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Os três dias

16/02/2010

Pode parecer exagero, loucura ou paranóia, tentar através do verbo, explicações para  as mais frívolas situações.
Necessito das questões muito mais do que respostas. Busco o âmago das coisas, como uma condenação. Qualquer sensação, sentimento, pensamento ou ação, é  por mim dissecada e espremida, até a última gota. Uma sede grotesca!

Quanto dura uma sensação de prazer ou de dor? Apenas três dias! Esvai-se todo êxtase e o sangue borbulha e extravasa-se em faíscas gozosas  ou dolosas.
A minha realidade é um sonho vago e por isso flutuo como uma pluma por essa vida marvada.

A sua figura tão clara e tão penetrante, embelezou meus cenários, causando espanto e admiração ao passearmos encantados debaixo das estrelas piscantes.
Viajamos e viajamos e vi o seu íntimo nas entrelinhas de suas aventuras. Apreciei seu olhar indiferente como um reflexo do meu.

Andava de mãos dadas comigo mesma sem plagiar o Lou Reed. Foi real demais para ser apenas um plágio. Afinal, tudo está no ar em movimento, só esperando o nosso toque cristalizador/catalizador.

Festejamos alguma coisa que não sei ao certo e acordei com uma sensação de prazer. Sua mão ainda segurava a minha e entremeio as duas, o brilho da pedra… a mão desaparecendo no anel.
O brilho da pedra ficou balançando em minha mente de forma permanente. O desejo de segurar sua mão aumentou o brilho. O toque real ansiado antes da evaporação dos três dias.
Onde está a explicação coerente para isso? Queira ou não, assim se faz!

Com ávida loucura, expresso da forma mais clara possível, a sensação de prazer ou de dor desencadeada em cada segundo de vida que pulsa nesses impulsos.
Quanta coisa advém de um segundo de lucidez e perdoem-me todos os seres vivos, por torná-los objetos desse meu eterno afã. Enquanto o silencio de todos permanece suspenso em meu peito, permito esse ato, afinal, dizem que “quem cala consente”, por isso continuo de forma leve e sem remorsos vãos.

Que o sol alaranjado dessa lucidez embriagante e que me faz em delírios conduza-me a expulsão do mim mesma.
Sustento até o terceiro dia esse emaranhado e então, a Natureza, em sua plena imparcialidade e sabedoria troque a casca, essa que perdeu o prazo de validade. É preciso uma nova pele e uma nova textura diante do dia e da noite para engendrar as sensações, agradando os tatos e os contatos. E isso, é um fato!

Elizabeth de Souza

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Filed in: Elizabeth de Souza, Esoterismo, Filosofia

2 Responses to "Os três dias"

  1. Elizabeth disse:

    Joca Faria em 02/03/2010 às 11:26 disse: Adorei estes seus trés dias… beijos insanos beijos…

  2. Elizabeth disse:

    Elizabeth em 05/03/2010 às 19:08 disse: Valeu Joca!
    Esses 3 dias levam a vida inteira…hehehe!
    Abração!

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