
RESIDENT EVIL 4 – RECOMEÇO (Resident Evil 4: Afterlife)
De Paul W. S. Anderson, 97 min
Ação/Ficção Científica
Como um fã declarado dos games homônimos criados por Shinji Mikami para a Capcom, sempre tive um pé atrás com as adaptações cinematográficas de Paul W. S. Anderson. Diretor deste e também do primeiro filme, de 2002 (“Resident Evil – O Hóspede Maldito”), e roteirista dos quatro, Anderson pegou apenas alguns elementos dos games, mas tirou o principal: o gênero Terror. Os filmes sempre foram de ação/ficção científica, apesar de contar com os monstros que adoramos destruir ao ligar nossos consoles.
Nunca houve aquele clima de suspense, aquela atmosfera amedrontadora, o terror psicológico que fez a franquia da Capcom ser tão amada mundo afora.
Este “Resident Evil 4″ segue a mesma toada… é um filme de muita ação, ótimos efeitos e algumas cenas espetaculares, mas de terror mesmo… nada.
Filmada com as revolucionárias câmeras FCS (Fusion Camera System – as mesmas usadas por James Cameron em “Avatar”), esta produção ao menos entrega um 3D de verdade, de altíssima qualidade, e não uma enganação como está virando moda em Hollywood, com filmes rodados originalmente em 2D e depois apenas (mal) adaptados para o sistema 3D, exclusivamente para se cobrar ingressos mais caros. Exemplos? As bombas “Fúria de Titãs” e “O Último Mestre do Ar”, que na verdade são em algo que eu batizei de “2D e ½”.
Anderson até que tem competência como diretor de cenas de ação, mas como roteirista ele é fraquíssimo, e isso também pode ser visto neste novo capítulo da franquia. Ele parece se interessar apenas em desenvolver a personagem de Milla Jovovich (que vive Alice), deixando todos os outros sem profundidade alguma. Talvez por ser casado com a bela atriz…
O fiapo de trama parte do final do terceiro filme. Alice vai ao Japão em busca de vingança contraa Umbrella Corporation, e leva à tiracolo as suas “irmãs-clones”. O começo é muito bem feito, com a chuva caindo impiedosa sobre uma japonesinha com estilo rocker, enquanto as pessoas passam ao seu redor apressadas, todas usando “umbrellas”, com uma tomada do alto. E daí partimos para cenas de ação ininterrupta. O diretor abusa de tomadas em slow motion, que ficam sublimes em 3D, e vemos as váias Alices em cenas de luta e tiroteio de tirar o fôlego. Impossível não lembrar de Matrix na hora… coisa que voltará a acontecer ao longo da película. Felizmente, Anderson usou esta parte inicial para se livrar das bobagens dos filmes anteriores, que foi dar poderes de super-heroína a Alice (já não bastava inventar uma personagem que nunca esteve nos games para ser a protagonista?) e também os já citados clones.
É preciso dizer que este é sem dúvida o filme que mais tem elementos dos games, principalmente de “Resident Evil 5″ (2009), mas também temos pitadas de “Resident Evil Code: Veronica” (2000).
Depois do início cheio de adrenalina, Alice ruma ao Alasca, em busca dos amigos que conheceu no filme anterior, que haviam ido para lá na esperança de encontrar a cidade de Arcadia, que seria o último refúgio livre da infecção do T-Virus. Lá ela encontra apenas Claire Redfield (vivida por Ali Larter, da série Heroes), sem memória… e nada de Arcadia. Elas voam no monomotor de Alice até Los Angeles, onde fazem um pouso forçado no alto de uma penitenciária. Ali ficam sabendo pelos poucos sobreviventes que usavam o local como fortaleza para escapar dos zumbis, que Arcadia não era bem uma cidade e que se encontrava bem próxima… sua missão: conseguir chegar até ela, passando por uma infinidade de zumbis no caminho.
Destaque para as lindas tomadas aéreas, valorizadas sobremaneira pelo 3D. O forte deste filme é o seu visual, sem dúvida.
Se já tínhamos Claire Redfield, agora finalmente outro personagem muito importante dos games ganha corpo no Cinema: seu irmão, Chris Redfield, vivido pelo competente Wentworth Miller (da ótima série Prison Break). Infelizmente, ele é muito mal aproveitado, seu personagem se resume a citar frases de efeito e a… planejar uma fuga da prisão! Só faltaram as tatuagens de Miller, e alguém chamá-lo de Michael Scofield.
Um dos inimigos mais legais do game está presente. Trata-se do carrasco Executioner, com um visual perfeito e impressionante. É com ele a cena mais cool do filme, num embate contra Alice e Claire. Só que, mais uma vez devido ao enredo com a profundidade de um pires, não é explicado em nenhum momento de onde diabos ele veio e o que ele é. Aparece do nada, indo para lugar algum. Mas que é estiloso até os ossos, ah isso ele é!
