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CONAN, O BÁRBARO (Conan, The Barbarian)


CONAN, O BÁRBARO (Conan, The Barbarian)
 De Marcus Nispel, 90 min

 

Conan, The Barbarian
Ação / Fantasia
Direção: Marcus Nispel
Roteiro: Thomas Dean Donnelly, Sean Hood e Joshua Oppenheimer
Elenco: Jason Momoa, Rachel Nichols, Rose McGowan, Stephen Lang, Ron Perlman, Leo Howard, Bob Sapp


Criado em 1932 pelo escritor norte-americano Robert E. Howard e posteriormente imortalizado nas HQs da inesquecível “A Espada Selvagem de Conan”, o Cimério de Bronze estreou nas telas de cinema em 1982, na produção de John Milius, com um iniciante (e quase mudo) Arnold Schwarzenegger no papel principal. Apesar de não saber atuar, os músculos e o carisma do ex-fisiculturista austríaco fizeram que ele acabasse por virar uma espécie de encarnação do personagem nas telas, mais ou menos como aconteceu com Christopher Reeve com o “Superman”.

O filme foi um sucesso, o que rendeu uma sequência dois anos depois, “Conan, o Destruidor”, que infelizmente não foi bem nas bilheterias, o que acabou enviando as aventuras do personagem para o limbo da Sétima Arte.
Mas eis que, com a moda atual das releituras em Hollywood, uma nova produção acabou por ser realizada. Para o lugar que um dia foi de Schwarzenegger foi escolhido o havaiano Jason Momoa, que até fez um papel de certa forma parecido, na mais do que espetacular série da HBO, “Game of Thrones”. Apesar de não ter o físico de Arnold, o Conan de Momoa ao menos se aparenta mais com o das HQs no que tange a não ser tão monossilábico, já que nos livros/HQs, ele era um ladrão sagaz, além de um guerreiro inteligente e audacioso. Mas a comparação positiva acaba aqui… e nem é por Momoa não ter o mesmo carisma do ex-governador da California, mas devido ao roteiro sofrível e a direção pífia do filme.

A história até que começa semelhante ao filme original, com um jovem Conan vendo seu povo ser massacrado e crescendo com o desejo de vingança onipresente em sua alma. Quem realmente faz falta aqui é John Milius, talentoso cineasta/roteirista do filme original (colaborou no texto assinado por Oliver Stone). A comparação de seu trabalho com a Direção de Nispel e com o Roteiro escrito pelo trio Thomas Dean Donnelly, Sean Hood e Joshua Oppenheimer chega a causar vergonha. Esqueça a condução precisa e as sequências memóráveis da produção de 1982, e tente se contentar com uma história cheia de clichês e personagens sem profundidade alguma. O nível narrativo do filme simplesmente inexiste.

Para quem estava com um pé atrás sobre a atuação de Jason Momoa, o resto do elenco prova que merecia uma preocupação muito maior. O bom Ron Pearlman é muito mal utilizado, e entrega uma atuação sem brilho algum, como o pai de Conan (Corin). O roteiro simplesmente não mostra uma real ligação entre pai e filho. Sorte teve Mickey Rourke, que estava cotado para o papel mas teve que declinar, por conflitos de agenda. Uma curiosidade é que Ron Pearlman foi a voz do cimério no game “Conan”, de 2007.
O interesse romântico do cimério é Tamara, vivida pela atriz (?) Rachel Nichols. Sua atuação é fraquíssima, sua personagem tem a profundidade de um pires e o “amor” que surge do nada entre ela e Conan é tão crível como promessa de político. Momoa tem mais química com sua espada do que com ela…

Todo grande herói precisa de um vilão à altura, mas Stephen Lang, que vive Khalar Zhym se vê perdido num personagem clichê e sem graça, que não convence e não assusta. Não tem a força de seu Coronel Quaritch de “Avatar” (que por sua vez já foi criticado por mim…) e não chega aos pés do temível Thulsa Doom, o vilão do filme original..
Rose McGowan vive Marique, a filha feiticeira de Khalar Zhym.. Ela que já tem experiência como bruxa, na antiga série “Charmed”, aqui aparece com um visual até que interessante, mas exagerado. Tanto sua personagem quanto sua atuação não deixam saudades.

Para quem se importa apenas com a violência, bem, ao menos temos muito sangue na tela, garantido por Conan desde sua tenra idade (vivido por Leo Howard, que impressiona). E quando já adulto, Jason Mamoa faz bem o trabalho de banhar de sangue toda a Era Hiboriana com sua espada… selvagem.
Mas apenas violentas batalhas são insuficientes para salvar o filme.
Os Efeitos Visuais são bons, e não tenho o que criticar neste quesito. Já o 3D, como na grande maioria dos filmes, é totalmente desnecessário, e não faz diferença alguma. Fique com a versão em 2D.
A Trilha, de Tyler Bates faz o seu papel, mas fica pálida se comparada ao brilhante trabalho de Basil Poledouris, compositor da Trilha para o filme de 1982.

Infelizmente, este novo “Conan, o Bárbaro” fracassou em trazer com méritos para as telas o personagem icônico de Robert E. Howard. É muito melhor do que a bomba “Solomon Kane – O Caçador de Demônios”, que é outra criação de Howard que chegou aos cinemas recentemente, mas isso não quer dizer muita coisa, pois o filme citado é muito, mas muito ruim. Em breve teremos uma terceira cria de Howard nas telas, também pelos estúdios Nu Image, “Red Sonja”, que é uma espécie de “Conan de saias”. Ela é uma personagem de relativo sucesso nas HQs, criada por Roy Thmas, com base em contos de Howard. Por Crom, que desta vez tenhamos um Roteiro decente!
Enquanto isso, vale mais a pena é rever os filmes clássicos de 1982 e 84…

Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:

SALA 4 – Dublado               17:00
SALA 4 – Legendado     14:30, 22:00

Horários Válidos até 06/10/11

DALTO FIDENCIO
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