com o que disse do Fundo de Cultura. Nisso acho que você está completamente equivocado. O movimento, pelo que tenho entendido, é muito sério e importante para a cultura de São José. Lembrando que a idéia de um Fundo Municipal é tão antiga quanto à própria FCCR.
Meu caro Selmer, se você quis dizer que a iniciativa de uma parte das pessoas que estão nessa empreitada passa por interesses mesquinho de realização pessoal e por caprichos de artistas pouco interessados no coletivo e nas necessidades coletivas, concordo com você. Mas quero lhe lembrar que o momento é de unir forças. Em caso contrário, nada do que você muito bem descreveu, quanto aos sarais bem comportados e etc, poderá mudar.
Vamos juntos, você sabe a consideração que tenho por você.
Abraço irmanado, caro meu amigo.
“A ZONA AUTÔNOMA TEMPORÁRIA (TAZ) é uma espécie de rebelião que não confronta o Estado diretamente, uma operação de guerrilha que libera uma área (de terra, de tempo, de imaginação) e se dissolve para se refazer em outro lugar e outro momento, antes que o Estado possa esmagá-la. Uma vez que o Estado se preocupa primordialmente com a SIMULAÇÃO, e não com a substância, TAZ pode, em relativa paz e por um bom tempo, “ocupar” clandestinamente essas áreas e realizar seus propósitos festivos” Hakim Bay
Infelizmente, muitos artistas também estão preocupados primordialmente com a SIMULAÇÂO, isso é o mais grave.
Marcos W.
Prezado Selmer,
que eu tanto respeito,
recebi seu lamento…
Eu não lamento.
Eu tenho orgulho de conhecer muitas pessoas que aqui nessa cidade batalham pela cultura, não esporadicamente, mas diariamente. Que fazem seu “trabalho de formiguinha”, dignamente e sem se preocupar com holofotes. Que não querem ser melhores que ninguém, entende?
A gente quer união. Eu vejo união, sabia?
Vejo a beleza de uma Jacqueline que nada precisa provar pra ninguém e que de repente topa arregaçar as mangas e conversar, e pensar cultura, até de madrugada, até “sem público”…
Apoiar é apoiar mesmo à distância, se for o caso.
Amo Reginaldo e Zenilda e muitas vezes não tenho podido prestigiá-los, mas nossa união se faz presente sempre.
Eu os levo onde vou. Falo deles, sinto sua presença em mim.
Não há cobrança… há afeto e compromisso sincero.
Amanhã estarei fazendo um som em Jacareí e o Cesar Pope estará fazendo um som em São José dos Campos; eu não poderei vê-lo, nem ele me ver, mas a gente sabe que tá junto nessa lida…
Sobre expressão marginal, minha impressão é que São José tem espaço sim… e tem público pra isso “em potencial”. Quem esteve no encerramento do Festivale e não conseguiu entrar pra ver a “peça de encerramento” sabe disso.
Acho que não devemos julgar pessoas nem medir eventos pelo tamanho do público, afinal em SP e RJ os maiores públicos são pra ver gente como o cantor Daniel, que nem por isso é o maior representante da música brasileira.
A gente tem que parar de avaliar arte assim.
Não é por número de cópias vendidas, não é por quantidade de público.
Tem aquela história zen do maior espetáculo do dia: o sol nascendo no horizonte, bem numa hora que ninguém tava lá pra aplaudir… tudo bem. Amanhã tem mais. E depois… e depois…
Público pode vir ou não. E “não vir” não significa descaso. Não precisa significar descaso.
Outro dia houve uma roda num espaço cultural, havia não mais que 10 pessoas por lá, somando gente de todas as áreas. Ninguém lamentou, porque foi bom…
Sobre os saraus, minha humilde opinião é de que “os saraus”
não estão ficando mais conservadores… estão ficando é mais CONVERSADORES – o que é ótimo!
Tomara que a gente se veja sempre que der, e saiba que está junto também quando não der.
