30/07/2011
O POETA E O REVOLUCIONÁRIO
Na sexta, 8 de julho, os metalúrgicos do ABC se uniram aos da Capital e pararam a via Anchieta. Como o trânsito andou bem, a grande imprensa logo esqueceu o assunto! O movimento saiu em defesa do emprego e contra a excessiva importação de peças, que algumas montadoras de autos vêm fazendo. Ao saber das reivindicações, pensei em fazer uma provocação à CUT.
Minha ideia faz parte de um debate a respeito da relação entre prática política e mentalidades nesse mundo globalizado; mundoeste que vem se mostrando, talvez por modismo, crente demais no poderda internet como instrumento de transformação. O assunto esquentou ainda mais com a questão dos jovens indignados, que vêm se manifestando em diversas partes do mundo. Confesso que não simpatizei com a noção sociológica de indignados, já que indignação é apenas um estado de espírito, que passa assim que o opressor tira o bode da
sala; precisamos mais!
Tenho defendido dois pontos de vista:
1. Que o debate sobre o Brasil da atualidade não fique centrado apenas na conjuntura econômica mais imediata; menos ainda no moralismo generalizante – contra os políticos e a política das tais classes médias, sem rosto, tradicionalmente medrosas, pessimistas e muitasvezes manipuladas pelas forças conservadoras. A internet tem sido o seu grande meio de expressão;
2. Que alguns movimentos e segmentos sociais, em particular o movimento sindical com maior peso e tradição histórica (por isso me volto para a CUT), cumpram o papel central de propor pautas e levantar bandeiras nacionais em oposição às levantadas pelos conservadores.
Também tenho me voltado para a esquerda católica, que praticamente desapareceu do mapa, depois que a direita do catolicismo mundial entrou aqui fazendo ameaças e denunciando que os progressistas faziam política, ao invés de religião. Por que não inverter o discurso na atualidade e recuperar terreno, agora que ela, direita, escancarou que o seu reino também é deste mundo?
O Brasil vem crescendo cada vez mais em importância política nesse confuso mundo atual. Por que não darmos mais um passo essencial para a nossa própria libertação agora no quesito indignação, colocando nas mãos da nossa juventude bandeiras capazes de apaixonar e fazer despertar os sonhos da maioria, dos quais penso que
fazem parte as bandeiras levantadas no protesto de sexta-feira?
Com os trabalhadores nas ruas, aí sim, essas e outras bandeiras, claramente contrárias às dos especuladores, privatistas e entreguistas, entre outros inimigos históricos do nosso povo, poderiam ganhar força e legitimidade também nas redes sociais. Os jovens trabalhadores saberão ajudar nisso!
Ninguém melhor que o movimento sindical para puxá-las, com a legitimidade histórica que tem e o compromisso que precisa ter.
Ninguém melhor do que o Movimento Sindical do ABC e a CUT para sair na frente e provar que é possível!
Como disseram o poeta e também o velho revolucionário: Quem samba fica, quem não samba vai embora!






