14/07/2010

O tempo passa, o tempo voa, e os malandros continuam garfando a cultura numa boa. O texto de jornalista Franklin Jorge, escrito em 2005, continua atualíssimo:
“Os gigolôs da cultura
Gerenciada por tarefeiros sem distinção intelectual, a cultura oficial vigente ignora soberbamente que há novos modos de ver e pensar, muito mais ricos e instigantes do que esse feijão-com-arroz servido pelas instituições, sob sucessivos governos que têm em comum a incapacidade de compreender o fenômeno cultural em toda sua grandeza.
Hoje, nossa cultura é predada por apadrinhados ávidos que a restringem em vez de ampliá-la. Uma gente sem compromisso e que só pensa em locupletar-se das benesses e lantejoulas proporcionadas pelo poder.
É suficiente observá-los, como se vestem e se comportam, no trato com a cultura e os produtores culturais, para sabermos que não são do ramo e que ali estão colocados apenas para embolsarem gordos salários e mordomias a que os artistas, como cidadãos de terceira categoria, jamais terão acesso.
Instituições como guetos – Amadores tacanhos e medíocres confundem “arte popular” com “manifestações folclóricas” e identificam “popular” com “democrático”, além de alimentar uma ojeriza mórbida à “erudição”, erroneamente entendida como “elitismo”. E, assim, vão as instituições empurrando a cultura com a barriga e deixando rolar.
O filósofo Olavo de Carvalho, em texto lúcido e pertinente publicado em Continente Multicultural, observa que, nesse contexto perverso e estéril que insiste em se transformar em norma, cantores pop milionários são vistos como personificações dos “excluídos”, enquanto professores esfarrapados e eruditos, sem sapatos, são representantes da elite.
Desfrutadores das tetas vitalícias do Estado, esses gigolôs limitam-se, ao longo da nossa história, a promover atividades primárias e a obsequiar o populismo, pois, evidentemente, lhes falta, além da capacidade de empreender e realizar, repertório cultural e refinamento, duas ferramentas necessárias à consecução de uma política cultural séria, antenada com realidades distintas e interativas.
Resumindo - Para não enfastiar o leitor com obviedades, resulta dessa visão caolha uma ação cultural descuidadamente redutiva e alienada a serviço dos interesses desses dirigentes desinformados, mais do que da própria comunidade – sempre burlada em seu direito ao biscoito fino da cultura.
Vemos assim dirigentes culturais que nunca entraram num museu ou assistiram a um concerto nomeados por conveniência de grupos políticos alheios à essência mesma da cultura e indiferentes à sensibilidade e ao discernimento, coisas que não se pode ensinar e que não se adquire por decreto nem por osmose.
Arrogantes e manipuladores - Esses gigolôs da cultura transformam as instituições em guetos aos quais somente os artistas, como vocacionados obsessivos, podem sobreviver, pois, como disse Camille Paglia, carreiras longas e produtivas não constituem ocorrências aleatórias. Resultam, como sabemos, não de favores nem de espontaneísmo, mas de trabalho persistente a serviço do talento.”
Arrombando as catacumbas – Por que ninguém quer falar sobre esse tal Cassiano Ricardo Leite. Por que será que Cassiano não usava o Leite, paterno? Será que não tolerava as canjibrinas que o pai ingeria a mais, ou pelos sopapos que a mãe, de quando em sempre, recebia do genitor, segundo as más línguas?
Pelo sim, pelo não – O joseense tem o direito de conhecer mais sobre a vida do cidadão que dá o nome à Fundação Cultural. Inclusive determinadas passagens onde ele é apontado como dedo- duro da ditadura Vargas, juntamente com Maurício Loureiro Gama e outros.
Na próxima, vamos escarafunchar a vida de Cassiano Ricardo Leite, desde o seu nascimento, em São José dos Campos, sua ida, ainda menino, para São Paulo com a mãe e outras cositas. Basta pesquisar no Google para encontrar muita coisa sobre aquele que está enterrado no maltratado jazido da família Leite, no Cemitério Municipal, no centro de São José dos Campos.
Enquanto isso – Resta curtir a falta de Paulo Moura, músico-poeta-maior.
Ricardo Faria






