sobre o paradoxo de não termos tempo09/08/2010
Vivemos no século XXI, o século do instantâneo, tempo de não-ter-tempo. Tudo tem de ser “para ontem”, urgente, e mesmo a comida é a chamada fast food. Se paramos 1minuto no sinal, é o “governo tomando nosso tempo”, não temos “um minutinho” para aguardar no telefone, nem “um segundo” para esperar o troco do metrô.
Essa pressa de viver, acaba nos levando a não viver. Não temos um minuto para fazer uma criança sorrir, nem para abraçar a pessoa que amamos, dez minutos para tomar uma decisão é algo impensável.
Mas para onde vai todo esse tempo que ‘economizamos’ evitando esses “empencilhos” do cotidiano? Pra onde vai nossa atenção que não damos aos conhecidos?
Infelizmente, para a maioria, esses minutos são gastos reclamando de como é ruim tudo perder tempo (estranho não?) ou então são gastos olhando para o relógio e planejando minuciosamente o que será feito pra não perder cada minuto da proxima hora, que poderia começar uma hora mais cedo se não fosse a preocupação. E a atenção, vai para a algema nos pulsos, chamados de relógios, ou para nosso ‘chip de comando’ que está sempre no bolso (vulgo celular), olhamos o tempo compulsivamente, como se pudessemos congelá-lo com ao olhar o marcador, como se pudessemos controlar o tempo… pura tolice.
No final das contas, corremos não porque precisamos economizar tempo, mas porque tentamos fugir dele. Não queremos envelhecer, então queremos conquistar ANTES, não queremos deixar o “Tempo, senhor da razão”, fazer o trabalho dele, não queremos poupá-lo mas matá-lo, com pedras, chutes e canivetes.
Mas o triste fato é que não podemos matar o tempo, pois nem mesmo podemos alcança-lo, cada segundo que gastamos lutando contra o tempo é, paradoxalmente, perda de tempo, é lutar consigo mesmo.
Então, minha proposta é: Pare por 1 minuto, deixe o tempo passar, afinal nós precisamos de descanso e, como disse Cazuza “o tempo não para”.







