26/09/2011
Escrever para mim é uma questão orgânica, como respirar. Foi o que escrevi num poema “no que me falta a palavra/sou toda escrita”. “Escreviver” quem inventou foi o poeta concreto José Lino Gruwevald o termo virou uma espécie de slogan para os poetas de vanguarda. Se alguém quiser me conhecer, que leia os meus 15 livros, onde me revelo inteiro. Acredito que não exista poesia, onde não há revelações íntimas de quem escreve. Nunca fui de muita fala. Muito pelo contrário. Pessoas que falam muito me irritam profundamente. Adoro o silêncio. Minha fala é minha escrita. Convivo com as palavras cotidianamente, faz tempo. Até mesmo porque além de poeta, sou jornalista.
Estas palavras podem ser de uma beleza íntima ou podem também serem feias. Por exemplo: lua, luar, lual são palavras bonitas. Aliás, até em outras línguas. Luna, moon são igualmente belas. Palavras feias? Eu me recuso a escrever. Tais como nádegas. Um amigo meu, compositor em Sampa, foi certa vez censurado, porque numa das suas letras usou a palavra bunda ( uma palavra bonita) e o censor queria que ele usasse nádegas. Já imaginaram numa canção da MPB, a palavra nádegas? Continuo minha viagem pelo mundo das palavras.
Dailor Varela






