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Os portais de Ferreira Gullar

 

Por Joka Faria

02/06/2010

Não conseguirei começar um texto sem falar de um bate papo com o poeta Ferreira Gullar nos auge de seus oitenta anos. Tem uma sensibilidade sem igual . Já me deparei com alguma parte de suas obras, já li belos ensaios no caderno Mais da Folha de São Paulo. Li seus poemas no colegial, mas deparar com o poeta frente a frente é outra coisa. Tive o prazer junto com Edu Planchez de encontrar e conversar com ele na Academia Brasileira de Letras, mas ontem ouvir suas histórias de vidas foi maravilhoso. Geralmente qualquer palestrante tem uma palestra montada, mas o lugar e as circunstancias mudam.

Ferreira Gullar nos falou com sabedoria sobre Capitalismo e Comunismo mostrando que já esta a frente destas bobagens em que às vezes ainda acreditamos. Falou da morte e da bobagem que é ter muito dinheiro sem saber dividir. Ele é uma figura de um carisma impecável. Nos contou sobre seu processo de criação da poesia das exigências que faz com o poema de seu critério de seleção de saber cortar o poema que não tem a qualidade necessária para se entrar num livro. Colocou suas habilidades de critico de arte falando do fazer e fazendo uma bela critica sobre as vanguardas do século vinte. E as bobagens que fazemos e chamamos de arte. Tudo isto por causa de um cara que se chamava Duchamp e um bidê num museu. Colou que o movimento que ajudou a criar do neo concretismo é a primeira contribuição da arte feita no Brasil para o mundo nos fez entender que a Semana de Arte Moderna e o MODERNISMO BRASILEIRO só traduziu o pensar Europeu para estas terras Tupiniquins.

E por intervenção do público no caso o poeta Braga Barros, falando da terra onde nasceu Amilca de Castro ele nos falou do convívio que teve com este amigo ai sim se emocionando e contando-nos do convívio com ele outros na Revista Manchete sim, ele também é jornalista e na bela cidade do Rio de Janeiro faziam uma revista de circulação nacional. Mil faces deste escritor que ontem foi anunciado quando estava na casa onde Monteiro Lobato viveu que merecidamente ganhou o Premio Camões, sem dúvida nenhuma Ferreira Gullar e´um escritor que entra na historia da literatura tendo contribuído com sua enorme sensibilidade para as letras universais. Esbanjando saúde e lucidez no seus oitenta anos ele ainda tem muito a nos passar. Por pouco não vou hoje a São Bento escultar suas histórias e saborear de sua sabedoria.

Ontem cheguei em casa fiz minha meditação e não quis saber de televisão, nem internet ou livros já havia me alimentado bem com sua sabedoria.

Este fim de semana de convivio com muitos escritores no Festival da Mantiqueira nós dá o ânimo necessário para continuar nesta vida de escritor e ativista cultural. É um mundo onde se aprende muito dando força a nossas almas, mas também de muitas ilusões e vaidades. É difícil manter um pé neste universo e no chamado mundo real, onde devemos ganhar nossa vida e o suado pão do dia a dia, mas vamos seguindo como canta Caetano Veloso, Sem lenço nem documento nada nos bolsos ou na mão eu vou porque não ?

É estamos ai vivos enfrentando nossos desafios e o contato com Ferreira Gullar mas fez lembrar do convívio com José Omar de Carvalho um poeta que viveu nesta cidade.  Hoje andamos órfãos de figuras como José Omar e algumas horas com Ferreira Gullar já valeu muito. A primeira figura da literatura nacional que assisti uma palestra na minha escola foi Ignácio Loiola Brandão lá nos anos oitenta e me recordo até hoje.

Quantas pessoas ontem que se depararam a primeira vez com um poeta da envergadura de Ferreira Gullar?

Ele abriu portais agora basta nós atravessá-los.

João Carlos Faria

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Filed in: Esoterismo, Filosofia, Joka, Literatura

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