
SHREK PARA SEMPRE (Shrek Forever After)
De Mike Mitchell, 93 min
Animação
Nascido nos estúdios da DreamWorks em 2001, da adaptação do livro homônimo de William Steig, “Shrek” se tornou um clássico instantâneo, com seu humor ácido e sua verve anárquica, que detonava todos os clichês das animações da Disney. Sem mais palavras, o primeiro longa é simplesmente uma obra-prima. Aí em 2004 veio a inevitável sequência… se não era uma virtuose como o primeiro, era sem dúvida um excelente filme, quase mantendo a qualidade do original. Mas em 2007 tivemos a bomba “Shrek III”, em que as idéias originalíssimas de antes foram abandonadas, dando origem a uma animação chata e, pior, que abraçava as características que antes ironizava. De tão fraco, quase matou a franquia. E agora em 2010 temos o capítulo final (será mesmo?). Confesso que fiquei com medo de ter que aturar algo no nível do terceiro filme de novo, mas ainda bem que a DreamWorks se redimiu, e se não nos entregou pérolas como os dois primeiros Shreks, ao menos fez algo bem melhor que o terceiro, finalizando a saga do Ogro ao menos de uma forma digna.
Excetuando-se ser o primeiro da série a ser feito diretamente em 3D, “Shrek Para Sempre” não mostra nenhuma novidade, além do visual arrebatador que a tecnologia da moda lhe deu. A Fotografia, de Yong Duk Jhun, é soberba e as texturas dos personagens é perfeita.
A trama é dos roteiristas Josh Klausner e Darren Lemke (os mesmos do anterior…), e conta a seguinte história, que foi dirigida por Mike Mitchell: Shrek está com saudades de seus tempos de ogro solteiro e que era temido por todos. Seu casamento caiu na rotina, seus dias são sempre uns iguais aos outros e, para piorar, seu adorado pântano virou atração turística. Depois de uma discussão com Fiona durante a festa de aniversário de um ano de seus filhos, Shrek acaba conhecendo Rumpelstiltskin, um duende trapaceiro que lhe faz uma proposta mais do que tentadora… basta assinar um contrato mágico que o ogro terá um revival de seus bons dias de volta, por 24 horas, tendo que dar em troca apenas um dia”qualquer” de sua infância ao baixinho ruivo.
“Qualquer” uma ova! Rumpelstiltskin apaga justamente o dia em que nosso amigo verde nasceu, o que o joga num mundo paralelo onde a realidade é bem diferente da que conhecemos. Sim, Shrek conseguiu o que queria, ele voltou a ser temido por todos, mas logo percebe que outras coisas também estão diferentes… o reino de Tão Tão Distante agora é governado de forma tirânica por Rumpelstiltskin, Fiona nunca se casou e sequer conhece Shrek – assim como seu amigo Burro – os ogros são caçados impiedosamente e, para piorar ainda mais, Shrek tem apenas até o final dessas 24 horas do contrato para conseguir o “beijo do amor verdadeiro” (de novo isso?), caso contrário simplesmente deixará de existir!
E segue-se a história, muito mais focada na aventura e no romance do que era antes, temos apenas uma vaga lembrança do humor cáustico e politicamente incorreto dos dois primeiros longas. As melhores tiradas cômicas ficam por conta do Burro – hilário como sempre – e com o Gato de Botas, impagável na sua versão “rotunda” (que me fez lembrar o Garfield). Aliás, o miau vai ganhar uma animação solo já no ano que vem… de certa forma continuando a franquia onde nasceu, mesmo a trama sendo anterior à época em que ele conheceu Shrek. Dedos cruzados para que o roteiro seja inspirado, e não feito apenas para arrecadar mais dólares para o estúdio de Spielberg.
Voltando ao filme que estamos analizando, Rumpelstiltskin até que se esforça, mas não é um vilão tão cool como Lorde Farquaad ou mesmo o Príncipe Encantado e a Fada Madrinha. E os seus capangas, as Bruxas e o Flautista de Hamelin, bem que poderiam ser melhor desenvolvidos.
A Trilha Sonora, de Harry Gregson-Williams, é sóbria… não se destaca mas também não compromete.
As piadas ficam melhores na versão original, pois algumas simplesmente não funcionam quando traduzidas.
Em suma, “Shrek Para Sempre” tem seus defeitos mas é uma película que cumpre a risca seu papel, que é entreter e divertir. É indicado para toda a família (apesar que os mais pequenos podem não entender direito esse negócio de realidade alternativa). Ele pelo menos fecha a franquia milionária da DreamWorks com a cabeça erguida. Não é uma jóia como a animação original, mas sem dúvida alguma vale a pena conferir.
Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:
Sala 2: 13h40, 16h10, 19h10, 21h30 (Dublado)
Sala 4 (3D): 14h10, 16h50, 19h30, 22h10 (Dublado)
Horários válidos até 05/08/10
DALTO FIDENCIO
nils satis nisi optimum
http://twitter.com/DaltoFidencio







Elizabeth em 05/08/2010 às 12:43 disse: Dalto, eu adoro esse ogro!
Esse Rumpelstiltskin deve ser o bicho…esse eu vou ver.
Abraços!
Dalto em 12/08/2010 às 23:17 disse: Como fã de felinos, eu adoro é o Gato de Botas, Beth… rs!