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TRON – O LEGADO (Tron – Legacy)

TRON – O LEGADO (Tron – Legacy)
De Joseph Kosinski, 127 min

Tron – Legacy
Ficção Científica / Ação
Direção: Joseph Kosinski
Roteiro: Edward Kitsis e Adam Horowitz
Elenco: Jeff Bridges, Garrett Hedlund, Olivia Wilde, Michael Sheen, John Hurt, Serinda Swan, James Frain, Bruce Boxleitner


 No distante ano de 1982, era lançado o ambicioso “Tron – Uma Odisseia Eletrônica”. Foi o primeiro filme da história a usar a computação gráfica, mas acabou sendo um fracasso de público e crítica. Só que a vanguarda que ele representou fez com que se tornasse cult no meio nerd/geek, além de influenciar uma geração de cineastas. E agora, quase três décadas depois, a Disney resolveu ressussitá-lo, na esperança de ter em mãos uma nova franquia.

Curiosamente, optaram não por um remake, mas pela sequência da trama.
No original, Kevin Flynn (vivido por Jeff Bridges) era um visionário programador de computadores e designer de videogames. Ele sofre um acidente envolvendo um dispositivo experimental e se vê transportado para um universo digital chamado de Grade, onde os programas vivem em sociedade. Lá, com a ajuda de um programa chamado Tron, ele ajuda a livrar a Grade da tirania de um programa chamado Master Control.

