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Por entre as curvas dos caminhos sem volta

13/08/2010

O passeio foi longo e o frio em forma de vento, soprava em direções variadas. A minha vontade de saber, está para além dos meus limites, mas não desfaleço diante do obscuro. À noite, andei por aquele caminho de terra bem estreito, com um final tão escuro quanto um túnel com porta arredondada. Não entrei, tive medo, parecia gélido e repleto de criaturas estranhas e úmidas. Fiquei sob os lençóis, bem quietinha, esperando que os anjos me cercassem com um sinal de proteção.

Essa lúcida visão do mundo me acorda um pouco por dia, mas sua leal companheira embaralha todas as possibilidades de uma certeza qualquer. Esse paradoxo teima em flutuar diante das minhas retinas fatigadas pelo tempo.

Meus irmãos estão sempre comigo nessa desventura e contam sempre uma história para que eu possa dormir em paz. As histórias são como chamas de velas num quarto escuro. O limiar entre a Sombra e a Luz. Uma claridade que aponta e nos lança para um ponto qualquer, desapontando nossas vírgulas. E quando apertamos os olhos com firmeza, conseguimos visualizar as sombras. O claro e o escuro dançam na minha frente como uma obra de Rembrandt e fico feliz em ser eu e mais ninguém. Lembro-me então quando deitava a ouvir polonaises de Chopin, fitando uma tosca reprodução do Quarto de Van Gogh. Como amava o amarelo, tanto tanto, que pintaram meu campo áurico energético amarelo, mas o quadro foi quebrado no meio, como um meio de me comunicar, que tudo é ilusão. A ilusão que me cobre com seu manto fino e transparente, dá uma visão sutil e sóbria de tudo que toco com essas mãos de carne. Essas mãos que criam belas formas, para o deleite da alma.  Deslizo então, num carro amarelo pela Graciosa, vendo pontos de luz por entre as árvores que correm ao meu redor.

A única dose de sangue que já bebi foi feita com as uvas do meu quintal, aquelas que minha madrinha doava num gesto fraterno, emprestando de Dionísio, o gesto harmonioso de levantar a taça.
Essas viagens mexem com a gente…Cheguei ontem de Curitiba.
Elizabeth de Souza
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Filed in: Elizabeth de Souza, Esoterismo, Filosofia, Literatura

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