


Ultimamente eu e a Nádia temos tido muito interesse em conhecer melhor sobre a vida de João Cândido, um personagem muito importante da história brasileira e que faz parte também, de maneira muito forte, na família da Nádia pois o avô paterno dela também era marinheiro em 1910 e participou junto com João Cândido da Revolta da Chibata. Foi preso como todos os outros e depois com a “anistia” voltou para a Marinha pois não tinha outra alternativa de trabalho. Com o tempo foi percebendo que seus companheiros “sumiam” sem ninguém saber o paradeiro. Diante destes fatos e percebendo que eles estavam sendo assassinados, resolveu “desertar” da Marinha e fugiu da cidade do Rio de Janeiro. Foi em direção ao sul do país à pé, sobrevivendo de maneira muito dura pelo caminho chegando enfim a Florianópolis-SC. Depois foi para São Francisco do Sul-SC onde viveu a maior parte de sua vida. A família da Nádia teve pouco conhecimento sobre a vida dele pois se considerava um “desertor” e diante disso ele procurava esconder todo o seu passado com medo da perseguição. Depois de muito tempo a família descobriu que na época da Revolta da Chibata seu sobrenome era Raulino e quando se estabilizou em São Francisco do Sul-SC mudou o nome para Luis Cândido da Silva, homenageando assim seu grande companheiro de luta. O pai da Nádia também recebeu no nome uma homenagem a João Cândido, ele se chamava Paulo Cândido da Silva.
Compramos o ótimo livro de Edmar Morel “A REVOLTA DA CHIBATA” 5a edição organizado pelo seu neto o historiador Marco Morel comemorativa aos 50 anos da publicação em 2009 e aos 100 anos da Revolta em 2010. Esta obra é considerada a maior referência historiográfica sobre este fato.
João Cândido foi homenageado no Dia da Consciência Negra em Novembro de 2008 com uma estátua na Praça XV no Centro do Rio de Janeiro, junto a “pedras pisadas do cais”, onde em 2009 fomos visitar.
Na sexta-feira passada (07/05) em Porto Suape-PE, foi lançado ao mar o primeiro petroleiro do Brasil depois de 13 anos de estagnação da indústria naval brasileira, e João Cândido foi homenageado novamente dando nome a esta embarcação.
Por ocasião deste evento, o jornalista Beto Almeida escreveu um belo artigo publicado na Agência Carta Maior que vale a pena ler “João Cândido, petróleo, racismo e emprego”.
De maneira que ficamos muito felizes com todas estas homenagens feitas a este grande personagem da história do Brasil, o grande “Navegante Negro” considerado o “Mestre Sala dos Mares” e resolvi relatar estes fatos a vocês.
Abraços a todos.
Pedro Antônio Cândido
São José dos Campos-SP






