FÚRIA DE TITÃS (Clash of The Titans)
De Louis Leterrier, 118 min
Aventura/Fantasia
Um dos filmes favoritos de minha infância foi sem dúvida o “Fúria de Titãs” original, de 1981, que tantas vezes assisti nas “Sessões da Tarde” da vida… foi o último grande trabalho do mago da animação em stop-motion, Ray Harryhausen, e olha que já era um filme nostálgico, pois vale lembrar que George Lucas já tinha deixado o mundo de boca aberta com os efeitos visuais de Star Wars, quatro anos antes.
Este remake, infelizmente, não se mostra digno do filme original. Um roteiro ruim, uma direção sem inspiração alguma e atuações modorrentas arruinaram o que poderia ser uma das grandes produções da temporada. Isso sem falar no 3D… que 3D? Mais adiante falo sobre a enganação que é o 3D deste filme.
O roteiro simplesmente acaba com as lendas da mitologia, deturpando a história de amor de Perseu e Andrômeda. Em vez do herói decidir enfrentar o monstruoso e titânico Kraken (na verdade, seu nome na lenda é Cetus) e a terrível Medusa para tentar salvar a vida de sua amada princesa,ousando ir contra a ira de Poseidon, aqui Perseu é um jovem com cérebro de ervilha, que se recusa terminantemente a aceitar sua herança divina como se fosse uma criança birrenta, e entra na jornada com tremenda má vontade, pouco se importando com Andrômeda.
Esta bagunça na história provavelmente se deve ao fato do filme ter tido vários roteiros, envolvendo uma dúzia de escritores diferentes, e que acabou tendo a versão derradeira assinada por Phil Hay, Matt Manfredi e Travis Beacham.
Para a direção foi chamado o limitado cineasta francês Louis Leterrier, que até fez um trabalho bastante satisfatório em “O Incrível Hulk”, mas aqui… fraco, muito fraco.
O elenco tem nomes de qualidade; o papel principal coube ao astro do momento em Hollywood, que havia roubado a cena em “Exterminador do Futuro 4″ e se consolidado no megasucesso “Avatar”: Sam Worthington. Mas aqui ele nem de longe lembra suas belas atuações recentes, nos entregando um trabalho preguiçoso, sem carisma, e ainda por cima atrapalhado pela direção e pelo roteiro, abaixos da média. Seu Perseu sem dúvida nenhuma não vai deixar saudades em ninguém.
Andrômeda é vivida por Alexa Davalos, e se já era coadjuvante no original, aqui ela é muito mais, tendo uma atuação bem discreta. O papel de Zeus, que foi Sir Laurence Olivier no filme original, ficou com Liam Neeson, que apesar de talentoso, também não se esforçou muito nesta película, tendo como maior destaque sua bela armadura, que ficaria perfeita num live action dos Cavaleiros do Zodíaco.
Ausente no filme de 81, aqui temos o deus das hostes infernais, Hades, vivido de forma caricata pelo (quase) sempre ótimo Ralph Fiennes. Temos também a personagem Io (vivida por Gemma Arterton), novo par romântico de Perseu, e como ele, uma semideusa. Como as demais atuações, ela não apresenta nada marcante. E cito também o guerreiro Draco (vivido por Mads Mikkelsen), ele sim nos entrega uma atuação decente, apesar do pouco tempo na tela.
A trama, com inúmeras diferenças do original, é a seguinte: os humanos não mais idolatram os deuses, chegando inclusive a desafiá-los. Se aproveitando da preocupação de Zeus, o deus dos deuses, seu irmão Hades o convence a deixá-lo punir os humanos, para que, através do medo, voltem a pedir proteção divina (as orações dos humanos fortalecem os deuses). A escolhida para servir de exemplo é a cidade de Argos. Hades exige que a princesa Andrômeda seja sacrificada em 10 dias, caso contrário, o colossal Kraken será liberado para descarregar sua fúria sobre a cidade.
Perseu parte então em busca da única coisa capaz de derrotar a monstruosa cria de Hades, e terá que matar a amaldiçoada Medusa para isso.
Uma trama linear, personagens pouquíssimos desenvolvidos, motivações que não convencem e herói sem carisma, simplesmente mataram o que poderia ser mais um filme cult. Apesar de algumas cenas de ação de tirar o fôlego, dos cenários impressionantes e dos Efeitos Visuais muito competentes, o longa não convence, encanta ou emociona em momento algum.
E para “ajudar”, temos o famigerado 3D que eu havia citado no começo. Quando a febre do 3D se instalou em Hollywood, alavancada pela absurda bilheteria de “Avatar”, este “Fúria de Titãs” já se encontrava em produção. Ávidos em faturar uns dólares a mais, decidiram aplicar a tecnologia 3D na pós-produção do filme, o resultado foi o que em terras brasilis chamamos de “gambiarra”… ficou péssimo! É coisa para Procom mesmo, pois o filme na verdade é em algo que poderia ser chamado de “2D e ½”. Algumas cenas chegam inclusive a ficar distorcidas… a pessoa é capaz de sair da sala se perguntando se os óculos especiais não estariam com defeito.
Mas como a bilheteria mundial já dobrou os custos de produção (o filme ficou em US$125 milhões), já se cogita um “Fúria de Titãs 2″.
Mas esquecendo a possível sequência e terminando minha análise sobre o filme em questão, se for assistir, prefira a versão em 2D e desligue seu senso crítico… depois não diga que não avisei. Já eu, prefiro rever o clássico dos anos 80…
Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:
Sala 5: 15h20 (Legendado)
Horários válidos até 24/06/10
DALTO FIDENCIO
nils satis nisi optimum








Aléthia em 28/07/2010 às 21:46 disse: Acredite não verei rsrsrsrsrs