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O GRUPO BAADER MEINHOF (Der Baader Meinhof Komplex)

O GRUPO BAADER MEINHOF (Der Baader Meinhof Komplex)
De Uli Edel, 150 min

Der Baader Meinhof Komplex
Drama
Direção: Uli Edel
Roteiro: Stefan Aust e Bernd Eichinger
Elenco: Sebastian Blomberg Moritz Bleibtreu Johana Wokalek Martina Gedeck Bruno Ganz

Baseado no livro homônimo de Stefan Aust (que também assina o roteiro, ao lado de Bernd Eichinger), este foi o candidato alemão ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, que acabou derrotado pelo nipônico A Partida. Mas derrota mesmo sofrerá quem não assistir a este excepcional exemplo de Cinema na acepção da palavra.

Uli Edel (Eu, Christiane F., 13 anos, Drogada e Prostituída) reuniu o que de melhor há no cinema alemão para o elenco de seu filme, nomes estes que irei citando ao longo de minha crítica. A trama fala da história real do grupo terrorista de ideologia marxista-leninista, que marcou época durante quase uma década na Alemanha, nos anos 70 do século passado. O nome oficial era RAF (Rote Armee Fraktion – Facção Exército Vermelho), mas o grupo ficou mesmo conhecido pelo sobrenome de dois de seus três protagonistas: Baader Meinhof.

O ano é 1967, e os ânimos da população de Berlim estão mais do que exaltados, depois que um estudante foi morto numa manifestação anti-Estados Unidos. E o barril de pólvora detona quando os jovens vão às ruas protestar contra a visita do Xá da Pérsia, Rheza Palevi. A forte repressão policial acaba por agredir covardemente os manifestantes. Pouco depois, o líder esquerdista Rudi Dutschke, vivido por Sebastian Blomberg, sofre um atentado de um fanático de extrema direita. A guerra está lançada. Somos apresentados ao carismático e desequilibrado Andreas Baader, vivido de forma perfeita por Moritz Bleibtreu (do cult Corra, Lola, Corra), sempre com uma impressionante expressão alucinada nos olhos, e à sua namorada Gudrun Ensslin, numa riquíssima interpretação de Johana Wokalek. Eles são presos após um atentando à bomba em uma loja, e assim acabam por conhecer a jornalista Ulrike Meinhof, soberbamente vivida por Martina Gedeck (A Vida dos Outros), talvez a maior interpretação do filme. Ela, que já tinha ideologia esquerdista, aos poucos vai simpatizando com a política do casal, de que apenas palavras não são mais suficientes, é preciso algo mais radical. Meinhof abandona o marido e as filhas e se junta ao grupo terrorista, que assim viria a ficar conhecido como Baader Meinhof. Outro forte personagem na trama é o chefe de polícia Horst Herald, interpretado pelo sempre ótimo Bruno Ganz (A Queda – As Últimas Horas de Hitler), que tem a missão de caçar os terroristas.

A caracterização dos personagens é perfeita, e a direção de Edel, exemplar. Ele – e os roteiristas, claro – não deixaram a história cair para o lugar-comum dos filmes de ação desenfreada, explosões mirabolantes e um fiapo de trama, o que fatalmente teria ocorrido se este fosse um filme de Hollywood.

Mas esta pérola alemã é muito mais que do isto. É Cinema de primeira grandeza, político, psicológico, que ensina e ao mesmo tempo faz pensar.

A bela trilha sonora é de Peter Hindertheir e Florian Tesstoff, e a Fotografia muito competente é assinada por Rainer Klausmann.

Se fosse uma produção comercial norte-americana (ou indiana…), O Grupo Baader Meinhof teria levado uma coleção de prêmios da Academia para casa. Sorte dos fãs do bom Cinema, que ele é muito mais do que isso! Simplesmente imperdível.

Missão cumprida. Crítica semanal escrita… agora posso desligar o computador e relaxar, ouvindo Legião Urbana. Qual música? Baader Meinhof Blues, claro…

“A violência é tão fascinante/E as nossas vidas são tão normais… Mas você viu esse filme também.”

DALTO FIDENCIO
nils satis nisi optimum

http://twitter.com/DaltoFidencio

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Filed in: Cinema, Dalto Fidencio

2 Responses to "O GRUPO BAADER MEINHOF (Der Baader Meinhof Komplex)"

  1. dalto disse:

    Elizabeth em 6/9/2009 às 21:59:54 disse: A cada nova crítica, fico surpresa com a capacidade que tens para aperfeiçoar a tua escrita, a clareza e o encadeamento das idéias, mas principalmente pelo teu contagiante entusiasmo pelo cinema, dando relevância a cada detalhe da estrutura da Arte do Movimento. Parabéns, arrasou com a crítica desta semana, dando a entender que tem especial apreço pelo cinema alemão. A cada crítica que leio, fico na maior fissura para assistir o filme e já estou fazendo isso… O Entrementes agradece a tua preciosa colaboração!!! Abraços! Elizabeth

  2. dalto disse:

    Dalto em 9/9/2009 às 22:38:54 disse: Fico envaidecido com suas palavras, Beth! Aliás, seu comentário foi tão ou mais rico que minha crítica em si… rs! Sim, estás certa, sou apaixonado pelo cinema alemão, desde “Nosferatu – Eine Symphonie des Grauens” de F.W. Murnau. Abraços recíprocos!

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