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SHERLOCK HOLMES (Sherlock Holmes)

SHERLOCK HOLMES (Sherlock Holmes)
De Guy Ritchie, 128 min

Sherlock Holmes
Direção: De Guy Ritchie
Roteiro: Michael Robert Johnson, Anthony Peckham e Simon Kinberg
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong, Kelly Reilly

Prepare-se para ver o icônico detetive criado em 1887 por Sir Arthur Conan Doyle de uma maneira nunca antes vista! Depois de James Bond ter sido repaginado para um papel muito mais físico do que conhecíamos antes, agora chegou a vez do maior detetive do mundo deixar de usar apenas o seu assombroso poder de dedução para solucionar os crimes da Londres do final do século XIX, e passar a contar também com seus punhos.

O roteiro é do trio Michael Robert Johnson, Anthony Peckham e Simon Kinberg, que o adptaram de uma HQ escrita por Lionel Wigram, e, se pode ofender alguns fãs do “verdadeiro Holmes”, tem o mérito de não cair na repetiva fórmula de se contar toda a horigem do personagem. Como todos já conhecem cada nuance da origem do detetive, a história acerta em nos apresentar à dupla Holmes e Watson já com a mão (e o cérebro) na massa, resolvendo casos que a Scotland Yard não conseguiria sozinha.

Só que desta vez não é apenas sentando-se, fumando seu cachimbo e utilizando suas “células cinzentas” (parafraseando outro superdetetive, Hercule Poirot, de Agatha Christie) que Sherlock conseguirá chegar às soluções dos crimes, mas entrando no olho do furacão que os casos representam, como um outro ícone – Indiana Jones – faria tão bem.

Aos que se ofenderem ao ver um Holmes lutando em pubs decadentes para vencer apostas, vale lembrar que em muitos de seus contos, Doyle deixou claro que o detetive era um praticante de boxe… faceta esta que ficou esquecida nos inúmeros filmes, séries de TV e peças de teatro que vieram depois.

A trama já começa com adrenalina: Holmes (vivido por Robert Downey Jr.) e Watson (papel de Jude Law) conseguem impedir o assassinato de uma jovem num ritual de magia negra, e mandar para a prisão o responsável pelo crime, Lorde Blackwood (vivido por Mark Strong), um sinistro membro do parlamento inglês, que é condenado à forca, também pelos cinco assassinatos anteriores que havia cometido.

Digno de nota é a forma como Holmes deduz antecipadamente como vencerá seus oponentes numa luta, mostrada em câmera lenta… mais cool, impossível!
Watson está prestes a se casar com a jovem Mary Morstan (Kelly Reilly), e com isso deixará de ser o parceiro do famoso detetive de Baker Street, o que gera certa tensão entre os dois, principalmente por parte do ciumento Holmes, com suas tiradas sarcásticas, que garantem boas risadas da platéia.

Blackwood é enforcado, mas não antes de avisar a Holmes que as mortes estavam longe de acabar. Para assombro de todos, Blackwwod volta dos mortos, levando pânico à população, e com um plano de tomar o poder primeiramente na Ilha, e posteriormente no mundo todo. Aqueles que ousam se opor a ele, aparentemente são
consumidos pelo poder das trevas.

Como se já não tivesse problemas suficientes, Holmes recebe a visita de um antigo amor mal resolvido, a golpista Irene Adler (vivida por Rachel McAdams), que é para o detetive o que a Mulher-Gato é para o Batman.

Segue-se então uma história bem ao feitio blockbuster, com muita ação, explosões, e claro, pitadas de romance, enquanto os heróis lutam contra o tempo para desvendar o mistério que cerca Blackwood, e assim detê-lo.

Nas atuações, destaque para a excelente química entre Downey Jr. e Law, com personagens que contrastam totalmente nas personalidades (com seus figurinos acentuando estas diferenças), mas que não deixam de formar uma dupla perfeita. Ótima atuação de ambos, sem dúvida!

Os coadjuvantes fazem muito bem seu papel: Mark Strong é um vilão convincente, Rachel McAdams funciona muito bem como o par romântico/problemático de Holmes, e Kelly Reilly, apesar do pequeno papel, não deixa falhas sempre que aparece. Vale citar também a boa atuação de Eddie Marsan, como o inspetor Lestrade, chefe da Scotland Yard.

Um grande destaque em “Sherlock Holmes” é sem dúvida a sua bela Fotografia dark. que junto com a Direção de Arte, recria uma perfeita Londres vitoriana de 1890, ao mesmo tempo grandiosa e sombria. A Trilha, de Hans Zimmer, é bastante agradável, toda baseada em instrumentos de corda, e casou perfeitamente com a trama.

O diretor Guy Ritchie (Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes; Snatch – Porcos e Diamantes) se mostra em plena forma, e uma das marcas registradas de seus filmes, que são os diálogos afiadíssimos cheios de sarcasmo e ironia, estão presentes. Também estão no filmes o ritmo frenético, os enquadramentos peculiares e a estética de HQs. Ou seja, mesmo sendo uma produção feita sob medida para arrecadar milhões em bilheteria, o diretor britânico não deixou de colocar sua assinatura no filme, comandando-o com mão firme e talentosa.

A trama tende a ser muito autoexplicativa, filmes assim me incomodam um pouco, pois parecem dar a impressão que o espectador não tem capacidade para entendê-los sem o “manual de instruções” do narrador ou do próprio protagonista, mas temos que lembrar que os livros detetivescos sempre tendem a ser desta maneira.

O final é descaradamente voltado à uma continuação… achei desnecessário, pois os personagens em si já garantiriam o início de uma nova franquia.
“Sherlock Holmes” fica longe de ser uma obra-prima (e nem pretende sê-lo), e além disso, os conservadores poderão torcer o nariz, mas a ousada releitura do personagem deu certo, tornando o filme um divertimento de primeira linha, desde que se entenda o seu espírito. É sem dúvida uma ótima pedida nas férias.
Elementar, meu caro cinéfilo!

Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:

Sala 3: 14h20, 16h50, 19h20, 21h50 (Legendado)

Horários válidos até 21/01

Veja o site do Cinesystem >>

DALTO FIDENCIO
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