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Rubi – A Pedra que desconhecia

28/01/2010
Foto: Reinaldo Prado – Caminhos
O mundo gira e dentro desse círculo nunca chegamos ao pleno conhecimento das coisas, das descobertas alucinantes da vida diária, do assombro que nos cala o peito e revira a alma…hoje foi um dia assim…

Comecei logo cedo ao sair com meus amigos para um daqueles passeios maravilhosos e inesquecíveis, onde as lembranças ficam impregnadas na memória de sensações.

Fomos para Gonçalves, aquele recanto com excesso de oxigênio, tanto, tanto, que dá tontura…

 

Foto: Reinaldo Prado – Pedra do Forno

Uma trilha para a Pedra do Forno. A subida escorregadia fez-me lembrar da descida e do meu joelho que reclama a cada freada. Os meus companheiros de aventura subiram, enquanto eu não cheguei na pedra, voltei do  meio do caminho, segurando nos galhos das pequenas árvores, para não escorregar.

 

O silêncio das araucárias, em seus verdes movimentos, ordenados no caos íris da minha ótica…meus óculos atrapalham a descida.

Foto: Reinaldo Prado – Cachoeira/Gonçalves

Os caminhantes sobem e descem e no meio do caminho, sou uma retardatária, ouvindo o silêncio das araucárias. São aquelas pessoas diferentes que gostam de sujar os pés de barro, de subir as montanhas, de ouvir o barulho das águas, dos que gostam de caminhar entre as pedras do caminho, só para contrariar Drumond. A pedra é o ponto de apoio, é o descanso, é onde se encosta para revitalizar e continuar a jornada.

Sentei num banquinho de madeira e esperei a volta dos que se foram. O cenário tão belo parecia um sonho, desses que se misturam com a realidade e no final das contas nunca sabemos o que é de verdade.

Depois a volta para casa com o desejo de retornar, afinal não cheguei na Pedra do Forno, tenho que voltar.

Meus amigos param nos lugares bonitos, para tomar café e comer pão de queijo, para colher flores imaginárias ao pé da serra, fotografá-las, torná-las perenes, comer ingá no pé, subir os mirantes, andar na linha do trem, só pra fazer de conta que está tudo certo ao ver a Santa no alto da montanha, na verdade não é uma santa, é uma senhora que auxilia a jornada dos que por ali passam.

Na trilha da poesia, como sempre uma surpresa em cada canto e em cada verso. No mirante, diferente de todos, tem um mural com algumas informações pitorescas, mas o poema colado, cala todos os anseios:

Foto: Reinaldo Prado – Poesia no Mirante

“Aqui neste mirante encantado,

Alguém parou para olhar ao largo

O largo não parou para ser olhado

É largo para tudo que é lado…”

 

(De Gonçalves a Leminski

Ivan Messiano dez/04)

 

Mas a poesia insiste em misturar-se com os andarilhos. Solta-se nesse ar oxigenado de  mentes entorpecidas por belezas inexplicáveis. Por que somos tão estranhos?

Foi então, que de repente, começo a ouvir o Rubi… Uma voz tão doce e tão profunda que não tem explicação…e uma letra tão bela que encanta o mundo. Fico sem entender a razão de não ter sido eu a escrever algo tão belo. Alguém pegou primeiro, no ar… caiu em outras mãos tão bela poesia.

Compartilho com todos mais uma beleza no mundo…Uma pedra preciosa que não conhecia: Rubi

 

Ai

Rubi

Composição: Tata Fernandes / Kléber Albuquerque

Deu meu coração de ficar dolorido
Arrasado num profundo pranto
Deu meu coração de falar esperanto
Na esperança de se compreendido

Deu meu coração equivocado
Deu de desbotar o colorido
Deu de sentir-se apagado
Desiluminado
Desacontecido

Deu meu coração de ficar abatido
De bater sem sentido
Meu coração surrado
Deu de arrancar o curativo
Deu de cutucar o machucado

Deu de inventar palavra
Pra curar de significado
O escuro aço denso do silêncio
De um coração trespassado

“Eu te amo – disse.
E o mundo despencou-lhe nas costas. Não havia de sofrer tanto.
O mundo pesa sobre o amor. Leveza dá pena no espaço.
E se teu amor por mais pedra não voar: liberta tuas costas do peso que não carregas.
E se teu amor por mais pena não mergulhar: vai te banhar e olha-te no olhar que não te cega.
Se teu amor te pesa mais que o mundo que carregas: degela-o e deixa-o beber os deltas.”

Deu meu coração de ficar abatido
De bater sem sentido
Meu coração surrado
Deu de arrancar o curativo
Deu de cutucar o machucado

Deu de inventar palavra
Pra curar de significado
O escuro aço denso do silêncio
No coração trespassado
Ai
Ai ai
Ai

Rubi

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Filed in: Elizabeth de Souza, Filosofia, Literatura, Música, Poesia

2 Responses to "Rubi – A Pedra que desconhecia"

  1. Elizabeth disse:

    Marllene em 26/01/2010 às 00:33 disse: Belo texto Beth!
    Como digo sempre, o contato com a natureza, produz o mesmo efeito de uma prece.
    Quanto ao Rubi, ele é realmente uma preciosidade!
    Grande abraço!

    Marllene

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