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DISTRITO 9 (District 9)

DISTRITO 9 (District 9)
De Neill Blomkamp, 112 min

District 9
Ficção Científica
Direção: De Neill Blomkamp
Roteiro: Neill Blomkamp e Terri Tatchell
Elenco: Sharlto Copley, Jason Cope, David James

Não é apenas o nome deste filme que lembra 9 – A SALVAÇÃO, animação já comentada por mim anteriormente, mas também o fato de ele ter nascido de um curta-metragem, no caso: “Alive in Joburg”, de 2005, do mesmo diretor, Neill Blomkamp.

O curta já tinha uma premissa original, mas visualmente era muito pobre, problema esse mais do que resolvido quando Peter “The Lord of The Rings” Jackson resolveu produzir a transformação da história num longa, injetando 30 milhões de dólares no projeto.

“Original” é realmente a melhor palavra para descrever esta ficção científica. Vamos à história: uma gigantesca espaçonave alienígena avariada chega ao nosso planeta, mas ao invés de visitar Nova York, Washington ou Tókio (essa foi para os fãs de Ultraman, como eu!), a cidade escolhida para o contato imediato é Johanesburgo, capital da África do Sul. A nave não chega a pousar, mas fica parada, flutuando sobre um ponto da cidade, como que “estacionada no ar”. Meses se passam e nenhum contato ocorre, então os humanos resolvem adentrar à nave. E se deparam com milhões de seres doentes e subnutridos, que acabam levados para a cidade, onde são confinados no terreno logo abaixo da espaçonave, com direito a arame farpado, vigilância militar nas cercas e demais “comodidades”. O nome do local? Distrito 9. Os aliens aparentemente não têm capacidade para consertar a nave-mãe e retornar ao seu planeta de origem… e com o tempo nasce uma gigantesca favela no local, onde os visitantes vivem em condições deploráveis, já passadas duas décadas desde a chegada ao nosso planeta.

Inevitável a alusão ao repulsivo apartheid racial que dominava o país de Mandela há alguns anos.
Só que desta vez são os humanos (não importa de qual raça) tratando uma raça alienígena de forma segregatória. O filme nos faz pensar no pior que o Homo Sapiens pode oferecer, e infelizmente essa parte não é nada fictícia, tendo em vista nosso histórico de exploração de nossos próprios semelhantes.

Os efeitos visuais e sonoros são primorosos, claramente tendo consumido praticamente todo o orçamento do filme, e a edição é acima da média.
Se a idéia é original e a mensagem política interessante, o roteiro, escrito por Neill Blomkamp e Terri Tatchell, não segue a mesma qualidade. Algumas cenas são mais do que inverossímeis, e podem irritar um pouco um espectador mais exigente. Uma pena, pois o potencial era para uma película marcante no gênero.

A história é contada em seu início no formato de um falso documentário, ferramenta muito em moda ultimamente. No elenco o destaque vai mesmo para o protagonista Wikus Van De Merwe, vivido por Sharlto Copley. Wikus é o “líder” da operação de remoção dos aliens para um novo local, longe da cidade (na verdade ele ocupa o cargo apenas por ser casado com a filha do “chefe”, pois é um trapalhão ridicularizado por todos). Iniciando sua atuação mostrando um personagem inseguro e perdido com o cargo que ocupa, Copley vai evoluindo a personalidade de Wikus, tornando-o um personagem bastante interessante em seus conflitos e ações, depois que ele acaba infectado por uma substância alienígena e começa a ficar… “diferente”.

As legendas são o que de pior há no filme, a começar pela tradução da forma pejorativa com os humanos passam a chamar os E.T.’s, “prawn”. Chamados aqui de “camarões”, quando na verdade a palavra se refere a um tipo de críquete. E o que dizer dos momentos em que as forças especiais da polícia local é chamada e as legendas chamam de “BOPE”? Só faltou chamarem algum oficial de “Nascimento”…

O final deixa claro que teremos uma sequência, ainda mais depois do sucesso de bilheteria que o filme vem tendo.
Mesmo tendo seus pecados, Distrito 9 é um filme interessante, com belas tomadas e uma premissa que faz com o espectador pense, e só por isso já mereceria ser visto.

Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:
Sala 2: 13h50, 19h10 (Legendado)
Horários válidos até 05/11

Veja o site do Cinesystem >>

DALTO FIDENCIO
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Filed in: Cinema, Dalto Fidencio

2 Responses to "DISTRITO 9 (District 9)"

  1. dalto disse:

    Fred Aguiar em 6/11/2009 às 10:11:29 disse: Também gostei… Original sobre a forma como aborda os Aliens, e alguns podem dizer que é cliché na forma como aborda o preconceito…. mas até aí o preconceito existe por si só e ele já é cliche a algumas dezenas de anos…. Em alguns momentos ele lembra um filme trash, o que para mim é ótimo, e em outros ele nos toca com uma “criança” fazendo a cara do gatinho do Shrek… Ou seja além da originalidade, temos tudo que um filme de ação precisa…. é um filme independente que não perde no nível técnico para as super produções independetes, vale a pena se visto… Peter Jackson, acreditou do projeto e por isto ele foi p/ frente… mas o diretor deve colher tb estes frutos, pois mandou muito bem. Abraço, Dal. Profano

  2. dalto disse:

    Dalto em 6/11/2009 às 23:32:58 disse: Grande Profano, com comentários sempre pertinentes! Obrigado por estar sempre visitando o Entrementes, amigo!

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