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Os Mercenários (The Expendables)

 

 

OS MERCENÁRIOS (The Expendables)
De Sylvester Stallone, 103 min

The Expendables
Ação
Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Sylvester Stallone e Dave Callaham
Elenco: Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Eric Roberts, Randy Couture, Steve Austin, David Zayas, Giselle Itié, Gary Daniels, Terry Crews, Mickey Rourke, Arnold Schwarzenegger, Bruce Willlis
 

 

 

 

 

 

Nos anos 80, o Cinema comercial norte-americano foi muito influenciado pela política belicosa do governo de Ronald Reagan. Foi a Era de Ouro dos filmes-testosterona, onde imperava os roteiros simplistas e a violência desmedida. Foi o auge das carreiras de atores com talento dramático (muito) discutível e com bíceps bombados, como Sylvestr Stallone, Arnold Schwarzenegger, Jean-Claude Van Damme, Chuck Norris, Dolph Lundgren, entre outros. Era a força da Direita Republicana dando as cartas também nos cinemas. Tempos da Guerra-Fria.
Bem, os tempos são outros (ainda bem), mas, aproveitando-se da onda de valorizar cada vez mais os revivals, Stallone teve uma idéia interessante: tantar juntar todos os brucutus que fizeram sucesso na época mas que vivem no limbo agora, para uma espécie de homenagem àqueles filmes, pois com certeza os fãs desses caras iriam adorar vê-los juntos na tela, mesmo eles estando com a data de validade há muito vencida. Obviamente, foi utopia pensar que “todos” topariam, mas o velho Sly até que conseguiu juntar uma galera legal! O “Governator” Schwarzenegger topou fazer uma ponta, numa cena que reúne também ninguém menos que Bruce Willis. Nunca pensei que um dia veria na mesma tomada Rambo, o Exterminador e John McClane juntos! Pena que ocorreu com duas décadas de atraso. Estão na empreitada, em papéis maiores: Jason Statham, Jet Li, Mickey Rourke, Dolph Lundgren e Eric Roberts. E a trupe ainda foi reforçada por astros das artes marcias dando uma de atores, como Randy Couture (MMA), Steve Austin (luta-livre) e Gary Daniels (kickboxing).
Muitos outros nomes foram tentados, mas acabaram não participando: Jean-Claude Van Damme recusou um papel por considerá-lo sem profundidade (cá entre nós… qual personagem da carreira do belga teve mais profundidade que um pires?). Wesley Snipes teria participado vivendo o persobagem Hale Caesar, mas seus problemas com a justiça ianque (condenado por sonegação de impostos) o impedem de sair dos EUA, com isso, o papel ficou com Terry Crews. Steven Seagal foi convidado também, mas recusou. Uns dizem ser problema na agenda, mas na realidade foi por divergência com a produção do filme. Kurt Russel foi convidado a viver o Sr. Church, mas recusou e o papel acabou ficando com Bruce Willis (bem mais cool, diga-se de passagem).
Como é de seu costume, Stallone, além de estrelar a película, assinou também a Direção e o Roteiro (este em dupla com Dave Callaham). Bem, não sei se posso dizer que realmente exista um Roteiro em “Os Mercenários”… é apenas um fiapo de trama, repleta de clichês oitentistas (ditador em pequeno país latino, mocinha revolucionária, herói que arrisca a vida para salvar a dita cuja, etc.). Vamos à trama:
