Por Milton T. Mendonça
26/03/2010
palavraetinta@yahoo.com.br
Eu não gosto de religião. Vou iniciar com essa afirmação para os leitores não pensarem que estou tentando seduzi-los com a minha reflexão. A verdade é que meu conceito sobre espiritualidade está sendo posta a prova e, acreditem, estou bastante surpreso com o resultado.
Sou um guerreiro. Sempre acreditei na força do meu braço. Sou daquelas pessoas que não desistem nunca. Quando tenho um propósito definido, queimo meus navios para não poder fugir, e luto até vencer… Ou morro tentando.
Descobri que estou jogando energia fora. Descobri que por mais força que ponha nesse propósito, por mais planejamento que faça para vencer os obstáculos, minhas chances são mínimas. Sempre vai haver algo que me fugirá a atenção e precisarei de sorte para não ver meu projeto tropeçar exatamente ali e tudo se acabar numa enorme frustração, porque tem coisa que esta além de nossa capacidade por mais que a gente seja inteligente ou organizado.
Não estou dizendo que não devemos ser organizados, ou que o planejamento é supérfluo quando temos algo por fazer. Não. O que estou dizendo é que não são suficientes. Precisamos ter um aliado no mundo sobrenatural para tomar conta daquele obstáculo que não é visível para nós. E sem o qual nunca vamos conseguir alcançar um êxito verdadeiro. Duradouro.
Estou falando sobre fé. Sobre fé em Deus. Estou falando sobre exercitar a nossa fé em Deus. Porque não basta acreditar, temos que mostrar essa fé por meio de atitudes.
Descobri que quando pratico minha fé, as coisas acontecem. Não preciso colocar toda minha força no trabalho para ver o resultado. Basta executar com responsabilidade, com presteza e pedir ajuda ao todo poderoso e o resultado aparece sem muito desgaste.
A fé não é um sentimento independente. Um sentimento que pode ser posto em qualquer objeto, como eu pensava, e adquirimos um poder vindo de nosso próprio interior. A fé é uma certeza que precisa estar ligada a Deus. Não basta ter fé. Precisa-se demonstrar essa fé através da obediência de suas leis.
Estou surpreso com as mudanças que aconteceram em minha vida depois que comecei a praticar a fé. No principio foi um teste. Não tinha nada para fazer e resolvi testar aquela conversa que vinha ouvindo já há algum tempo. Sou um cético. Tenho dificuldade em crer naquilo que não vejo. Mas acredito na observação e na analise com inteligência. Sem aquele sentimentalismo que inevitavelmente nos levam ao fanatismo. E o resultado foi um choque. Não é que funciona mesmo!
Sempre fui contra a religião. Sempre achei esse aglomerado de gente um absurdo inventado para explorar pessoas fracas. Mas tive que mudar de idéia. Existem algumas igrejas que não pregam a religião, mas a fé. Uma fé tão viva que consegue reconstruir a nossa vida por mais destruída que ela esteja. É isso que estou sentindo em relação a mim mesmo. Estou sendo reconstruído. Nunca me senti tão feliz, tão otimista como me sinto agora. Acho que finalmente a sabedoria resolveu dar o ar de sua graça.
Não sei o que meus inimigos vão falar sobre isto, infelizmente tenho alguns. Mas dizem que não se joga pedra em árvore que não dá frutos. Provavelmente dirão que estou variando. Que perdi o senso da realidade. Isto se não disserem coisa pior. Mas não faz mal, o importante é estar bem comigo mesmo. É ter certeza que independente de ser alvo de mentiras e maledicências, os meus projetos vão acontecer. E o seu?
Essa crônica foi publicada no valeparaibano em outubro, mais ou menos, de 2009…
Hoje: Na semana passada prometi que começaria a escrever sobre minhas descobertas espirituais. Não vou mais fazer isso. Descobri que não tenho capacidade para tanto. Ou melhor, ainda não estou capacitado para tão grande empreendimento. Depois que comecei trilhar esse caminho pensei que seria como todo o resto: uma viagem divertida ao reino da imaginação. Enganei-me totalmente. Essa busca que começou sem muito compromisso está se tornando um encontro real com o mundo espiritual. Estou espantado e um pouco temeroso com o que está me acontecendo. Fui invadido por uma força tão poderosa que está mudando meu modo de ver o mundo. Coisas físicas estão acontecendo. Coisas palpáveis. Meus sonhos já não são tranqüilos ou sem lembranças, são cheios de imagens fortes e, às vezes, assustadores. Algo esta acontecendo. Quem sabe no futuro criarei coragem para colocar no papel toda essa experiência… Por enquanto, vou deixar tudo no âmbito pessoal. Vou voltar aos contos, esses sim, eu ainda consigo controlar.






