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Envelhecer

02/10/2011

Recado de Dailor Varela: Envelhecer

Ser chamado de “velho” tem uma conotação pejorativa na sociedade. Ninguém gosta de ser apontado como um “velho”. Este escriba anarquista, aos 66 anos de vida, não tem nenhum problema existencial em ser velho. Muito pelo contrário. Nunca me senti tão bem comigo mesmo. Caetano Veloso, um dos meus gurus de cabeceira, com 58 anos de idade, disse recentemente numa entrevista que nunca se sentiu tão feliz. E que aos 58 anos, não precisa provar mais nada. Tem uma obra poética musical genial. Hoje faz o que gosta, quando quer. Concordo com ele.
Como ele e outros velhos, como Mike Jagger, Tom Zé, João Gilberto, Ferreira Gullar, Oscar Niemeyer, Fernanda Montenegro e tantos outros idosos criativos. Óbvio que sou um velho sem a importância deles. Mas hoje faço o que quero, quando quero e não dou a mínima para o que pensam de mim, velho solitário olhando a Mantiqueira nesta manhã.
Na velhice, estou revivendo emoções que passaram pela minha vida. Estas emoções vão desde uma música que escuto, um livro, ou ver meus filhos crescendo. Sou um assumido pai coruja. Vivi e participei de um Brasil muito mais polêmico, criativo, do que o país de hoje. Acho que a maioria dos nossos jovens estão cada vez mais reacionários e imbecis.  É óbvio que não se pode generalizar. Há jovens criativos. Mas poucos. Viva a velhice.

Dailor Varela

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Filed in: Dailor Varela, Literatura, Poesia

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