Barney Ross (vivido por Stallone) é o líder de um grupo de mercenários que é contratado por um empregador misterioso chamado Sr. Church (personagem de Bruce Willis). A missão é infiltrar-se numa ilha-estado fictícia, governada por um ditador, o General Garza (vivido por David Zayas, que você conhece da excepcional série “Dexter”), que tem o apoio financeiro de Monroe (vivido por Eric Roberts) um “businessman” norte-americano interessado no narcotráfico. Eles devem derrubar Garza do poder. Chegando lá para um reconhecimento do local, Ross conhece Sandra (a mexicana/brasileira Giselle Itiê), a filha do ditador, que é contra a política de seu pai e sonha com um país livre. Perseguidos pelo exército do ditador, ele e seu parceiro Lee Christmas (vivido por Jason Statham) conseguem escapar por pouco, mas Sandra se recusa a ir com eles, preferindo ficar e lutar por seu país. A missão é cancelada, mas Barney, numa motivação sem pé nem cabeça, não consegue viver tranquilamente nos EUA sabendo que Sandra corre perigo em seu país, e decide voltar lá para salvá-la, mesmo que para isso tenha que voltar sozinho. Vejam bem, ele sequer chega a formar um par romântico com ela, então nem posso chamar ambos de “casal”, mas se chamasse, seria sem dúvida o casal de pior química da história do Cinema. Como falei antes, a motivação para a missão é absurda. Claro que os amigos de Ross não o deixam na mão e o acompanham na empreitada… e tome Bao Thao (Jet Li), Lee Christmas, Hale Caesar (Terry Crews) e Toll Road (Randy Couture) embarcando para explodir metade da ilha-estado, e sem ganhar nenhum macaco de lembrança…
Tool, o personagem de Mickey Rourke fica de fora, pois já está aposentado… e Gunnar Jensen, personagem de Dolph Lundgren… bem, prefiro não entregar a história toda, ainda mais num filme quase sem história.
De longe quem está melhor na película é Statham… e sem dirigir um carro à toda! Mickey Rourke também faz seu papel com desenvoltura, dando boa carga dramática a ele.Os demais apenas atuam  no automático, atirando, explodindo e socando tudo que aparece pela frente.
Giselle Itiê, que na briga pelo papel teve que bater Cléo Pires, Juliana Paes e Guilhermina Guinle, fez bem sua parte. Se não brilha, ao menos não compromete em nenhum momento. O fato de formar um péssimo casal com Stallone é culpa do roteiro, não de sua atuação.
Um detalhe curioso: como todos sabem, parte das filmagens foram feitas no Parque Lage, no Rio de Janeiro e também na fluminense Mangaratiba. Bem, atentem para a hora em que Ross e Sandra estão numa caminhonete branca rodando pelas ruas da republiqueta latina… pode-se ver perfeitamente a placa brasileira no veículo!
A tradução do nome original do filme seria algo como “Os Descartáveis”… algo que casa bem melhor com a produção do que o nome escolhido por aqui. “Os Mercenários” vale pela nostalgia de se ver velhos astros juntos na tela, tentando resgatar a glória perdida, ou mesmo homenageando-a, mas apenas por isso. O roteiro é sofrível, a direção é fraca e os personagens simplesmente não possuem desenvolvimento algum. Pelo menos tem sangue e violência pra fazer inveja em qualquer Banco de Sangue por aí. Quem for fã dos filmes de brutamontes dos anos 80 pode até gostar, mas é necessário desligar o cérebro para assistí-lo… quem conseguir fazer isso, até pode se divertir e não considerá-lo… descartável.

Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:

Sala 1: 22h05 (Legendado)

Horários válidos até 16/09/10

DALTO FIDENCIO
nils satis nisi optimum

http://twitter.com/DaltoFidencio

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Filed in: Cinema, Dalto Fidencio

2 Responses to "Os Mercenários (The Expendables)"

  1. dalto disse:

    Nina em 13/09/2010 às 08:23 disse: Dalto, por favor, não se ofenda com a pergunta, mas vc não prestigia filmes nacionais?

  2. dalto disse:

    Dalto em 15/09/2010 às 10:04 disse: Não me ofendo de forma alguma, é uma pergunta mais do que válida. Realmente estou em falta com o Cinema Nacional nas minhas Críticas. Tenho que mudar isso! Mas vale dizer que coloco CIDADE DE DEUS entre os 20 maiores filmes que vi na vida, ;)

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