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ILHA DO MEDO (Shutter Island)

 

 

ILHA DO MEDO (Shutter Island)
De Martin Scorsese, 148 min

Shutter Island
Suspense
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Laeta Kalogridis
Elenco: Leonardo DiCaprio Chuck Aule Ben Kingsley Michelle Williams Mark Ruffalo Jackie Earle Haley Emily Mortimer Patricia Clarkson
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

Não deve ser nada fácil ser Martin Scorsese… aliás, não deve ser nada fácil ser um gênio, de forma geral. O problema é que as pessoas sempre esperam realizações excepcionais dos gênios, e quando eles nos apresentam “apenas” um trabalho muito bom, tendemos exageradamente a ficar decepcionados.

É o caso do bom ILHA DO MEDO… se fosse uma película de um diretor qualquer, certamente seria visto com outros olhos, mas sendo um “Scorsese”, esperamos sempre algo acima da média, e infelizmente, não é o que ocorre aqui.

 O icônico cineasta decidiu fazer uma homenagem aos filmes B de suspense, com este “Ilha do Medo”.
O roteiro é de Laeta Kalogridis, baseado no livro de Dennis Lehane, “Paciente 67” (título bem mais feliz que o original do filme, e principalmente, do que ele recebeu no Brasil), também autor do ótimo “Sobre Meninos e Lobos”, adaptado para o Cinema com brilhantismo pelo também genial diretor, Clint Eastwood.

 A trama se passa nos anos 1950, e mostra os agentes federais Teddy Daniels (vivido por Leonardo DiCaprio) e Chuck Aule (personagem de Mark Ruffalo) chegando na Ilha Shutter, situada no meio do porto de Boston, onde fica o Ashecliffe Hospital, um presídio psiquiátrico cuja função é tentar resgatar a sanidade de criminosos condenados por crimes violentos, em sua maioria, assassinatos.

 A missão da dupla é investigar o misterioso desaparecimento da paciente Rachel Solando, uma mãe desequilibrada que cumpria pena na ilha por haver assassinado os três filhos, afogando-os. Ela simplesmente havia “evaporado” de seu quarto-cela, mesmo ele estando trancado à chave por fora.
A única pista deixada no quarto: um intrigante bilhete se referindo a um 67º paciente do Ashecliffe, quando se sabia haver 66 detentos ali.

 A ilha é dirigida pelos misteriosos doutores Cawley (Ben Kingsley) e Naehring (Max Von Sydow), que parecem não ter tanto interesse assim que os agentes cumpram a sua missão, o que faz com que Daniels passe, aos poucos, ir desconfiando que existe algo de muito errado por ali.

 Paralelamente à história principal, também somos apresentados ao inferno pessoal do agente Daniels.
Ele é constantemente atormentado pela visão de sua esposa Dolores – falecida em um incêndio criminoso – que é interpretada por Michelle Williams, e também por lembranças de seu sangrento passado na Segunda Grande Guerra. Aliás, algumas das mais belas cenas do longa são as dos flashbacks em que Daniels relembra sua incursão num Campo de Concentração recém-libertado… pura arte cinematográfica!

 A história segue e então descobrimos que nosso personagem principal tem outra missão na ilha, além da já citada: Andrew Laeddis, o homem responsável pelo incêndio que causou a morte de sua esposa, possivelmente também estaria no local. Ele encontra também um outro detento, seu conhecido do mundo exterior, com o rosto desfigurado, e que o acusa de ser o culpado de seu infortúnio…

 Este é o tipo de filme que não se pode falar muito sobre a trama, pois se correria o risco de entrar no mundo dos indesejados spoilers.
Scorsese, um exepcional contador de histórias, não conseguiu se livrar dos erros do roteiro, que ao invés de usar a veia hitchcockiana, de jogar uma informação para em seguida nos fazer questioná-la, nos joga toda uma história para depois afirmar que não era nada disso… o que fere o modus operanti de como se fazer um bom suspense. Esse é o problema de “Ilha do Medo”: um filme de suspense que não consegue emplacar muito… suspense. Apesar de algumas boas cenas de tensão, é  mais um filme comum com um final surpreendente, apenas isso. Outro ponto fraco é a montagem, que deixa a desejar.

 Mas o filme é salvo pelo diretor acima de adjetivos que possui. Estão lá os movimentos de câmera peculiares, os enquadramentos soberbos, a Direção de Arte (trabalho do trio Max Biscoe, Robert Guerra e Christina Ann Wilson) primorosa, e a condução dos atores com extrema segurança, de quem sabe o que faz. Louve-se também a belíssima Fotografia, de Robert Richardson, num estilo meio noir, e a Trilha Sonora, que casa perfeitamente com o clima opressivo e claustrofóbico da película.

Leornado DiCaprio, pela quarta vez sendo dirigido por Scorsese, faz um bom trabalho como o agente Teddy Daniels. Ele conseguiu convencer como o investigador dedicado e veterano de guerra, que carrega no peito a dor de fantasmas passados, em especial o de sua falecida esposa. Ele demonstra com talento a paranóia crescente por qual seu personagem passa ao longo da trama.

 O bom Mark Ruffalo tem uma atuação correta, que, se não chama a atenção, também não compromete. Ben Kingsley está muito bem como o misterioso Dr. Cawley, provando que ainda pode e deve ser lembrado pelos Estúdios. Max Von Sydow tem uma participação muito pequena, como o sarcástico Dr. Naehring; uma pena, pois o veterano ator tem talento de sobra. Michelle Williams aparece apenas nos delírios oníricos e nas lembranças de Daniels, e não tem atuação marcante. Vale citar também os ótimos coadjuvantes Jackie Earle Haley, Emily Mortimer e Patricia Clarkson. Haley tem uma participação minúscula, mas excelente, como o insano George Noyce. Já Mortimer e Clarkson interpretam com competência a mesma personagem, a paciente desaparecida Rachel Solando.

Cheio de pistas incrustradas ao longo de seu desenrolar, “Ilha do Medo” agrada mais quando visto mais de uma vez, quando o espectador percebe que detalhes aparentemente irrelevantes, indicavam o desfecho que a trama teria. É um bom filme, mas fica longe de ser mais uma pérola de Martin Scorsese, como foi por exemplo, a obra-prima “Cabo do Medo”, o melhor suspense criado pelo genial cineasta. Mas temos aqui um filme interessante, que vai encantar alguns, mas irritar outros (disso não tenho dúvida), e que merece ser assistido, até para que você possa ver qual lado irá escolher…

Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:

Sala 2: 16h25, 21h15 (Legendado)

Horários válidos até 08/04

www.cinesystem.com.br/page/index.asp
DALTO FIDENCIO
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Filed in: Cinema, Dalto Fidencio

One Response to "ILHA DO MEDO (Shutter Island)"

  1. dalto disse:

    Elizabeth em 04/04/2010 às 23:58 disse: Dalto!
    Parabéns pela crítica, como sempre, impecável!
    Abraço!

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