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Destino caipira

Dependurados nos cachos de sementes do palmiteiro jussára os jacus fazem a festa, depois com suas fezes vai brotando palmito por onde passam.
Desinbestados seguem pela estrada de terra a boiada magra a caminho do pasto, da engorda.
O cisco está nos olhos de todos, tempo seco, o cheiro tinto das jabuticabeiras, salva-nos da sequidão.
Destino caipira esse de homem torto, tanta lida tanta capina, desconhece a cárie no vão dos dentes, há muito que a platina entrou no arado. fica na espera do ajudório ou da benesse da providência. Sua roça foi vendida para ajudar os filhos. Hoje mora num canto da periferia, sonha com suas abobreiras floridas.
E as saúvas vão cortando tudo. Sem falar das abelhas que aguilhoam, enfim, pica pau, pica pedra, pica blusa, escureceu o céu, picamo a mula.

Ricola de Paula

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Filed in: Literatura, Poesia, Ricola de Paula

One Response to "Destino caipira"

  1. jad disse:

    Saúvas traiçoeiras, melhor que piquemos a mula. Mas atrás de outras jabuticabeiras e florestas de angico.

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