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O PRÍNCIPE DA PÉRSIA – AS AREIAS DO TEMPO (Prince of Persia – The Sands of Time)

O PRÍNCIPE DA PÉRSIA – AS AREIAS DO TEMPO (Prince of Persia – The Sands of Time)
De Mike Newell , 116 min

Prince of Persia – The Sands of Time
Ação/Aventura
Direção: Mike Newell
Roteiro: Doug Miro, Carlo Bernard, Boaz Yakin, Jordan Mechner
Elenco: Jake Gyllenhaal, Gemma Artenton, Ben Kingsley, Alfred Molina, Toby Kebbell, Richard Coyle, Ronald Pickup

Adaptações de games para o Cinema geralmente acabam sendo infelizes… tirando raríssimas exceções, como o bom “Silent Hill”, o que se vê são desastres como “Doom”, “Alone In The Dark”, “SuperMario Bros” e claro, o ícone às avessas “Street Fighter”. Isso ocorre basicamente devido ao fato de os estúdios colocarem profissionais que simplesmente não conhecem a fundo o material que está dando base ao filme, e por isso são incapazes de extrair todo o potencial da história do game em si. Em suma, falta contrarem mais nerds/geeks em Hollywood…
Em busca de uma nova franquia bilionária, a Disney chamou o megaprodutor Jerry Bruckheimer (o homem por trás da trilogia de enorme sucesso, “Piratas do Caribe”) para a adaptação deste superclássico dos games, que nasceu em 1989 nos PCs e depois migrou para os consoles. Sou fã confesso de “Prince of Persia” desde a primeira versão.

 Bem, e não é que, se não tivemos um filme memorável, ao menos ele conseguiu escapar da “maldição” e se apresenta como uma boa e divertida produção? Só que curiosamente, ele diverte e frusta os fãs do game ao mesmo tempo… diverte porque as peripécias físicas do príncipe (que, diferentemente dos games, agora tem nome – Dastan) estão presentes, com movimentos claramente tirados do Parkour. Imediatamente lembramos das acrobacias que o protagonista faz nos games dos consoles. Ficou demais! Mas frusta por terem alterado a história, e não podermos ver o príncipe enfrentar nenhum dos inimigos “infectados” pelas Areias do Tempo, como já ocorre desde o início nos games Prince Of Persia: The Sands Of Time, Warrior Within e The Two Thrones.
O diretor é Mike Newell (Harry Potter e o Cálice de Fogo), que fez um trabalho bastante razoável com esta adaptação, apesar de não conduzir nenhuma atuação marcante.
A trama conta a história de Dastan (vivido por Jake Gyllenhaal), um príncipe da antiga Pérsia, que ainda menino foi adotado pelo rei Rei Sharaman (vivido por Charlie Banks, quando jovem e por Ronald Pickup, quando adulto), que havia ficado admirado com a coragem do jovem, e o leva para ser criado em seu palácio, sem distinção de tratamento com seus filhos legítimos. Dastan cresce para se tornar admirado por todos, respeitado como um grande guerreiro.

 Aí entramos numa parte política do roteiro que achei desnecessária, numa alusão ao ataque norte-americano ao Iraque… não vou entrar em maiores detalhes, mas vocês saberão do que eu falo logo no começo do filme.
Voltando ao que interessa, pouco depois da conquista de um reino vizinho – Alamut – Dastan acaba sendo traído e acusado de assassinato injustamente, o que faz com que o príncipe, agora caçado por todos, torne-se um fugitivo, sempre com a companhia da princesa Tamina (vivida por Gemma Artenton), regente de Alamut, que deseja secretamente recuperar um objeto místico que Dastan tomou para si quando no ataque a Alamut, uma adaga muito especial, que tem o poder de fazer o tempo recuar alguns instantes, quando “abastecida” com as Areias do Tempo.

 Se não temos um primor de atuação dos protagonistas, ao menos o casal tem ótima química entre si, nos entregando interpretações seguras, que não comprometem. Dastan luta para encontrar o verdadeiro assassino e com isso limpar seu nome, e ao mesmo tempo, terá que impedir que as Areias do Tempo sejam liberadas em nosso mundo, o que causaria a destruição do mesmo.

 Já que estamos falando de atuações, destaque para Alfred Molina, que vive o divertido Sheik Amar… ele garante as melhores piadas do longa.
Ben Kingsley vive o soturno príncipe Nizam, irmão do rei Sharaman, e consequentemente, tio adotivo de Dastan. Ele entrega uma atuação competente, mas nada marcante… em suma, mais do mesmo.
Como não podia deixar de ser, já que falamos de uma produção com a assinatura de Bruckheimer, os cenários são grandiosos, imponentes, as cenas de ação são competentes, os Efeitos Visuais são de muita qualidade e a Direção de Arte é digna de aplausos. Já a Fotografia (de John Seale), se não fica no mesmo degrau, não compromete, principalmente quando a lente abusa das belíssimas paisagens do Marrocos – onde a película foi rodada – usando belos tons de Iluminação. A Trilha Sonora ficou a cargo de Harry Gregson-Williams, que fez um ótimo trabalho, principalmente nas cenas de ação, onde os temas musicais orientais reinam.

 ”O Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo” é um bom filme de ação e aventura, bem ao gosto da Disney, indicado à toda família. Mas se o objetivo era conseguir um novo “Piratas do Caribe”… bem, aí ele não foi alcançado. A trama passa longe da criatividade da trilogia anterior de Bruckheimer, e Dastan é um herói divertido e estiloso, mas comum, nada marcante. Nem de longe pode ser comparado a genial criação de Johnny Depp – Jack Sparrow. Mas o resultado final é positivo, e merece ser assistido.

Recomendo, tanto aos fãs do game, quanto aos não-iniciados.

Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:

Sala 5: 14h30, 17h10, 19h35 (Legendado)

Horários válidos até 08/07/10

DALTO FIDENCIO
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