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INTIMIDADE II

18/09/2011

Recentemente escrevi abordando a questão de ter uma intimidade com as palavras. Essa ‘intimidade’ não está somente relacionada a um relacionamento de casais. Vai muito além do que simplesmente palavras. Entrei na vida literária há pouco mais de um ano, onde produzi meu primeiro livro de poemas (Ausências) e me arrependei amargamente, logo depois. Ser poeta, caro leitor não é apenas publicar livros. Hoje em São José dos Campos falta ousadia falando principalmente na literatura. Não há ninguém provocativo nas artes, na poesia.
As maiorias dos nossos poetas escrevem ‘bonitinho’ como um vaso de flor, um quadro na parede e não passam disso. Não há provocações.

Descrevo a criação de um poema como a essência de um perfume, ou se é bom ou é ruim, não há meio termo.
Essa intimidade se adquire com muita leitura, pesquisa, trabalho com a linguagem das palavras. A escrita me fascina, está impregnada na pele, como uma tatuagem.
Nossos poetas jovens de hoje estão “envelhecendo” na escrita, vivem e pensam como se estivessem no século passado.

Há exceções, como sempre, caro leitor. Percebo e vejo que há um medo que paira sobre nossos poetas, escondem-se em suas cavernas, e quando sai delas ficam se reunindo entre os próprios (grupos ao qual já participei) para declamar um para o outro. Ninguém questiona ninguém. Tudo que produzem é bom. Prefiro ficar com o silêncio dos meus livros.

Como bem disse o poeta Roberto Piva “Quando que nossos poetas vão cair na vida? Deixar de ser broxas pra serem bruxos?” (do livro “Ciclones)

Máh Luporini

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Filed in: Literatura, Máh Luporini, Poesia

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