COMO TREINAR O SEU DRAGÃO (How to Train Your Dragon)
De Dean DeBlois e Chris Sanders, 98 min
Animação
Finalmente a DreamWorks prova que pode viver sem Shrek! Há tempos as continuações da milionária franquia do ogro já perdeu a qualidade do longa original, mas como ainda enchem as salas de exibição, seguem as continuações, cada vez mais fracas. Mas aqui temos uma grata surpresa, pois “Como Treinar o Seu Dragão” é tão bom, mas tão bom, que bem poderia ser assinado pela Pixar!
Direção precisa, Trilha Sonora de qualidade, personagens interessantes, visual espetacular, e ainda por cima uma bela mensagem de tolerância, formam esta nova pérola da animação.
Nota-se facilmente o esmero da produção, com texturas perfeitas e detalhes riquíssimos dos cenários, além de cenas de voo com tomadas deslumbrantes, utilizando o 3D da melhor forma possível. A Fotografia é impecável, e a Direção de Arte não fica atrás.
O roteiro – de Adam F. Goldberg e Peter Tolan – é inspirado na homônima série de livros infanto-juvenis da britânica Cressida Cowell. De cara ele nos apresenta ao protagonista, o viking adolescente Soluço.
Bem, de viking ele só tem a ascendência, pois ele é franzino, tímido, atrapalhado, e por isso é ridicularizado por todos na aldeia em que vive, na Ilha de Berk. Para pioras as coisas, a aldeia é constantemente atacada por dragões, das mais diversas raças, cada um com características diferentes, mas todos com o mesmo bjetivo: saquear e destruir. Bem, ao menos isso é o que os vikings pensam deles… principalmente o líder do vilarejo, o temido viking Estóico, o Imenso (Stoick, no original), que é ninguém menos que o genitor de Soluço.
Numa das investidas dos dragões, com o auxílio de uma engenhoca, Soluço consegue derrubar um deles, e não qualquer um, mas sim o mais temido de todos, um Fúria da Noite, que de tão furtivo e destruidor, jamais foi visto claramente por alguém. Claro que ninguém acredita na façanha de Soluço, então o garoto adentra sozinho a floresta, onde encontra o temido dragão, indefeso. Mas o jovem não encontra coragem (ou seria covardia?) para matá-lo, e acaba por soltar o Fúria da Noite, que poderia ter matado o garoto, mas apenas vai embora.
Eles se reencontram na dia seguinte, e aos poucos, nasce uma grande amizade entre o jovem e o dragão, que é batizado por ele de “Banguela”. Interessante é notar a personalidade do Fúria da Noite, claramente lembrando um gato, e também seu visual, que lembra bastante uma outra criatura da parceria anterior dos diretores DeBlois e Sanders, o Stitch, da animação “Lilo e Stitch”.
Soluço tem agora que arranjar um jeito de convencer a todos na Ilha de Berk que os vikings estão errados sobre sua idéia de que os dragãos são nefastos… mas sua jornada não será nada fácil.
Personagens coadjuvantes interessantes se fazem presentes também, como Bocão (Gobber), seu treinador na arte de matar dragões; Melequento (Snotlout), um garoto gorducho que sabe todos os pontos fortes e fracos dos dragões de cabeça (sim, ele seria um ótimo jogador de Advanced Dungeons & Dragons!) e também uma personagem que não aparece nos livros, Astrid, uma bela e esquentada viking adolescente, colocada na trama para ser o par romântico de nosso jovem herói.
Sim, a história não tem nada de original e já foi vista inúmeras vezes nos cinemas, do jovem pária que decide trilhar um caminho diferente e acaba se tornando um herói… mas devido a competentíssima forma como foi contada por DeBlois e Sanders, ela ganha ares portentosos.
Não temos apenas ação vertiginosa, imagens espetaculares, humor na medida certa e qualidade de animação impecável, mas também tons de drama que eu nunca havia visto em obras da DreamWorks.
Por isso a minha comparação com a Pixar, no início de meu texto. Não espere algo tão adulto como Wall-E, mas temos sim, algo a mais nesta nova animação do estúdio do trio Spielberg, Geffen e Katzenberg.
A Trilha Sonora é excelente, e ficou a cargo de John Powell. Ela conta com belas músicas tradicionais escocesas, que casam perfeitamente com o longa.
A imensurável beleza dos voos de Soluço em Banguela lembra muito os de Jake Sully em seu Ikran ou no Toruk, em “Avatar”.
A dublagem brasileira, se não perfeita, foi de boa qualidade, não deixando se perder muito em relação ao som original.
O final não deixa cair a alta qualidade da trama, pelo contrário, é empolgante e emocionante, fechando com chave de outro esta produção que fica tranquilamente lado a lado com o primeiro Shrek se formos citar o que de melhor já fez a DreamWorks no ramo da animação. Se “Como Treinar o Seu
Dragão” também vai virar uma franquia milionária eu não sei, mas potencial para isso, tem de sobra.
Altamente recomendado para adultos e crianças!
Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:
Sala 2: 13h30, 15h30 (Dublado)
Horários válidos até 29/04/10
www.cinesystem.com.br/page/index.asp
DALTO FIDENCIO
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