Por Joka Faria
31/12/2009
A idéia de civilização é uma mentira. Todo o academicismo é um lixooo…
Dedicado a Marcelino Freire
Eu, um bêbado de alma andando pela Paulista, cercado por gente tão esquisita quanto qualquer um de nós. Mulheres broxas bichas. A Paulista é uma festa para qualquer diversidade sexual… Nesta imbecilidade do politicamente correto. Estava eu diluído na multidão no bairro da Liberdade chamando irmãos Latinos de Árabes. São Paulo é puro comércio e nós consumidores sem nenhuma defesa. Além de nossos cartões eletrônicos. São Paulo um Fast Food cultural.
Paulo Leminski estava lá, preso dentro de um centro cultural, agora ele é puro produto da descartabilidade de nossa tosca indústria cultural.
Estar vivo é poder acontecer. Morrer é findar as possibilidades nesta terceira dimensão. Paulo, suas idéias agora estão fragmentadas. Eu, um consumidor qualquer.
São Paulo é estranho, não tem onde urinar. E todos somos iguais e ingênuos no falso abraço do Masp naquela feira. Ninguém se conhece, não há trocas afetivas?
Cidade concreto, pura abstração! A Casa das Rosas, mais um espaço certinho. Onde estão os porões de Sampa?
Eu, um bêbado de alma andando na Paulista. Onde estão os novos poetas? Chega de gente certinha bancando-se alternativos. Somos o Kaos!
Terceira Via, que piada de mal gosto numa sociedade comercial e capitalista de alma. Karl Marx
Idealizou o inviável? Caros eruditos de plantão, leitores de Sócrates, Jesus Cristo, etc. Somos uns idiotas consumidores de livros. Teorias que nos levam ao abismo. Faculdades que perpetuam as grandes mentiras e as pequenas mentiras. Nós somos nosso próprio Lobo. Nós estamos matando a possibilidade do novo. Viva CAETANO VELOSO que vivo está…
A TV Cultura é um Oásis dentro desta mídia fascista. Nós somos fascistas, terroristas e genocidas.
Quantas famílias de estrangeiros presas em porões na cidade de São Paulo, fazendo produtos baratos para consumirmos.
Cadê Lula T? Serra? Kassab? Nada fazem a não ser perpetuar o que está estabelecido. A merda estabelecida.
Queríamos nos matar e estamos disfarçados de civilizados.
Eu, um bêbado de alma andando pela Paulista, sufocando minhas toscas vontades. Guardando meu cartão de débito, poupando para um amanhã que nunca chega. Somos o hoje e nada mais!
Entre Paulo Leminski e Reginaldo Gomes, prefiro o Reginaldo, afinal nunca convivi com Paulo.
Entre a mulher da TV e uma feia próxima a mim, fico com a feia.
A feia é real e os pobres poetas que moram em São José dos Campos, são reais.
Eu, um bêbado de alma, amando o concreto da Avenida Paulista. E nunca deixando a Mantiqueira.
Eu um cronista, não um poeta?
Deixo a poesia para os que gostam de se prender a forma, eu prefiro ser. A forma é uma ilusão!
Deixo a poesia para toscos poetas, eu sou é livre…Ou quase livre?
O sistema tenta aprisionar nossa pouca consciência – o sistema somos nós!
João Carlos Faria