Albert Wesker (vivido por Shawn Roberts), o Big Boss da Umbrella também está presente. Ele está superfiel ao seu visual em “Resident Evil 5″, mas quem não o conhecer do jogo vai achá-lo parecidíssimo com os Agentes de “Matrix”. Está tudo lá, os óculos escuros onipresentes, a roupa preta, os movimentos supervelozes se desviando de projéteis em bullet time… só faltou ele chamar Alice de “Sra. Anderson”.
A Direção de arte é digna de todos os elogios, a Fotografia 3D está ótima, e a Trilha Sonora faz bem seu papel, casando perfeitamente com o espírito da película.
Em suma, este “Resident Evil 4: Afterlife” é um filme com cenas de ação impressionantes, efeitos visuais competentíssimos, e só. Não espere nenhuma atuação dramática, pois o roteiro e a direção tornam isso simplesmente impossível, independente do elenco contar ou não com bons atores.
O sucesso nas bilheterias e o final em arco garantem que mais uma sequência virá num futuro próximo. Ah, e não saia da sala antes dos créditos finais…
Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:
Sala 4: 22h10 (Legendado)
Horários válidos até 21/10/10
DALTO FIDENCIO
nils satis nisi optimum
http://twitter.com/DaltoFidencio







Juan Rodriguez em 22/10/2010 às 19:37 disse: O que pensar ao ir assistir o quarto filme de uma franquia cinematográfica que em minha humilde opinião não chega nem aos pés da aclamada série de games com o mesmo nome? Que seria somente mais uma adaptação fraca, com enredo e efeitos pífios não á? Bem, vejamos:
A introdução do filme é realmente de uma magnificência que me prendeu imediatamente a atenção e me fez até chegar a pensar que este filme seria deslumbrante caso continuasse no mesmo nível. As tomadas de câmera e a trilha sonora pactuaram de forma excelente, chego a dizer que de imediato viciei na trilha do momento, a qual estou escutando enquanto escrevo. O nome da música é Tokyo, composta por Tomandandy. Enfim, em seguida começou o que posso dizer de desastre. Eu não entendo como que com tanto dinheiro e recursos, não seja possível seguir uma trama tão simples como as dos games, e agradar assim com certeza, não só o público de gamers, mas sim de uma platéia considerável que nada conhecem do universo de Resident Evil. O por que do filme não ter me agradado? Comecemos pela atuação de Milla Jovovich, embora me agrade algumas de suas atuações em filmes de outros gêneros, não acho que a atriz sirva para papéis de ação, ela não me convence em nada, sempre com a mesma cara de parecer estar perdida no ambiente, lhe falta algumas aulas de expressão facial para melhor interpretar algumas cenas em questão. O restante do elenco segue o padrão dos outros RE, servem somente para prestar ajuda á estrela principal do filme e para morrer, e muitas vezes de forma banal, (lembra-se do corredor de lasers de RE1? Aff ). Os efeitos especiais feitos especialmente para o 3D realmente ficaram impressionantes, porém chegou uma hora que já estava cansado do recurso de slow motion Matrixnesco, espero que os filmes futuros sejam quais forem, saibam utilizar outros recursos visuais para o 3D, além do slow motion, senão todo filme de ação se resumirá a ter cenas do tipo sem parar. O enredo e história são como você diz Dal, de profundos, não têm nada. Os mortos-vivos, infectados e o Executioner roubam a cena do filme, o que me deixa mais aborrecido ainda, pelo fato de poderem fazer algo tão perfeito, porém o fazem em um contexto avacalhado. O que resta esperar é que algum diretor recomece a franquia de forma que seja um pouco mais fiel á Resident Evil, o que de fato parece ser impossível, já que ainda teremos um 5° filme. Porque, essa franquia, de RE, só tem os mortos, nomes de personagens e monstros. Mais uma crítica condizente com o que vemos Dal, parabéns mais uma vez!! Abraços.
Dalto em 23/10/2010 às 11:11 disse: Excepcional comentário, Juan! Meus parabéns!
João Carlos Faria em 28/10/2010 às 23:25 disse: Oi Dalto …
Olá estou propondo a geração de artistas da cidade da qual faço parte.
Juntarmos as forças. Para produzirmos um longa metragem em forma de COOPERATIVA ao melhor Estilo Urubuzão Humano.
Experiencia que tivemos através do NUCLEO ETHOS DE CINEMA na DÉCADA DE 90.
Enfim produtores, roteiristas, atores, diretores.
O longa de Diomédios Moraes pelo jeito não saiu mas ficou o gostinho e a promessa ainda não realizada de fazer cinema em nossa cidade.
Usarmos fim de semanas e feriados para filmar.
Temos talentos escritores, atores, músicos, artistas plásticos.
E uma efervescência provocada por mostras com o ESTIVAL.
O cinema como o teatro é uma atividade coletiva.
Vamos criar um coletivo. Que já existe e fazer um ALINHAVO.
E fazer virar.
No mais um abraço.
JOKA
joão carlos faria
PS deixando de articular literatura e outras mumunhas e buscando a experiencia de cinema.
Viver pode ser uma grande aventura.
Dalto em 30/10/2010 às 13:02 disse: Grande iniciativa, Joka!
Conte comigo!