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O Livro de Eli (The Book of Eli)

O LIVRO DE ELI (The Book of Eli)
De Albert e Allen Hugues, 118 min

The Book of Eli
Ação/Aventura
Direção: Albert e Allen Hugues
Roteiro: Gary Whitta
Elenco: Denzel Washington, Gary Oldman, Jennifer Beals, Mila Kunis, Ray Stevenson, Lora Martinez, Luis Bordonada, Tom Waits, Michael Gambon, Frances de la Tour

Depois de um hiato de alguns anos, desde que adaptaram a graphic novel de Alan Moore, “Do Inferno” para o Cinema (em 2001), os irmãos Hughes retornam ao trabalho, nos entregando este interessante “road-walking movie” (já que quase não tem carros…), que faz várias referências à 7ª Arte, em especial aos filmes de western.
Impossível assistir “O Livro de Eli” sem se lembrar do clássico cult “Mad Max”. Não apenas os carros são similares, mas os cenários pós-apocalípticos e principalmente, a Direção de Arte, lembram bastante o filme que lançou Mel Gibson ao estrelato. A Fotografia – de Don Burgess – é belíssima por sinal, é toda em tons “desérticos”, absolutamente perfeita para passar a idéia de um mundo árido, em ruínas, largado à própria sorte. Visualmente é primoroso, não resta dúvida, pena que a trama não possui a mesma profundidade… ela até começa bem, mas perde o fôlego perto do final, o que é uma pena.

 O roteiro é do estreante Gary Whitta. Ele nos mostra um mundo que foi arrasado por uma guerra sem precedentes, a civilização entrou em colapso, as cidades não passam de ruínas e o que restou da humanidade sobrevive num mundo sem leis, onde água e comida são produtos de luxo, o que obriga alguns a apelarem ao canibalismo.

 Somos apresentados desde o início a um viajante solitário, que carrega um livro em sua mochila, com o qual toma todo o cuidado possível. Impassível com o que ocorre ao seu redor, ele não se detém sequer para ajudar mulheres indefesas, seu único objetivo é seguir sempre em direção ao oeste. Posteriormente ficaremos sabendo que seu nome é Eli (vivido por Denzel Washington), e que ele está nessa missão por “30 invernos”, devido a uma voz pretensamente divina, que lhe indicou o paradeiro da última Bíblia existente no mundo, lhe disse para levá-la para o oeste, e que ele saberia quando tivesse chegado ao seu destino. A guerra que devastou o planeta foi provavelmente uma guerra santa, pois somos informados que não existem mais Bíblias pelo motivo de elas terem  sido todas queimadas (o que me fez lembrar o clássico “Farenheit 451”).

  Mas se Eli não quer problemas, os problemas parecem querer Eli… logo no início, numa cena de visual espetacular, com temática claramente inspirada nas HQs, ele enfrenta um grupo de canibais armado apenas com seu facão, tão afiado quanto as garras de adamantium de um certo mutante canadense. A sequência é graficamente sublime, e me lembrou bastante a obra-prima Sin City.

 Tudo se complica quando Eli chega num vilarejo, típico de filmes de faroeste. O líder local é Carnegie (vivido por Gary Oldman). Ele deseja expandir seus domínios, e por isso procura com obsessão por uma Bíblia, por achar que ela contém as palavras apropriadas para ele poder manipular mais facilmente as pessoas nesta nova ordem mundial. Claro que ele não demora a descobrir que o viajante possui o Livro tão desejado, e temos o conflito armado.

 Delicioso para os detalhistas será perceber homenagens à 7ª Arte, como quando um personagem assovia o tema de “Era Uma Vez na América”, composto pelo gênio Ennio Morricone, que criava músicas para os “westerns spaguetti” do mestre cineasta Sergio Leone.

 Na cidade de Carnegie somos apresentados também aos coadjuvantes da trama. Escravas do vilão, temos Claudia (vivida por Jennifer Beals) e sua filha, Solara (vivida por Mila Kunis, que é mais conhecida por ser a voz de Meg Griffin, na divertidíssima animação Family Guy – Uma Família da Pesada). Sempre é legal rever também Ray Stevenson, que encarnou  o novo Justiceiro, da Marvel, mas que sempre será lembrado por mim pelo seu icônico personagem Titus Pulus, da espetacular minissérie Roma, da HBO. Outra presença muito interessante é ver o veterano Malcolm McDowell, que faz um pequeno mas importante papel na conclusão da trama. Vale lembrar que McDowell viveu um dos mais cults personagens de filmes que retratam um futuro próximo, ninguém menos que Alex de Large, do superclássico de Kubrick, “A Clockwork Orange – Laranja Mecânica”. Em tempo, vale citar também a participação do casal de atores veteranos Michael Gambon e Frances de la Tour, que vivem respectiavemente George e Martha, um “simpático” casal de canibais.

 Mas as atuações do filme dependem mesmo é da segura performance do talentosíssimo Gary Oldman, que faz o que pode para abrilhantar o seu personagem nada marcante, já que Carnegie não foi bem construído pelo roteirista, é um vilão bastante cliché, com uma motivação que não convence ninguém.
E claro, a atuação de Denzel Washington é muito acima da média. Além da Fotografia e da Direção de Arte, ele é o grande destaque da película. Mesmo recebendo em mãos um personagem que está  longe da profundidade de seu talento, ele convence perfeitamente como o solitário e violento andarilho, que movido pela fé religiosa, não deixa que nada se interponha em seu caminho. E se já não bastasse as cenas dramáticas, ele também tira de letra todas as de ação, que são muitíssimo bem coreografadas, diga-se de passagem. Washington é um grandíssimo ator.

 A trama segue interessante até perto do final, com bom ritmo… pena que perde quase toda a força com o final morno e arrastado, mas que ao menos não é nada previsível.
Interessante também é ver que o vilão deseja usar a religião não para salvar, mas para manipular e dominar mais facilmente os seus semelhantes… para bom entendedor, meia palavra basta.

 Se “O Livro de Eli” fica longe de ser uma obra-prima, com seu roteiro superficial e pouco trabalhado, também fica longe de ser um filme ruim. É visualmente impactante – com suas tomadas em planos- sequência – e uma boa diversão aos que gostam de filmes de ação e violência, com potencial para virar cult.
Vale a pena caminhar junto a Eli rumo ao pôr do sol…

Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:

Sala 2: 19h50 (Legendado)

www.cinesystem.com.br/page/index.asp

DALTO FIDENCIO
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 http://twitter.com/DaltoFidencio

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