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Casaco Amarelo

 

Por Joka Faria

26/09/2009

Estou a ouvir Vapor Barato. É lindo, dá vontade de cair na estrada sair pelo mundo sem data para voltar. Um dia faço isto, quando? Só destino o sabe… Por enquanto vou ficando sem meu casaco de general… Vou caminhando pela cidade… Sem destino… E escrevendo nesta madrugada quente de inverno sem minha grande companheira de jornada.

Vou sendo julgado pelo que fiz e ainda não fiz. Faça-se a luz! Fiat Lux…

Diógenes está bem longe há tempos que não o vejo. Sócrates parou com a bola e adentrou a caverna. Não tenho mais mitos… Eu sou minha própria mentira… Wally Salomão está descansado numa casa de praia da Bahia, junto com Zé Omar de Carvalho. E eu peregrino por esta cidade com minha vontade e a não vontade, pois não sou. Ainda não me libertei de minha caverna, sou prisioneiro de muitos de mim. Um dia vou e não volto. Um dia liberto-me e encontro a luz. Faça se a Luz! Fiat Lux…

O que é um cartão bancário e uma conta… Uma casa e uma família é tudo. Tenho saudade de meu avô de meus tios de meu pai. Eles se foram. Quando for, quero revêl-os. Ainda não tive filhos já nem sei se os terei. Sou um tio, e nada além disto. Gal Costa canta nesta madrugada de dia dos pais. E durmo só, sem ela. Em que dimensão do espaço/tempo ela vive agora? Me sinto um pai. Nunca fui bom filho. Meu pai se foi há muito tempo, mas encontro meu pai dentro de mim. Todos os dias, todas as horas. Sou filho ainda filho sou meu pai.

Pego meu casaco amarelo vou a Mantiqueira num ônibus cheio de ilusão. Luz faça se a luz! Fiat Lux…

João Carlos Faria

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Filed in: Filosofia, Joka, Literatura

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