Abraço a todos dessa roda que se alarga e se alargará inda mais… saudações a todos!
Paulo Barja
Bom dia Caríssimos amigos (as),
Li as críticas de todos com muita atenção, sem levar pro lado pessoal e principalmente com muito respeito e admiração às colocações de cada um. Pra encerarmos o assunto, até por que é foco principal agora tem que ser o Fundo Municipal de Cultura, quero lhes dizer que eu sempre fui muito observador, sempre escutei com muita atenção as pessoas sábias e mais experientes que, certamente nesse meio artístico tem muito a me ensinar. Estou começando um trabalho poético na cidade. Muitos de vocês não sabem, mas já me ajudaram bastante com seus ensinamentos. Sei que tenho muito que aprender ainda com todos vocês. Esse ano foi um ano muito especial pra mim.Meu trabalho poético vem se aprimorado a cada dia porque eu sou um pesquisador, bom leitor e me dedico muito as coisas que acredito. Sou assim! Não gosto de fazer nada + ou – . Às vezes, cometemos desatinos e ficamos chateados com o não resultado daquilo que queremos e batalhamos bastante. Sucesso e fracasso pra mim sempre vão andar juntos. Havia sim um público no evento até que razoável. Meu posicionamento foi mais direcionado aos escritores mesmo. Compreendo que muitas vezes e por motivos diversos como foi colocado por varias pessoas, acaba sendo difícil comparecer nesse ou naquele evento. A abertura da minha exposição, por exemplo, no Photozofia e no Flávio Craveiro tinham poucas pessoas. To acostumado com isso. O lance é difícil mesmo.
De qualquer maneira, agradeço a todos pela amizade, pelas opiniões sempre tão relevantes. O processo democrático tem que ser assim mesmo. E isso tende a fortalecer ainda mais aquilo que buscamos e acreditamos. (Caríssima e querida amiga Zenilda perdoe-me por tê-la feito acordar tão cedo, não era a minha intenção. Saiba tenho um carinho muito especial por vcs – RBZ- ao meu jeito.)
Fiquem em paz!
Merda sempre pra gente nessa caminhada.
Atenciosamente,
Selmer.








José Antonio Braga Barros em 06/12/2010 às 11:05 disse: Selmer,
Acabo de ler sua carta menifesto e os comentários que se seguiram. Ontem no Jô Soares o Marcelo D2 folou de um show que fez e que tinha sete pessoas na platéia. Os sete eram os componentes da banda que ia tocar depois deles. Nessa minha caminhada também já fiz e participei de eventos com Dailor, que foi quem me apresentou para o público em São José dos Campos, através do Valeparaibano, no início dos anos 80, já participei com Helio Pinto Ferreira na Biblioteca Cassiano Ricardo com apenas cinco pessoas e muitos outros fatos com quase nada de público envolvido, partticipante, ativo. Neste ano fui convidado pelo Bola de Meia para Coordenar a Ciranda de Poesia. Meu único pedido para a Jacque foi o seguinte: Fazer uma Ciranda aberta, convidando todo mundo, abrindo espaços para “velhos” e novos” escritores, todos os encontros foram bem sucedidos ficando evidentes as diferenças de cada um, mas todos respeitados em suas individualidades. Lotamos a agenda.
Tanto que para 2011, já estamos completando a agenda convidando mais de um escritor por encontro para falar de seus trabalhos e abrir espaços para o público. Acredito que a Ciranda de Poesia tem assumido um papel de estimulador
para outros eventos. Nós mesmo temos procurado prestigiar, quando a agenda permite, outros eventos e promoções de escritores amigos ou não. Em sua exposição, fui pessoalmente apreciá-la em São Francisco Xavier e no Flavio, lá no D. Pedro. Sua carta manifesto é oportuna, precisamos fazer muito mais pela literatura e pela cultura de nopssa cidade. Conte comigo. Grande abraço,
Braga Barros