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MEIA NOITE EM PARIS (Midnight in Paris)

MEIA NOITE EM PARIS (Midnight in Paris)
 De Woody Allen, 100 min

Midnight in Paris
Comédia Romântica
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Elenco: Owen Wilson, Marion Cotillard, Michael Sheen, Kurt Fuller, Tom Hiddleston, Kathy Bates, Rachel McAdams, Gad Elmaleh, Carla Bruni, Nina Arianda, Mimi Kennedy, Corey Stoll, Manu Payet

 

 

 

 

 

 

 

Foram 5 anos de espera para que Woody Allen conseguisse finalmente filmar seu projeto parisiense (havia tentado em 2006, mas problemas de orçamento forçaram o adiamento da película), mas uma coisa é certa: a espera valeu a pena!

Continuando seu trottoir pela Europa, desta vez o genial cineasta nova-iorquino não entrega apenas mais um longa, mas sim uma transcendente obra-prima que homenageia a Cidade Luz, e também a todo amante das artes.

Este é um filme que resgata a virtuose de Woody Allen, em sua melhor forma. A trama nos apresenta a Gil (vivido por Owen Wilson, talvez em seu melhor papel na carreira), um roteirista hollywoodiano de filmes-pipoca, que apesar do sucesso comercial que possui, deseja largar tudo e viver na romântica Paris (principalmente quando sob chuva), onde ele poderia buscar inspiração para o romance que deseja publicar. Sua noiva é Inez (vivida por Rachel McAdams), que em nada compactua com o romantismo de Gil, e que não largaria sua América por nada. Eles estão passando férias na Cidade Luz com os pais de Inez (que desaprovam Gil e apenas o suportam), e lá acabam se encontrando com um antigo amigo da noiva.

Este é o ponto de partida para uma portentosa fantasia poética que só poderia mesmo sair dos delírios de Woody Allen. Toda noite, exatamente à meia-noite, Gil embarca numa viagem aos anos que considera os melhores já vividos por Paris, os Anos 20. Lá ele se encontra com uma infinidade de artistas geniais, que enriqueciam a noite boêmia da capital francesa na segunda década do século passado. Aqui entra o prazer imensurável que os amantes das artes têm ao assistir a este filme: como descrever o deleite de ver reunidos numa mesma história Ernest Hemingway, Zelda e F. Scott Fitzgerald, Picasso, Salvador Dali (numa participação genial de Adrian Brody), Luis Buñuel, Man Ray, Cole Porter, Gertrud Stein… entre outros! É absolutamente incrível acompanhar Gil interagindo com esses monstros representantes da mais fina arte do século XX. Os diálogos são impecáveis, inteligentíssimos, neste roteiro que não poderia ser descrito por nenhum adjetivo abaixo de “brilhante”. Vale apontar a cena em que Gil dá uma idéia a Buñuel, dica esta que no futuro irá inspirar o maior cineasta espanhol da história a criar sua obra-prima, “O Anjo Exterminador”.

Impossível não nos lembrarmos de “A Rosa Púrpura do Cairo”, não apenas pela história de fantasia, mas também pelos protagonistas homônimos, Gil Pendler neste “Meia Noite em Paris” e Gil Shepherd, na obra-prima de 1985.
Mas se engana quem pensa que “Meia Noite em Paris” é um filme pseudo-intelectual, pelo contrário, este lado é muito bem representado por Paul, personagem vivido com maestria por Michael Sheen, o amigo sabe-tudo pedante e insuportável da noiva de Gil, que está de olho nela (genial como Gil finalmente se dá conta disso, aliás!). Allen nos joga na cara que a arte é para ser vivida e não ostentada.

Destaque também para a Musa inspiradora de Gil nos anos 20, a poética personagem de Marion Cotillard. Ela está simplesmente encantadora em seu papel. E não inspira apenas nosso aspirante a romancista, mas também os pintores Braque, Modigliani e Picasso, além de Hemingway (vivido por Carey Stoll, ótimo).

A idéia que Allen quer passar é clara: as pessoas estão sempre insatisfeitas com a época em que vivem, sempre achando que anos anteriores foram melhores. Gil ama a Paris dos anos 20, já sua Musa, que é daquela época, ama a Belle Epóque, no Século XIX. Lá, Degas considera o Renascimento como a melhor época… num ciclo aparentemente ininterrupto. O Ontem sempre será mais valorizado que o Hoje. E aqui Allen abusa da Poesia do roteiro, encantador em cada parágrafo. Paris é mostrada em toda sua beleza, seja física, seja empírica.

Vale citar também a presença da Primeira-Dama da França, Carla Bruni (de atuação discreta), no papel de uma guia de museu.
A Trilha também é magnífica, já nos brindando logo no início com Let’s Do It (Let’s Fall in Love), de Cole Porter, que é o tema da película.
Se você gostar apenas de filmes-pipoca, talvez consiga não se encantar com esta nova obra-prima de Woody Allen, mas se você for um amante de Literatura, Artes Plásticas e Música (além de Cinema, claro), prepare-se para se extasiar com um longa que irá ficar em sua memória por muito, muito tempo.

Meia Noite em Paris é o melhor filme de 2011 até agora. É sublime, inaudito. Não é um filme para ser assistido, e sim para ser deliciosamente saboreado.
Acredite, é tão bom como passear pela Champs-Élysée. Sorte que não somos de uma época anterior!

DALTO FIDENCIO
nils satis nisi optimum

twitter.com/DaltoFidencio

“”Sono poeta delle tenebre e della malinconia; ma non piango lacrime, piango poesia!”"
DALTO FIDENCIO – E Pluribus Unum

 

 

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2 Responses to "MEIA NOITE EM PARIS (Midnight in Paris)"

  1. Fatima Melfa disse:

    Louca para assistir o filme, mas ainda sem tempo, adoro suas dicas^^

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