Por Joka Faria
05/02/2011
Caminhos que se encontram na noite dos tempos …
Sobre o Sol de Paraty vendo nuvens, ela se recorda de quando num deserto há muito tempo, onde hoje chamamos de Brasil, ela com a túnica rasgada, seios quase nús, fugia depois que saqueadores invadiram a cidade onde morava. Todos mortos, maridos, filhos e filhas, ela ainda jovem por volta de trinta anos. Depois de ser violentada por centenas de homens finge-se de morta e é jogada nas areias do deserto. Ai consegue escapar, pois nos outros dias conforme costumes bárbaros os corpos seriam queimados. Agora só pelo deserto. Do que hoje seria o planalto central. Ela só, sem água, embaixo de um sol escaldante à procura de ajuda. É o inicio da derrocada de uma civilização que não restará nem um vestígio. Ela hoje fotografa nuvens e sugem estas lembranças de um passado muito distante. Suas sensações são de viver aqueles momentos. Caminha por vários dias, quando encontra um pequeno rio onde se banha. Tenta sublimar as dores das perdas, mas não sabe que rumo tomar, mesmo assim quando chega a noite contempla a beleza das estrelas. Adormece e se vê num outro lugar vendo nuvens num litoral. Acorda e adormece de novo. Não sabe que rumo tomar. Ali come, esperando que alguns sobreviventes de sua cidade apareçam, mas reza às Deusas para que não surjam outros soldados, não suportaria mais a selvageria destes animais com corpos de homens. Pensa em reerguer-se, continuar a vida, pois sempre teve seus valores. Chega a noite a fotografia das nuvens a encanta e a lembrança de outra vida. Sentiu-se um pouco outra. Toda outra vida agora faz parte de si mesma. Pensa em investigar para tentar achar vestígios desta maravilhosa civilização que um dia floresceu no Brasil. Sabe qual foi o destino daquela mulher. Cala-se, despe-se, toma um banho. Silencia-se nua numa rede a lembrar varias vidas que teve. E assim segue.
JOKA
joão carlos faria






