
O LHC (Grande Colisor de Hádrons) é o maior acelerador de partículas já construído e hoje, quarta feira, dia 10 de setembro de 2008, foi testado pelos cientistas do C.E.R.N. (Conselho Europeu para Pesquisa Nuclear)
O superacelerador é um túnel de 27 km que foi construído entre a França e a Suiça. Ele está a 100 m debaixo de uma planície suíça. Uma parafernália de aço com um desejo shakspeareano de desvendar os mistérios que há entre o céu e a terra, isto é, para saber a origem do Universo.


Leiam agora a notícia na folha online sobre o teste realizado hoje:
10/09/2008 – 11h52
“Conseguimos mais do que o previsto para o 1º dia”, diz física sobre LHC
da Folha Online
da Efe, em Genebra

Quase 9.000 cientistas se reuniram nesta quarta-feira (10) na fronteira entre a Suíça e a França para realizar, com sucesso, o primeiro teste com o LHC (Grande Colisor de Hádrons), a máquina mais poderosa do mundo que tentará reproduzir o Big Bang, que é apontado como a explosão que deu origem ao Universo.
“Com isto, conseguimos mais dos que tínhamos previsto para o dia de hoje”, disse a física espanhola Teresa Rodrigo, que trabalha no experimento CMS (o segundo maior detector do LHC).
A princípio, o objetivo para hoje era conseguir que os prótons circulassem de maneira estável pelo acelerador a uma velocidade muito menor da que terão de efrentar nos próximos meses, quando a máquina funcionará a “pleno vapor” e houver a tentativa da colisão frontal de partículas.
O fato de conseguir a circulação de partículas, mesmo em baixa energia, nas duas direções do túnel –embora não ao mesmo tempo– superou as expectativas dos especialistas.
Quando a prova tiver se repetido diversas vezes, os prótons percorrerão o túnel em sentido contrário e ao mesmo tempo, e então colidirão a um ritmo de 600 milhões de choques por segundo. Esse será o momento em que começarão a funcionar os quatro detectores (Atlas, CMS, Alice e LHCb), que recolherão a informação dessas colisões e a armazenarão.

Teste
O teste realizado consistiu inicialmente em atirar um feixe de prótons em um gigantesco túnel circular de pouco mais de 27 quilômetros de comprimento. Colocados no acelerador, os prótons deram uma volta completa no enorme túnel.
O êxito do primeiro teste foi muito comemorado pelas dezenas de cientistas presentes na sala de controle do organismo, que aguardavam com expectativa o resultado.
Após o lançamento do primeiro feixe, um segundo feixe de milhões de prótons foi lançado no superacelerador de partículas e conseguiu completar uma volta em sentido anti-horário. No entanto, este segundo feixe levou quase o dobro do tempo que o lançamento de prótons anterior –este em sentido horário.

“Houve alguns problemas com o segundo feixe, e devemos esfriar alguns ímãs que tinham aquecido demais”, disse o especialista italiano Guido Tonelli.
Para o início do funcionamento hoje do LHC, todas as peças tiveram que ser resfriadas à temperatura de -271 grau, um processo que levou quase um ano e meio.
Miniburaco negro
Uma grande apreensão tomou conta dos momentos iniciais antes do primeiro teste, conduzido por Evans. O grande temor por trás das pesquisas com o LHC são as notícias de que o experimento de colisões de hádrons (partículas como prótons e nêutrons) pela máquina poderia criar um “miniburaco negro” que engoliria a Terra.
“É irreal. Isso não faz sentido”, disse James Gillies, o porta-voz do Cern (Organização Européia para Pesquisa Nuclear), organização responsável pelo LHC.
Por meio de testes com choques de prótons e nêutrons, os pesquisadores querem saber logo que segredos do Universo serão desvendados pelo aparelho, desde a origem da massa até a estrutura da matéria escura.
Em entrevista à imprensa internacional, Gillies afirmou que o mais perigoso incidente que poderia ocorrer com o LHC é o equipamento se quebrar e acabar soterrado sob a Europa. Além disso, ele declarou que no estágio inicial o colisor só funcionará parcialmente, sendo que o potencial máximo do LHC só deverá ser alcançado após um ano.

Construção
A realização do LHC foi algo tão complexo quanto as experiências que devem ser feitas nele. “Primeiro, foi necessário construir a máquina no túnel, algo que começamos a fazer há muitos anos, e depois tivemos de aprender a resfriá-la”, explicou o engenheiro espanhol Antonio Vergara Fernández.
“São quase 28 quilômetros de acelerador que precisaram ser resfriados a -271°C”, afirma. “Isso começou a ser feito há quase um ano e meio, depois tivemos de conseguir acender a máquina e ver que todos os sistemas funcionavam, mas sem introduzir nenhuma partícula no acelerador.”
Esse processo para verificar se a máquina estava pronta para receber os prótons “durou cerca de dois anos”. O passo seguinte consistiu em preparar o feixe de prótons do mecanismo, para que entrassem no acelerador e pudessem colidir com outras partículas no túnel.






