12/01/2010Tarde, ontem, quis te encontrar, naquele lugar combinado, e dizer todas aquelas coisas que sempre dizemos ou sempre repetimos; daquelas que faz só bem.
Infelizmente não vi o tempo passar e se passou nem me cumprimentou. Só sei que ficou mais tarde o tanto que não pude te procurar, mais.
Tanto tinha a te dizer e a me repetir que sem graça te procuro hoje, nesta cartinha, para me redimir.
Não posso dizer que me enganei por tantas coisas e entre elas foi o meu aniversário de casamento, lembra, já faz tanto tempo que nem sei.
Dia ou outro me pego, ao lado às janelas do sobrado, juntando os cacos, alisando a grama com os pés, contando as flores cada vez mais raras, ninando lembranças nem tão bobas; me lembro de ti.
Eras uma linda criança que em meus braços recebi e sempre te mantivestes assim, como a alma limpa de uma criança que eu não soube cativar.
Serena seguiste ontem em mãos amigas pressinto. O calor de mim vai e volta em ondas
e me sinto assim como quem desvem.
Te juro, não sabia que te amava tanto. Eu, a quem nunca se passou tal sentimento ou presentimento, quem sempre ri dos quantos me contavam e sentiam em seus cantos que desabavam em meus ouvidos como arrulhos estranhos para alguém como eu.
Não minto ao dizer que te reencontrei em mim e como amante que se olha num espelho e vê que o tempo passou e sobrou o que há de melhor em si por nunca ter sido dado e quendo se resolve se doar não mais acha a quem. Aquele quem que não foi eleito, mas que vibra em finas cordas de um coração que depois de velho voltou a bater.
Patético, mas honesto, asim eu me sinto.
Perdou eu ousar tantos eus neste desfile de palavras. Deveria sim falar de ti, mas me desnudo em frente a ti. Tu que me conheces como caminho trilhado. Talvez o faça por nunca ter feito. Um sujeito acima de tudo e de todos que se fechava em si jogando fora a chave de seu coração.
Amada minha não espero mais de ti qualquer coisa que ja tenha sido me dada. A tua atenção por mim não foi merecida e era a primeira quem me afagava. Tua atenção, tua atenção.
Posso não ser mais o mesmo arrogante – como anseio por isso. Posso ter criado outros defeitos e também posso ter me controlado e aprendido a conduzir a minha vida menos rudemente.
É uma pena eu ter te causado tanto mal.
Aqui não te peço perdão. Eu já me perdoei. Assim sei que jamais te causarei algum mal. Não te peço que me vejas ou ouça ou…
Quero que saibas que estás tão linda que não sei descrever.
Ao amor que perdi e não sei mais.






