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CONTATOS DE 4º GRAU (The Fourth Kind)

CONTATOS DE 4º GRAU (The Fourth Kind)
 De Olatunde Osunsanmi, 98 min

The Fourth Kind
Suspense / Terror
Direção: Olatunde Osunsanmi
Roteiro: Olatunde Osunsanmi e Terry Robbins
Elenco: Milla Jovovich, Will Patton, Elias Koteas, Hakeem Kae-Kazim, Corey Johnson, Enzo Cilenti, Eric Loren, Daphne Alexander, Raphaël Coleman, Mia McKenna-Bruce

 

Pode-se mentir descaradamente para os espectadores, se isso trouxer um pouco mais de dólares  na bilheteria? Bem, ao que parece, ao menos para os criadores de “Contatos de 4º Grau”, a resposta é “Yes, why not?”. Se já não bastasse a irritante e quase onipresente redundância “baseado em fatos reais” no cartaz do filme (Professor Pasquale, perdoai-vos, eles não sabem o que escrevem), “Contatos de 4º Grau” tem a coragem de tentar enganar “na cara dura” quem o assiste, se fazendo passar por filme baseado em história verídica. Mas aí tu vais me dizer: “mas qual a novidade? Isso também ocorreu com A Bruxa de Blair, Atividade Paranormal, etc.”. Correto, mas a diferença é que esses outros filmes apenas tentavam dar a impressão de serem verídicos, ninguém aparece na tela, em off, alegando que foi tudo real. Eles deixam tudo em aberto para plantar a dúvida no espectador, e apenas isso. Mas este “The Fourth Kind” passou dos limites, na minha opinião. Logo na primeira
cena, a atriz Milla Jovovich apresenta-se como ela própria e nos explica que veremos cenas perturbadoras,  pois as filmagens foram baseadas em imagens de arquivo da psiquiatra Dra. Abigail Tyler – a quem ela irá interpretar – feitas numa pequena cidade do Alaska chamada Nome, sobre abduções alienígenas.

 Então o filme começa, propriamente dito. Vemos a junção de cenas “reais”, supostamente filmadas em 2000 pela verdadeira doutora, e cenas com Jovovich, interpretando Tyler, feitas para o fime. Várias vezes inclusive, vemos a tela dividida em duas, de um lado mostrando as filmagens “verdadeiras” e do outro a reconstrução das mesmas, interpretadas por Milla Jovovich. Idem para os pacientes “reias” da doutora e para os atores interpretando os pacientes.
O problema é que não existe absolutamente nada de real neste filme, e as cenas “reais”, retiradas do arquivo da “verdadeira Dra Abigail Tyler” são tão verdadeiras quanto as promessas de políticos em campanha.
A mentira até que tenta ser bem montada, usando-se do estratagema da gritante diferença física entra a belíssima Milla Jovovich e da atriz que supostamente seria a verdadeira doutora (não creditada, por motivós óbvios), já que é comum em Hollywood, em produções baseadas em fatos, utilizar profissionais com aparência de modelos para interpretar pessoas que na vida real não são tão bem dotadas assim na beleza física.
A direção é do nigeriano Olatunde Osunsanmi, que também assina o roteiro, este em parceria com Terry Robbins.

 O filme levantou protestos da população da cidade de Nome, que acharam a história um desrespeito aos parentes das pessoas que realmente desapareceram na região. Sim, existe uma pequena parte da história que é quase baseada em fatos, pois na cidadezinha do Alaska realmente foram registradas dezenas de desaparecimentos nas últimas 4 décadas, mas sem qualquer explicação conclusiva do FBI, que as atribui a casos ligados principalmente ao alcoolismo.  Nunca existiu nenhuma Dra. Abigail Tyler com consultório no Alaska, e os sites que “provavam” a existência da mesma  como o Alaska Psychiatry Journal e o Alaska News Archive (ambos “coincidentemente” já fora do ar) foram criados perto do final do ano passado, enquanto a história se passa em 2000.

 Mas qual a história propriamente dita? Bem, a Dra. Tyler, atormentada pela morte do marido em circunstâncias estranhas, dedica-se a continuar o trabalho dele, que durante anos estudou o caso dos desaparecimentos. Por meio de sessões de hipnose com seus pacientes, ela se depara com algo inusitado: todos os pacientes relatam perturbadoras visitas de uma coruja branca, que, se olhada mais de perto, revela  na verdade ser algo muito mais perturbador… os pacientes entram em choque, e um deles chega, horas depois de uma sessão, a assassinar toda a família, para em seguida se suicidar. Em pouco tempo a própria doutora passa a ter as mesmas reações de seus pacientes, levanto a trama para um caminho angustiante.
Estamos acostumados a ver Milla Jovovich apenas em filmes de ação, como na cinessérie “Resident Evil”, mas ela prova aqui que também convence em papéis dramáticos. Boa atuação.
A Fotografia é de Lorenzo Seantore, e ela é bastante satisfatória para criar o tom de suspense que o filme exige.
Se fosse apenas um filme assumidamente fictício, “Contatos de 4º Grau” teria uma avaliação melhor, pois não chega a ser tão ruim assim, mas ao tentar fazer de bobo quem paga o ingresso do cinema, torna-se um filme a ser esquecido. Quer assistir a algum contato imediato? Então fique com o grande clássico de Spielberg, “Contatos Imediatos de 3º Grau…

Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:

Sala 2: 21h30 (Legendado)

Horários válidos até 18/02

 DALTO FIDENCIO
 nils satis nisi optimum

http://twitter.com/DaltoFidencio

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