 Agora em “O Legado”, Jeff Bridges revive seu papel. O filme começa ambientado no ano de 1989, Kevin Flynn agora é um executivo de enorme sucesso no mundo da informática, ele secretamente continuou a fazer viagens à Grade, onde criou um programa chamado Clu à sua imagem e semelhança, para ajudá-lo a levar a Grade à perfeição. Mas Flynn misteriosamente desaparece, deixando seu filho Sam Flynn à própria sorte.
Depois de um belo arco da montagem, mostrando as bikes de Sam em diferentes épocas, passamos para a época atual. Sam agora tem 27 anos (vivido por Garrett Hedlund, do fraco “Eragon”), é o principal acionista da Encon – a empresa de seu pai – mas tornou-se um adulto solitário e rebelde e se recusa a assumir o comando da empresa. Sam não compactua com os hávidos interesses capitalistas da junta diretora da Encon, pelo contrário, prefere roubar (é roubo, se ele é o dono?) sistemas operacionais e disponibilizá-los de forma gratuíta na internet. Curioso que esta parte da trama é simplesmente ignorada durante todo o resto da história. Idem para a ponta de Cillian Murphy, que talvez seja melhor aproveitado numa possível sequência.
Uma pista sobre o desaparecimento de seu pai leva Sam ao velho Arcade “Flynn’s”, e ao som das deliciosas “Separate Ways”, de Journey, e “Sweet Dreams (Are Made of This)”, de Eurythmics, ele acaba sendo transportado para a Grade também. Lá, logo de cara, ele terá que participar das mesmas batalhas entre gladiadores digitais que seu pai lutou décadas atrás.
Aqui vale um comentário: no início da película, vemos um aviso que fala que “algumas partes do filme foram filmadas em 2D”…pura enganação, na verdade, algumas partes do filme foram filmadas é em 3D! Economize seu dinheiro, apesar das imagens belíssimas da Grade, ver em 2D ou 3D é praticamente a mesma coisa neste filme.
Sam irá descobrir que seu pai ainda está vivo na Grade, impossibilitado de voltar ao nosso mundo, e também irá conhecer algum programas peculiares, como Clu, Quorra, Rinzler e Castor.
Uns… vilões, outros… heróis.
Clu merece um comentário à parte. Para criá-lo, foi utilizada a tecnologia E-motion – anteriormente utilizada em “O Curioso Caso de Benjamin Button” – para rejuvenecer o rosto de Jeff Bridges, e o resultado é surpreendente! Um espectador menos atento poderá sequer perceber que o rosto do personagem é digital. Imagine as possibilidades que esta tecnologia entregará ao Cinema a partir de agora, que está melhor desenvolvida.
Jeff Bridges entrega, de longe, a melhor atuação do filme. Menos como Clu, e mais como Kevin Flynn. Seu personagem zen fez lembrar seu memorável “O Grande Lebowsky”. Ótimo e inspirado trabalho, senhor Bridges.
Pena que Garrett Hedlund não chegue nem perto do veterano, em matéria de talento. Seu personagem é insípido, sem carisma, e ainda por cima é prejudicado pelo roteiro ruim, que lhe presenteou com diálogos sofríveis.
Olivia Wilde (a “Thirteen”, da excepcional série de TV, “House”) vive Quorra, numa interpretação absolutamente graciosa. A moça mostra que sabe também atuar em papéis mais físicos. Ei Warner, vocês ainda estão procurando uma atriz para viver a Mulher Maravilha nas telas? Ei-la… Quorra não é um programa comum, mas uma ISO. Uma nova forma de vida, algorítmos isomórficos que se manisfestaram de forma espontânea na Grade.
Rinzler é um personagem misterioso, sempre mascarado, que na verdade é… bem, não vou entregar um spoiler deste tamanho… assista ao filme.
Castor é vivido por Michael Sheen, numa interpretação bastante interessante. Seu personagem excêntrico de certa forma me lembrou o Merovingian, de “Matrix Reloaded”.
Aliás, não faltam “homenagens” à filmes clássicos aqui… prepare-se para lembrar de Darth Maul e seu duplo lightsaber ao ver Rinzler lutar em determinada cena. E já que estamos em Star Wars, à cena de Luke atirando nos Tie Fighters com os canhões blaster da Millennium Falcon é reprisada quase de forma clônica em “Tron – o Legado”.
Também do filme original, temos Bruce Boxleitner, vivendo novamente Alan Bradley, fiel amigo de Kevin Flynn no mundo real.
A Direção ficou à cargo do estreante Joseph Kosinski, que entregou um trabalho inseguro e sem muita inspiração. Ainda tem muito que aprender…
O Roteiro foi escrito por Edward Kitsis e Adam Horowitz (que são egressos da cultuadíssima série “Lost”), e deixa a desejar. Raso, com personagens pouco desenvolvidos, diálagos fraquíssimos e que em nenhum momento nos faz mergulhar dentro do filme.
O grande apelo desta produção é mesmo seu visual arrebatador, com incríveis contrastes em claro/escuro. As roupas em neon, os Recognizers, as naves, as armas, em suma, todo o mundo metafísico da Grade tem um design de cair o queixo. Mas meu destaque vai para as lightcycles…as motos de luz que já estavam presentes no original, e que agora atingiram o nível de obras de arte. Parecem uma versão clubber-futurista da moto de Kaneda, de “Akira”.
Cenas de ação muito competentes também se fazem presentes, mas falta fluidez nas demais cenas, que parecem se arrastar num PC com pouca memória.
A Trilha é ótima… já citei os clássicos oitentistas no início, e agora cito a participação do duo francês Daft Punk, que faz uma ponta como os DJs do Clube do Fim da Linha, de propriedade de Castor. Música eletrônica da melhor estirpe!
Se o desejo da Disney de criar uma nova fanquia vai se tornar realidade eu não sei, mas uma microssérie de Tron em animação, contando os acontecimentos entre os filmes de 1982 e 2010 (no melhor estilo Clone Wars) já está em desenvolvimento.
Tron – O Legado acaba sendo muito parecido com o filme original do século passado: visualmente um deleite, mas com sérios problemas de direção e roteiro. Mas mesmo assim, vale a pena ser conferido.
Em tempo, normalmente eu coloco um vídeo com o trailer do filme que critico, mas desta vez resolvi fazer algo diferente: preferi um vídeo que mostra cenas tanto de “Uma Odisseia Eletrônica”  como de “O Legado”, para que vocês possam comparar a evolução da tecnologia CGI.
Enjoy!

Em cartaz no Cinesystem, no Vale Sul Shopping:

SALA 5 – Legendado (2D)    16h20, 19h00
SALA 1 – Legendado (3D)    22h10
SALA 1 – Dublado (3D)    14h10, 19h30

Horários válidos até 13/01/11

www.cinesystem.com.br/multiplex.asp

 DALTO FIDENCIO
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twitter.com/DaltoFidencio

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