HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – Parte 2
(Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2)
De David Yates, 130 min
Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2
Aventura / Fantasia
Direção: David Yates
Roteiro: Steve Kloves
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Helena Bonham Carter, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Bonnie Wright, Tom Felton, Maggie Smith, Jim Broadbent.
Em novembro de 2001 chegava aos cinemas “Harry Potter e a Pedra Filosofal”… e agora, quase uma década depois, o oitavo filme da saga veio para fechá-la de forma impactante. Fenômeno da literatura, a série de livros da britânica Joanne Kathleen Rowling conseguiu repetir seu sucesso também na Sétima Arte, gerando uma franquia bilionária, sendo sucesso de público e crítica.
Essa talvez tenha sido a saga que mais explicitamente mostrou uma evolução ao longo de seus capítulos, seja nos livros, seja nas telas. Se começou como uma história para adolescentes, terminou como uma aventura mais do que madura, com toda sorte de emoções adultas.
Relembrando que esta não é uma continuação normal, mas sim a segunda parte de um filme cortado ao meio pela Warner por motivos puramente comerciais, mas que acabou por ajudar naexcelência da produção, já que a história pode ser melhor contada, com poucas partes do livro sendo deixadas de lado. A Parte 1 foi simplesmente excepcional, preparou toda a carga emotiva de desespero e angústia que nossos três protagonistas se viram envoltos… já na Parte 2 temos mais ação, mas com quase a mesma carga dramática da primeira parte.
Daniel Radcliffe dá seguimento à sua densa atuação na Parte 1, mostrando a grande evolução de seu personagem. Ele entrega um Harry Potter imerso na angústia de saber que seus amigos estão sendo mortos um a um pelo terrível Lord Voldemort (vivido por Ralph Fiennes). Rupert Grint vive um Ron Weasley heróico que há muito deixou de ser apenas o alívio cômico da história. Ainda tem seus momentos de humor, mas ai de quem o chamar de palhaço. E Emma Watson segue sendo o cérebro do trio, com mais uma atuação notável para sua Hermione.
Mas as boas atuações não ficaram apenas nos protagonistas, longe disso. A melhor atuação ficou reservada a Alan Rickman, com seu espetacular Severus Snape, que representa com enorme competência as diversas nuances de seu personagem. Ralph Fiennes não quis se despedir de seu Lord Valdemort sem mostrar toda a paranóia do lorde das trevas, numa atuação marcante.
Nem toda a maquiagem que seu personagem exige impede que ele demonstre uma bela carga dramática.
Outros que merecem ser citados são Matthew Lewis, que interpreta Neville Longbottom, que ainda pode ser um personagem desajeitado, mas que revela toda sua veia heróica, e claro, a Senhora Tim Burton, Helena Bonhan Carter, que transformou sua Bellatrix Lestrange numa personagem mais interessante que a do livro, com sua veia gótica insana. Mas o curioso é que a melhor participação de Helena no filme é quando Hermione toma a forma de Belatrix para que eles possam tentar pegar mais uma Horcrux. Helena interpreta os trejeitos de Hermione com maestria.
A Direção de David Yates é precisa, irretocável, com tomadas de câmera inspiradas. A Trilha de Alexandre Desplat segue a qualidade da Parte 1, e retrata muito bem a melancolia que toma conta de Hogwarts quando ela cai sob o fogo cruzado da guerra travada por centenas de bruxos.
A Direção de Arte é soberba e os Efeitos Visuais e Sonoros impressionantes. Já o 3D deixa a desejar. Um filme com uma Fotografia sombria nunca precisará ser em 3D… nesse caso, o 3D mais atrapalha do que ajuda. A versão em 2D é superior… mesmo porque o fime foi filmado assim e só depois convertido para o sistema da moda.
A Maquiagem, pelo menos no epílogo, decepciona. Nem com muita boa vontade dá para acreditar que os personagens estão quase duas décadas mais velhos. No máximo, dois anos…
O roteirista Steve Kloves, que foi o responsável pela adaptação de seis dos sete livros (ficou faltando apenas “A Ordem da Fênix), resolveu mudar alguns detalhes do embate final, deixando-o com uma linguagem mais cinematográfica. A luta derradeira entre Harry e Voldemort, quando as varinhas são usadas em toda sua plenitude é deveras diferente do livro, alguns fãs poderão sentir falta do diálogo travado entre os oponentes, mas isso deve ser compreendido mesmo pelos mais xiitas. Por mais que queiramos que um livro seja idêntico na big screen, Literatura é uma coisa e Cinema é outra… o que funciona em um nem sempre ficará perfeito no outro. O que deve ser levado em conta é que o roteiro costurou muito bem toda a trama, não deixando nenhuma ponta solta.
Parte 2 é ligeiramente inferior à Parte 1, mas isso não significa que não seja um grande filme, além do mais, como eu disse no início, as duas partes devem ser vistas como um único e longo filme. Um desfecho digno da importância do jovem mago, que ao longo de todas as suas películas, deixou seu nome marcado para sempre na história da Sétima Arte.
Impossível não sentir uma certa nostalgia ao ver pela última vez o Expresso de Hogwarts partindo da plataforma 9 3/4… tudo termina aqui.
Avada Kedavra!
DALTO FIDENCIO
nils satis nisi optimum
http://twitter.com/DaltoFidencio






