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Desculpa Beyoncé, mas…

 

Por Eliete Santos

03/02/2010

O novo clip da cantora Vanessa Camargo, que leva o nome sugestivo “Não me leve a mal”, vinculado também em inglês como “Let me live”, tenta mostrar além do talento da moça como cantora, seus dotes como bailarina. Então é aí, que a confusão está formada, e o tema “não me leve a mal”, cai como uma luva. Sobretudo o clip da cantora brasileira, não poderia ser lançado em pior momento. Logo agora que estoura na net o clip Single Ladies, Vanessa entra em cena exibindo suas formas arredondadas, joelheiras e uma sensualidade desnecessária. Beyoncé com Single Ladies, nos cria um problema. Poucos coreógrafos podem se perguntar, o que fazer após Single Ladies? Como dançar? Sem dúvidas que, nem tão cedo as cantoras norte americanas vão se atrever a dançar num clip depois da obra prima Single Ladies. Em termos de “vídeoclip”, os norte americanos sempre saíram na frente. Desde muito cedo a dança esteve aliada a atuação e a musica, tanto nos filmes, quanto  em produções para palco. E isto desde a época do cinema preto e branco. Já no cinema colorido a dança ganhou espaço definitivo. Não era difícil encontrar atores que sapateavam e atrizes maduras que dançassem bale com a classe de uma mocinha francesa. Para dar suporte as cenas onde os atores deveriam se tornar plumas esvoaçantes no salto, o cinema contava com coreógrafos como Honi Coles. Uma série de coreógrafos, que além de darem formação a bailarinos, puderam dar suporte técnico em dança para atores. Só para citar os antigos, podemos elencar, Martha Grahan, Willian Forsythe, Alvin Ailev, Paul Taylor, Merce Cunningham e Rudolf Laban. Ao contrário da América, sem incentivo a altura, na década de 50, Klauss Vianna (1928- 1992) desenvolvia sozinho sua Técnica do Movimento Consciente, que só depois de sua morte seria reconhecida como uma técnica de treinamento corporal ideal para atores. Aliás, técnica aplicada, hoje pela senhora Angel Vianna, em algumas estrelas da Globo que precisam do apuro nos gestos para desempenhar papeis em produções especiais. A discrepância da qualidade técnica e artística entre Vanessa e Beyonce é enorme. Podemos explicar parte desta disparidade olhando para trás.

Enquanto os norte americanos do cinema e da TV, aprenderam desde cedo a trabalhar com coreógrafos e a respeitar a disciplina que o treinamento da dança exige, nós no Brasil, andamos desatentos as regras e ao estudo das teorias do movimento que tanto fazem falta quando se pretende apresentar performance corporal.

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Filed in: Eliete Santos, Variadas

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