Dentro das artes e cultura na cidade de Cassiano Ricardo, o teatro continua a ser o carro chefe. A produção hoje quase sem nenhum apoio da instituição de cultura oficial continua de vento em popa. A classe teatral tem uma dedicação total ao fazer o seu trabalho. Talvez até sejam poucas pessoas, não me interessa quantificar e sim falar da diversidade e da riqueza destes grupos e pessoas que se fazem presentes. Entre eles destaca-se um grupo que teve a felicidade de montar uma peça de Plínio Marcos, Homens de Papel com direção de Reginaldo Nascimento o popular Zé Bundinha, hoje em dia fazendo e vivendo de teatro em Sampa. No caso, o Velhos Novatus . E presenciei a vez que este grande dramaturgo do teatro veio a cidade conferir sua montagem.O grupo hoje liderado pelo historiador Wangy Alves esta ai. É um grupo que tem suas raízes na cultura popular e identifica-se com a Zona Norte de São José dos Campos e ali faz suas pesquisas e monta seus espetáculos.
O pessoal de teatro, em geral, se dedica a formação continuada, através de oficinas e na vida acadêmica. O Brasil carece de um Fundo de Cultura Nacional para incentivar estes fazeres artísticos. Mas isto é uma longa luta que se faz neste pais. A Fundação Cultural Cassiano Ricardo de modo tímido e sem divulgação alguma, iniciou um projeto num espaço sem nenhuma sinalização , com teatro a preços populares. Que vergonha para uma instituição deste porte. Explorar a classe teatral jogando-os num espaço sem infra estrutura nenhuma. E vergonhoso ver uma cidade sem uma proposta de cultura que não esta antenada as reais necessidades da arte e cultura no século vinte e um. Ela não paga um cachê aos grupos e os deixe a mercê de uma bilheteria. Isto num pais que se concentra na indústria, é um absurdo. Precisamos incentivar estes homens e mulheres que dedicam suas vidas a arte. E não joga-los nos porões da instituições de cultura do pais. A peça que assisti neste sábado foi Coração Denunciador, um monologo feito pelo experiente ator Fernando M. Rodrigues baseado no mestre da literatura do século dezenove Edgar Alan Poe. É uma peça que quero rever devida a excelente atuação deste ator. Uma bela montagem onde se vê um teatro dos bons.
Gosto do fazer teatral , pois está longe de algo pré-fabricado que vemos na TV, no Cinema e até nos festivais de música. O teatro é no grande sentido ainda, uma arte artesanal o mais próxima dos anseios do homem do que esta fabricação que vemos na mídia a todo o momento. É por isto que vou a teatros, mesmo em espaços alternativos. Espero continuar sempre vendo este amadurecimento da cena teatral local que é bem articulada ao que se produz na capital. Que a Fundação repense sua política cultural e abra espaço para quem gosta de arte de opiniões. E faça São José um pólo irradiador de cultura. Que com o esforço pessoal e coletivo de nossos artista já o é. Assim faremos teatro,cinema, literatura. Estamos ai, somos Os Sobreviventes. Sucesso sempre as nossas atrizes e atores que se dedicam ao teatro. Irradiando esta tradição que vem desde a Grécia antiga que é retratar a humanidade em suas dores,desejos e amores. A arte nos torna humanos.
JOKA
joão carlos faria







Joka, esse artigo é um estímulo àqueles que não costumam ir ao teatro. Parabéns!!!