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O DISCURSO DO REI (The King’s Speech)

O DISCURSO DO REI  (The King’s Speech)

 De Tom Hooper, 118 min

 

The King’s Speech
Drama
Direção: Tom Hooper
Roteiro: David Seidler
Elenco: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Derek Jacobi, Michael Gambon, Guy Pearce, Claire Bloom, Tim Downie, Timothy Spall, Robert Portal, Richard Dixon, Paul Trussell, Adrian Scarborough, Andrew Havill, Charles Armstrong, Roger Hammond

Nesta minha volta às críticas sobre a Sétima Arte, depois de um longo e tenebroso inverso lotado no departamento médico, resolvi escolher o filme que foi o grande vencedor do Oscar 2011, “O Discurso do Rei”. Mesmo não sendo mais uma película atual, achei necessário que ele fosse comentado.

O filme de Tom Hooper é daqueles que parecem ter sido feitos para levar o Oscar, isto pensando-se nas receitas antigas que sempre agradaram aos votantes da Academia, já que nos dois últimos anos o prêmio de Melhor Filme havia ficado com produções independentes, numa clara tentativa política da Academia de provar que também é cool e que sabe ser flexível. Bem, agora a realidade voltou, e o escolhido foi o ótimo “O Discurso do Rei”, com sua peculiar história real sobre um rei britânico que não conseguia discursar devido à gagueira, problema teoricamente não tão importante numa pessoa comum, mas desesperador num chefe de Estado, que precisa se dirigir ao seu povo.

Colin Firth vive o futuro Rei George VI (1895 – 1952), pai da atual rainha Elizabeth II. Chamado de Bertie pelos íntimos, ele estava atrás de seu irmão mais velho, Edward (1894 – 1972), para suceder ao pai, Rei George V (1865 – 1936) no trono das Ilhas Britânicas. Mas quando o velho rei faleceu, Edward (vivido por Guy Pierce) abdicou do trono, por estar apaixonado por Wallis Simpson, uma norte-americana divorciada por duas vezes, e que obviamente jamais poderia ser considerada adequada para se juntar à realeza. O que o filme não disse também é da simpatia que Edward nutria pelo nacional-socialismo germânico, mas esta já é outra história…

O mundo às portas da Segunda Grande Guerra e toda a responsabilidade de ser rei caiu nas costas de Bertie , que era simplesmente incapaz de falar às grandes massas. Sua última esperança era um fonoaudiólogo autodidata – sem diploma – chamado Lionel Logue (papel de Geoffrey Rush), que havia sido indicado à Bertie por sua esposa Elizabeth (vivida por Helena Bonham Carter) ainda antes da coroação. No início quase antagonistas, com o tempo surge uma grande amizade entre os dois, enquanto Logue vai conseguindo, com seus métodos nada ortodoxos, pouco a pouco derrotar a gagueira do rei.

Sim, esta pequena parte dos livros de História acabou rendendo um grande filme, calcado nos ótimos diálogos, na direção espetacular e principalmente na atuação soberba dos dois protagonistas, que dão um show à parte.

Colin Firth tem sua melhor atuação na carreira, uma interpretação magnífica, ao mesmo tempo frágil e imponente, e acabou sendo merecidamente vencedor do Oscar de Melhor Ator por este papel. Simplesmente irretocável. Uma curiosidade é que o papel foi oferecido primeiramente a Paul Bettany, que deve se arrepender até hoje por tê-lo recusado…

Geoffrey Rush, que além de atuar foi também o produtor da película (aliás, originalmente esta história seria contada nos palcos e não na big screen, mas depois que a leu, Rush fez questão de levá-la para o Cinema), tem uma atuação portentosa, rivalizando com a de Firth. É incrível a química entre os personagens, e todas as vezes em que estão juntos contracenando, o filme se engrandece.

Coadjuvando com esmerada competência temos Helena Bonham Carter, que está muito bem como a Rainha Elizabeth. É até estranho ver Helena em um papel “normal”, depois de vê-la tanto tempo interpretando os papéis surreais em que o maridão Tim Burton a coloca. Merecida indicação ao Oscar por sua atuação.

A Direção do jovem cineasta Tom Hooper é irrepreensível. De extrema qualidade técnica, com cada detalhe planejado e beirando à perfeição, ele soube tirar o melhor dos ótimos elenco e roteiro (este escrito por David Seidler) que tinha nas mãos. Acabou sendo recompensado com o Oscar por seu belo trabalho.

A Fotografia, de Danny Cohen, é clássica, e casa perfeitamente com a Direção de Arte inspirada de Eve Stewart. Juntas formam outro ponto forte da produção.

A Trilha Sonora coube a Alexandre Desplat e, mesmo discreta, é marcante.

Não concordei com a Academia, que considerou “O Discurso do Rei” o melhor filme do ano passado (os três melhores, para mim, foram “A Origem”, “A Rede Social” e “Toy Story 3″), mas sem dúvida alguma este longa merece figurar entre os grandes. É um clássico instantâneo, e por isso mesmo, imperdível.

 DALTO FIDENCIO

 nils satis nisi optimum

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Filed in: Cinema

3 Responses to "O DISCURSO DO REI (The King’s Speech)"

  1. dalto disse:

    Elizabeth em 29/05/2011 às 00:09 disse: Estou muito feliz com a sua volta. Ficar sem as suas críticas semanais é muito triste, lamentável!
    Abraços Mil!

  2. dalto disse:

    Dalto em 30/05/2011 às 11:14 disse: Virei ambidestro só pra poder voltar a escrever pro Entrementes… rs! Espero ficar com vocês até 21/12/12, Beth! ;)

  3. dalto disse:

    Elizabeth em 06/06/2011 às 00:29 disse: Eita!
    Também espero estar entre-as-mentes sequiosas de saber até o final dessa era de ferro. Essa data está muito próxima hehehe!!!

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